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Ocupação em São
Bernardo do Campo, São Paulo
. Iniciada em 1º de setembro de 2017, a ocupação reúne hoje cerca de 7 mil famílias. |
Eu
preciso também de um lugar para morar, né? Que não seja para mim, porque eu não
sei o dia de amanhã, mas que seja para os meus filhos que estão aí crescendo,
dois adolescentes, para deixar alguma coisa, para eles não ter que passarem a
mesma história que eu passei. [...] Às vezes, eu falo assim e a história passa
na cabeça. Porque eu lembro dos meus filhos, lembro da minha mãe também
passando muita humilhação, onde ela vinha dividir um ovo para a gente comer e
enganar o estômago... Aí eu olhei e
falei "não, não tem condições de ficar assim", quando eu perdi o
serviço ficou mais difícil ainda. Eu tentei entrar em programa social aqui em
São Bernardo do Campo, mas eu não consegui.
Joana
Darc Nunes, desempregada, membro da ocupação de São Bernardo do Campo de 2017[1]
"Os empregos não param de
crescer", diz Temer (02/10/17)[2].
"O mercado de trabalho mostra recuperação", confirma Meirelles (19/07/17)[3].
Na TV e nos jornais, a tentativa desesperada do governo de tentar mostrar que
as coisas enfim estão se ajustando para a população. E, com isso, buscar
esconder ou mesmo justificar seu governo numa República de corruptos e ladrões.
Enquanto isso, a bolsa de valores bate seu recorde histórico, superando enfim a
marca de 2008, com farta entrada de capital estrangeiro. A confiança
empresarial retoma patamares do início da recessão aberta, entre 2014 e 2015[4].
Afinal de contas, as reformas fundamentais para o capital estão mais ou menos
se encaminhando... e "o objetivo (desse governo) é ajudar as empresas a
saírem da crise e superar os processos judiciais", como entregou Meirelles
(14/07/17)[5].
Esse é o discurso que diariamente o
operário se vê forçado a ouvir, a ideologia dominante forçando-o a assumir como
sua, mesmo que o seu cotidiano, no trabalho (para os que não estão nos 13
milhões de desempregados!), em casa (para os que a tem, ver epígrafe), ou na
rua (buscando se proteger ao mesmo tempo da polícia e do crime organizado),
mostre o quanto as coisas continuam a vagar pelo fundo do poço; o quanto a
defesa dos “produtores de emprego e renda” (sic!) está deteriorando sua vida.
Nesse contexto contraditório, aparentemente
esquizofrênico, precisamos olhar mais a fundo e de forma mais sistemática o que
os últimos dados do mercado de trabalho têm a nos dizer. Mais especificamente,
como a classe operária tem sido afetada através de mudanças na venda e no uso
de sua força de trabalho e na sua reprodução nesse momento da crise. Notaremos
que a expressão usada no texto A rápida deterioração das condições de
reprodução da classe operária e demais classes trabalhadoras no Brasil[6],
"bombardeio à força de trabalho", continua pertinente mesmo depois de
um ano.
Do
otimismo à realidade















