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domingo, 15 de outubro de 2017

O "bombardeio" ao trabalho continua no Brasil


Ocupação em São Bernardo do Campo, São Paulo
. Iniciada em 1º de setembro de 2017, a ocupação reúne hoje cerca de 7 mil famílias.
      Eu preciso também de um lugar para morar, né? Que não seja para mim, porque eu não sei o dia de amanhã, mas que seja para os meus filhos que estão aí crescendo, dois adolescentes, para deixar alguma coisa, para eles não ter que passarem a mesma história que eu passei. [...] Às vezes, eu falo assim e a história passa na cabeça. Porque eu lembro dos meus filhos, lembro da minha mãe também passando muita humilhação, onde ela vinha dividir um ovo para a gente comer e enganar o estômago... Aí eu olhei e falei "não, não tem condições de ficar assim", quando eu perdi o serviço ficou mais difícil ainda. Eu tentei entrar em programa social aqui em São Bernardo do Campo, mas eu não consegui.
Joana Darc Nunes, desempregada, membro da ocupação de São Bernardo do Campo de 2017[1]

"Os empregos não param de crescer", diz Temer (02/10/17)[2]. "O mercado de trabalho mostra recuperação", confirma Meirelles (19/07/17)[3]. Na TV e nos jornais, a tentativa desesperada do governo de tentar mostrar que as coisas enfim estão se ajustando para a população. E, com isso, buscar esconder ou mesmo justificar seu governo numa República de corruptos e ladrões. Enquanto isso, a bolsa de valores bate seu recorde histórico, superando enfim a marca de 2008, com farta entrada de capital estrangeiro. A confiança empresarial retoma patamares do início da recessão aberta, entre 2014 e 2015[4]. Afinal de contas, as reformas fundamentais para o capital estão mais ou menos se encaminhando... e "o objetivo (desse governo) é ajudar as empresas a saírem da crise e superar os processos judiciais", como entregou Meirelles (14/07/17)[5].

Esse é o discurso que diariamente o operário se vê forçado a ouvir, a ideologia dominante forçando-o a assumir como sua, mesmo que o seu cotidiano, no trabalho (para os que não estão nos 13 milhões de desempregados!), em casa (para os que a tem, ver epígrafe), ou na rua (buscando se proteger ao mesmo tempo da polícia e do crime organizado), mostre o quanto as coisas continuam a vagar pelo fundo do poço; o quanto a defesa dos “produtores de emprego e renda” (sic!) está deteriorando sua vida.

Nesse contexto contraditório, aparentemente esquizofrênico, precisamos olhar mais a fundo e de forma mais sistemática o que os últimos dados do mercado de trabalho têm a nos dizer. Mais especificamente, como a classe operária tem sido afetada através de mudanças na venda e no uso de sua força de trabalho e na sua reprodução nesse momento da crise. Notaremos que a expressão usada no texto A rápida deterioração das condições de reprodução da classe operária e demais classes trabalhadoras no Brasil[6], "bombardeio à força de trabalho", continua pertinente mesmo depois de um ano.

Do otimismo à realidade

domingo, 1 de outubro de 2017

Vem aí o fascismo? por Francisco Martins Rodrigues

Manifestação Unite the Right em Charlottesville (EUA), agosto de 2017.
Os que assim pensam, entendem o fascismo como um novo movimento, uma terceira força justaposta ao capitalismo e ao socialismo (e que os domina). Para quem partilha esta opinião, não só o movimento socialista, mas também o capitalismo teriam podido, se não fosse o fascismo, continuar a existir, etc. Naturalmente que se trata de uma afirmação fascista, de uma capitulação perante o fascismo. O fascismo é uma fase histórica na qual o capitalismo entrou; por consequência, algo de novo e ao mesmo tempo de velho. Nos países fascistas, a existência do capitalismo assume a forma do fascismo, e não é possível combater o fascismo senão enquanto capitalismo, senão enquanto forma mais nua, mais cínica, mais opressora e mais mentirosa do capitalismo.
Brecht, Cinco dificuldades para escrever a verdade

Em longa intervenção no início de 2014, defendemos que a crise do imperialismo “globaliza” o acirramento da luta de classes. Após quase 4 anos, não temos condições de modificar tal posicionamento geral, tendo em vista as dificuldades estruturais do sistema imperialista retomar as taxas de lucro e acumulação, de um lado, e da classe operária e seus aliados em avançar na superação dessa fase superior do capitalismo, de outro.

Gostaríamos, sim, de trazer à debate um aspecto da conjuntura de crise que pouco desenvolvemos na ocasião, mas que tem sido importante objeto de reflexão dos comunistas e militantes, quer seja o processo de “fascistização” do capitalismo atual. Na ocasião, dissemos:

Do ponto de vista do proletariado e das demais classes dominadas, a análise concreta dos fatos da presente conjuntura aponta para tendência de agravamento da crise geral (econômica, social, política, ideológica, etc.) do imperialismo. Nesse cenário, a burguesia, seus governos e aparelhos internacionais manterão a ofensiva em todas as frentes (econômica, ideológica, repressiva) para aumentar a exploração e piorar as condições de vida do proletariado e das demais classes dominadas. Para isso, as classes dominantes recorrerão, como já estão recorrendo, à repressão crescente. Repressão às lutas e às formas de organização do proletariado e das massas, mediante reforço do seu aparelho repressivo e tendência à fascistização.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O referendo na Catalunha e a autodeterminação dos povos.

Com a aproximação do referendo sobre a independência da Catalunha, marcado para 1° de outubro pelo governo local (“Generialitat”), assiste-se a uma escalada repressiva coordenada pela Espanha contra a luta do povo catalão.

Considerando o referendo “ilegal”, as autoridades espanholas e seus “aliados”, inclusive de “esquerda”, agindo como verdadeiros representantes dos capitais espanhóis que são, têm utilizado de seu gigantesco aparato midiático e repressivo para sufocar a vontade da maioria popular e sua massiva mobilização. Diariamente, “comentaristas” falam da ilegalidade, da intransigência e da irracionalidade da luta pela independência; autoridades espanholas ampliam o tom das ameaças que, de fato, tem se concretizado. O Tribunal Constitucional espanhol tem acatado os pedidos do governo de Mariano Rajoy para tentar impedir o avanço do processo de independência. Na manhã de 20 de setembro de 2017, vários membros do governo catalão foram presos pela polícia espanhola, que também ocupou vários órgãos da Generialitat e locais pró-independência, atropelando a limitada autonomia política da região. Segundo o site Público, de Portugal, a polícia espanhola também apreendeu quase dez milhões de boletins de voto para o referendo, além de estar censurando ostensivamente a propagando do evento. E são esses senhores que pedem cinicamente por “diálogo”!

O aumento da repressão tem sido respondido com manifestações na região e demonstrações de solidariedade à luta por autodeterminação dos catalães ao redor do mundo. Se impedem as urnas, o povo irá às ruas! Dezenas de milhares tomaram as ruas de Barcelona e de várias outras cidades da Catalunha essa semana e prometem não sair delas. Uma greve geral já está convocada para o dia 03 de outubro. Essa mobilização contagia e amplifica a luta dos outros povos dominados pela Espanha, como demonstram as recentes manifestações na Galiza, no País Basco etc.

O risco dessa mobilização popular confrontar-se mais forte e diretamente com os desígnios do imperialismo já é objeto de temor das burguesias da região europeia. As lutas de libertação nacional nos países dominados pelo imperialismo pode, em determinadas situações concretas, impulsionar fortemente a luta pelo socialismo nesses países e em outros. Só é possível libertar-se do verdadeiramente da dominação imperialista sabendo unir a luta pela libertação nacional com a luta pelo revolução proletária.

Buscando contribuir com a disputa política e ideológica no movimento e se solidarizar com o mesmo, divulgamos a Carta aos comunistas espanhóis e do mundo respeito aos acontecimentos na Catalunha, do Primeira Linha (Galiza), logo abaixo, e a tradução para o português do texto de Lenin A revolução socialista e o direito das nações à autodeterminação, também divulgado no sítio dos camaradas galegos, que pode ser acessado em pdf aqui.

É dever dos comunistas apoiar a luta ao povo catalão, galego, basco e de outros povos dominados contra a opressão espanhola!

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Carta aos comunistas espanhóis e do mundo respeito aos acontecimentos na Catalunha

Primeira Linha

“O proletariado das naçons opressoras nom pode limitar-se a pronunciar frases gerais, esterotipadas, contra as anexaçons e pola igualdade de direitos das naçons em geral, frases que qualquer burguês pacifista repete. O proletariado nom pode silenciar o problema, particularmente “desagradável” para a burguesia imperialista, relativo às fronteiras de um Estado baseado na opressom nacional. O proletariado nom pode deixar de luitar contra a manutençom pola força das naçons oprimidas dentro das fronteiras de um Estado determinado, e isso equivale justamente a luitar polo direito à autodeterminaçom.

Deve exigir a liberdade de separaçom política das colónias e naçons que a “sua” naçom oprime. Em caso contrário, o internacionalismo do proletariado será vazio e de palavra; nem a confiança, nem a solidariedade de classe entre os operários da naçom oprimida e opressora seriam possíveis; ficaria sem desmascarar a hipocrisia dos defensores reformistas e kauskianos da autodeterminaçom, quem nada dim das naçons que a “sua própria” naçom oprime e retém pola força no “seu próprio” Estado.”
(Lenine)

domingo, 3 de setembro de 2017

A Crise do Imperialismo nos Dez Anos do Crash de 2007.

Os Retirantes - Portinari.
Na Idade Média, a continuidade da monarquia – seja na França, na Inglaterra, ou qualquer outro reinado – era saudada com a paradoxal frase: “O rei está morto! Vida longa ao rei!”.

De uma certa forma, podemos nos arriscar a dizer que esse (pseudo-)paradoxo também vale para as crises do capitalismo.

De início não faltam áulicos do capital para negar a realidade da crise. Alguns mesmo chegam a praticamente negar a própria possibilidade das mesmas. A partir do momento no qual a violência da crise do capital a torna inegável, no entanto, os bem pagos espadachins mercenários passam a, imediatamente, buscar qualquer pequeno sinal para dizer que a mesma já acabou. O capital parece estar sempre a dizer: “A crise morreu! Vida longa ao capitalismo!”.

Analisar as contradições do capitalismo do ponto de vista científico, utilizando-se do marxismo-leninismo, e – o que é seu necessário corolário – fazê-lo do ponto de vista do proletariado revolucionário, resulta, no entanto, em conclusões absolutamente distintas, diametralmente opostas.

As contradições do capitalismo levam inexoravelmente a crises. Toda a história do capitalismo, do seu surgimento à atual fase imperialista, comprova repetidamente essa verdade teórica e empírica. O “desenvolvimento” capitalista – a concorrência entre os capitais pela sua acumulação em escala crescente visando o lucro máximo – mina a própria base sobre a qual este se ergue, a exploração do trabalho assalariado.

Essas contradições, nos ensinaram Marx e Engles, levavam a recorrentes crises do capitalismo, cuja regularidade os faziam esperar por crises praticamente decenais. A virada para a etapa monopolista do capitalismo se inicia com a primeira Grande Depressão, no último quartel do século XIX. O novo século é inaugurado com a Primeira Guerra Imperialista, à qual se segue uma nova Grande Depressão, nos anos 1930. Sua saída só ocorre com a inimaginável queima de capitais causada pela Segunda Grande Guerra Imperialista (1939-1945). Após o período de reconstrução dos países destruídos pela guerra e de consolidação dos novos capitais, o imperialismo passou a sofrer, a partir de meados dos anos 1970, crises sequenciais que, de tão recorrentes e seguidas, são “praticamente uma crise sem fim” (Engels, ver aqui e aqui). Em 2007, inaugurou-se uma nova Depressão capitalista, a terceira de sua fase imperialista.

domingo, 30 de julho de 2017

O capitalismo encontrou limites intransponíveis? François Chesnais.

Desde o ano passado o blog Cem Flores vem publicando uma série de artigos com o objetivo de aprofundar os estudos que já vimos fazendo, a partir do marxismo, sobre a crise geral do imperialismo, crise que atinge o conjunto da economia mundial, do sistema capitalista no mundo.
Postamos em outubro de 2016, com uma apresentação, o prefácio e dois capítulos do livro de Lenin “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo” (aqui), comemorando os 100 anos de publicação dessa obra magistral.
Um mês depois apresentamos uma análise crítica à posição do Partido Comunista da Grécia sobre o imperialismo (acesse aqui).
Aprofundamos a análise do tema em dezembro apresentando e debatendo o texto de Francisco Martins Rodrigues "Os clássicos e o imperialismo: que actualidade?" (aqui). 
Fizemos ainda uma resenha crítica ao texto de Dani Nabudere “A Economia Política do Imperialismo”, publicada em maio desse ano, que pode ser acessada aqui.
Além desses 04 artigos que debatem a atualidade do conceito e a situação do imperialismo hoje, apresentamos ainda ao leitores do blog a tradução de dois trabalhos de Tom Thomas, extremamente atuais, sobre a crise geral do modo de produção capitalista no mundo e as perspectivas para o movimento revolucionário: o livro "2015 - Situação & Perspectivas" (aqui) e uma atualização de sua avaliação no texto "Situação em 2015: Atualização e Confirmação" (aqui).
Com o objetivo de aprofundar a análise da crise hoje reproduzimos abaixo o texto de François Chesnais intitulado "O capitalismo encontrou limites intransponíveis?". Esse artigo foi publicado em português na edição nº 24 da revista eletrônica O Comuneiro (link para o original aqui).
Na apresentação do artigo o editor da revista, Ângelo Novo, que fez a tradução para o português, apresenta o texto que versa "sobre um tema que tem estado na mente de muitos nós desde, pelo menos, a crise de 2007-8: terá o capital encontrado limites absolutos ao seu típico movimento de expansão? É uma interrogação que coloca certamente algumas questões a quem procura desenhar linhas estratégicas para o derrube deste sistema iníquo e ruinoso, mas nunca nos poderá afastar da única certeza que temos, a da luta."
Mesmo discordando de várias posições defendidas por François Chesnais (em particular sua tese sobre a financeirização, que se afasta do marxismo) consideramos importante a leitura do texto publicado em O Comuneiro pelo apurado estudo que faz da crise hoje. Trata-se de uma importante contribuição para a análise da situação atual da conjuntura no mundo e recomendamos seu estudo.
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O capitalismo encontrou limites intransponíveis?
François Chesnais (*)

Em seu número 631/632, de novembro de 2016, a revista Inprecor publicou um texto traduzido da versão castelhana que saiu na revista Herramienta, ela própria traduzida do original em inglês. Este ensaio original vem na conclusão de um livro saído na coleção «Historical Materialism» sobre o capital financeiro e as finanças que eu escrevi à luz da crise de 2007-2008 e das transformações nas formas globalizadas de exploração dos proletários (1). Tanto a conclusão do livro como o texto publicado em Inprecor têm como horizonte as perspectivas da sociedade humana. As observações de amigos que o leram me convenceram da necessidade de clarificar alguns argumentos.

domingo, 23 de julho de 2017

25 de Julho - Dia da Pátria na Galiza

No dia 25 de julho comemora-se o Dia da Pátria na Galiza. Em comemoração à essa data damos destaque ao ato político internacionalista, convocado pela Organização Socialista e Feminista Galega de Libertação Nacional - AGORA GALIZACem Flores se solidariza integralmente à luta do povo galego por sua independência e pela revolução. Reproduzimos abaixo o manifesto à essa data que divulga AGORA GALIZA.
Para conhecer melhor a posição dessa organização recomendamos também a leitura da entrevista com Carlos Morais, membro da Direção Nacional da AGORA GALIZA, que pode ser acessada aqui.
Reproduzimos ainda, após o manifesto, a saudação ao Dia da Pátria na Galiza que Cem Flores enviou aos camaradas galegos.
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AGORA GALIZA
MANIFESTO 25 DE JULHO 2017
REBELIÃO POPULAR

Independência e Pátria Socialista.

Espanha é um Estado autoritário em deriva fascistizante. O capitalismo um sistema socioeconómico injusto que gera exploração, desigualdade e miséria. O patriarcado um sistema que perpetua a discriminação, dominação e opressão da maioria social, as mulheres.

Este quadro tão adverso só pode ser transformado mediante um processo revolucionário de orientação socialista dirigido pela classe trabalhadora. Sem a auto-organização e a mobilização permanente do povo trabalhador não será viável a necessária ruptura.

Nem Espanha, nem o capitalismo, nem o patriarcado som reformáveis. Estes são os inimigos reais da nossa classe, da nossa nação e das mulheres. 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

2015 - Situação & Perspectivas - Tom Thomas

Reproduzimos abaixo o livro 2015 - Situação & Perspectivas, de Tom Thomas. Esse trabalho foi recentemente publicado em português no site Bandeira Vermelha (consulte aqui), a partir de uma versão inicial intitulada Para um novo projecto comunista, apresentado com uma instigante crítica do camarada Antonio Barata.
O blog Cem Flores publicou recentemente um outro texto de Tom Thomas que atualizou a análise de algumas questões apresentadas no livro de 2015. Essa postagem pode ser acessada aqui.
Consideramos que a análise de Tom Thomas é importante contribuição para entender a crise geral do imperialismo hoje e seus efeitos políticos e ideológicos. Contribui principalmente na análise do reformismo atual, trecho em destaque na crítica de Antonio Barata, que publicaremos posteriormente.
O artigo apresenta também uma importante proposta de construção de "um novo movimento comunista", último capítulo do livro.
A reconstrução do instrumento de luta da classe operária passará, necessariamente, pela compreensão dos problemas da crise que se abateu sobre o movimento comunista no mundo e é essa a intenção do Cem Flores com a presente publicação.
Boa leitura!
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Para um novo projeto comunista
(2015 Situação & Perspectivas)
Tom Thomas
Breve olhar sobre o passado
Segundo Marx e Engels, as burguesias de outrora temiam muito “um espectro que assola a Europa: o espectro do comunismo”. Hoje ainda, elas têm e dão do comunismo uma imagem tanto mais diabólica e espectral quanto é certo que elas acreditaram que o comunismo as aniquilaria, e que a crise bem poderia fazê-lo sair da letargia.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O MOVIMENTO SINDICAL NA CRISE DO CAPITALISMO BRASILEIRO

Em diversas intervenções recentes o Blog Cem Flores tem mostrado a grande ofensiva burguesa sobre as condições de trabalho, de luta e de vida das classes dominadas no Brasil[1]. A crise do capitalismo brasileiro abriu um novo e duro período no qual a exploração e a opressão da classe operária e demais setores do povo estão se aprofundando rapidamente. Várias dessas derrotas e retrocessos estão sendo sacramentados pelo Estado burguês em novas legislações, fazendo que “direitos” e conquistas de décadas de luta sejam evaporados (oficial e legalmente...) em questão de meses. O objetivo final do capital com tudo isso é a retomada das condições de sua acumulação e lucratividade.

No entanto, na análise desse momento da luta de classes no Brasil, temos conseguido apenas esboçar, de forma bem geral, as condições nas quais as classes dominadas têm tentado resistir a tal ataque. Vejamos uma tese recentemente defendida por nós[2]:

O proletariado enfrenta essa ofensiva burguesa em condições muito desfavoráveis, fortemente atingido pelo desemprego, pela redução de salários e pela deterioração de suas condições de vida; com baixo nível de organização para a luta sindical; e sem sua organização política, isto é, sem posição própria na luta de classes. A esmagadora maioria das centrais sindicais, dos sindicatos e dos chamados “movimentos populares” assume posições reformistas/revisionistas, de conciliação de classes e de união nacional, quando não posições abertamente burguesas na luta de classes. Decorrente dessas posições, sua atuação concreta vai da defesa do governo Dilma (MTST: embora criticando sua política de conciliação de classes e/ou seus “erros”!?), dos elogios aos militares (MST), dos acordos com empresas para efetivar demissão de trabalhadores, até todos os tipos de negociatas e conchavos institucionais

Para buscar desenvolver e aprofundar tais teses, este texto tenta lançar luz sobre o movimento sindical brasileiro, sua estrutura, principais correntes e limitações para enfrentar a mais nova ofensiva capitalista. No entanto, antes de entrar na conjuntura, avaliamos que é preciso compreender como a teoria marxista vê o sindicalismo na luta contra o capital.

Luta Econômica e Sindicalismo

terça-feira, 30 de maio de 2017

A Crise do Governo Temer, ou Governando com o Esgoto a Céu Aberto III


Cem Flores

Alguns leitores deste blog Cem Flores poderão se perguntar o porquê do “III” no título deste artigo. É que a imundície da corrupção, inerente ao capitalismo e aos seus governos burgueses, já nos levou a escrever duas outras vezes com esse mesmo título, tratando dos governos Lula (“I”) e Dilma (“II”). Vejam nos links abaixo:


- Agora... A Crise do Governo Dilma, ou Governando com o Esgoto a Céu Aberto II (de 20.11.2014): http://cemflores.blogspot.com.br/2014/11/agora-crise-do-governo-dilma-ou.html.

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A pergunta, então, passaria a ser outra: por que este seria apenas o artigo “III”? A rigor, esta é ou poderia ser a enésima matéria criticando, de um ponto de vista comunista, a corrupção desenfreada dos governos Temer, Dilma, Lula, FHC, Itamar, Collor, Sarney, dos ditadores militares, Jango, JK, Getúlio etc. Isso apenas para ficarmos nos governos federais a partir da segunda metade do século XX e para tratarmos somente dos casos brasileiros. No mundo, e só como um breve exemplo de casos recentes, temos o impeachment por corrupção da presidente Park Geun-hye na Coréia do Sul; a denúncia de nepotismo que eliminou as chances de François Fillon na corrida presidencial francesa; o processo contra o ex-primeiro ministro português José Sócrates (corrupção, fraude fiscal qualificada e lavagem de dinheiro), a renúncia do ministro da economia japonês Akira Amari após denúncias de corrupção e suborno, entre infinitos outros etc.

O ponto que devemos destacar é que quem diz capitalismo – além de dizer exploração das classes dominadas – está, necessariamente, dizendo também corrupção das classes dominantes. Esta é uma regra de ouro, inescapável, deste modo de produção.

sábado, 29 de abril de 2017

A Greve Geral Contra as “Reformas” do Capital: os trabalhadores se levantam!


Largo da Batata/São Paulo-SP
Blog Cem Flores


Ônibus parados nas garagens. Trens e metrôs funcionando precariamente. Manifestações em aeroportos. Bloqueios em rodovias. Escolas sem aulas. Trabalhadores fora dos seus locais de trabalho, se manifestando nas ruas e nas praças país afora. Repressão das forças policiais do aparelho repressivo do estado burguês. 

Isso foi o que aconteceu nessa sexta, dia 28 de abril, quando os trabalhadores praticamente pararam o Brasil, de norte a sul, por um dia. 

Pararam para resistir contra a ofensiva do capital que se traduz no desemprego, na retirada de conquistas e na piora de suas condições de vida. Mais concretamente, greve geral contra as “reformas” da previdência e trabalhista. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

James Petras e a capitulação recente das guerrilhas - António Barata




Publicamos em 29/03 o artigo Colômbia, Oriente Médio e Ucrânia. Acordos de Paz ou Rendição Política?, de James Petras, que pode ser acessado aqui
Reproduzimos agora o artigo de António Barata James Petras e a capitulação recente das guerrilhas, com uma pertinente crítica ao texto de Petras, em nossa opinião. Consideramos o artigo de António Barata uma importante contribuição ao tema e recomendamos a leitura aos camaradas e leitores do blog. O original está publicado no blog Bandeira Vermelha e pode ser acessado aqui.

James Petras e a capitulação recente das guerrilhas

António Barata

Em texto recente James Petras faz uma análise contundente aos resultados dos acordos de paz estabelecidos entre as diversas formações de esquerda que resistiram à vaga de abandono da luta armada que se sucedeu ao derrube do regime sandinista, à derrota das guerrilhas salvadorenha e guatemalteca, que varreu as décadas de 80 e 90, não se deixando na altura iludir com a democratização das “ditaduras” nem abater pela implosão do bloco soviético.

domingo, 16 de abril de 2017

Teses Sobre a Crise do Capital e a Luta de Classes no Brasil

Cem Flores

Neste texto queremos apresentar para o debate entre os camaradas do Cem Flores e nossos companheiros leitores a primeira parte de uma análise da conjuntura brasileira atual que busque se realizar de forma científica – utilizando, portanto, a teoria marxista – e a partir do ponto de vista da classe operária em sua luta por libertar-se da opressão capitalista.

Achamos que para sermos bem sucedidos nessa empreitada, devemos buscar unir as cinco características fundamentais abaixo enunciadas:

1) sempre buscar um maior domínio da teoria marxista, almejando conseguir contribuir para o seu desenvolvimento. Ou seja, tornar o estudo do marxismo um elemento indissociável da atividade militante, comunista e revolucionária;

2) participar das lutas e da vida cotidiana da classe operária, para compreender melhor a realidade da luta de classes do ponto de vista dos dominados e oprimidos pelo capital;

3) buscar um amplo e detalhado conhecimento da realidade a ser analisada, em suas várias dimensões, abrangendo o cipoal de fatos díspares e por vezes contraditórios que preenchem o seu dia-a-dia;

4) criticar sem tréguas as teorias e análises burguesas/revisionistas/reformistas que predominam na sociedade atual, que constituem sua ideologia dominante e seu “senso comum”, que servem à manutenção da ordem burguesa, “justificando” a exploração das classes dominadas;

5) a partir dos itens acima, elaborar uma análise geral da conjuntura, marxista e proletária, que permita explicar seus determinantes mais profundos, expor suas contradições e analisar suas tendências principais. A partir dessa explicação mais geral, analisar os fatos cotidianos e definir a correta linha de atuação da organização e dos seus militantes nas frentes concretas.

Nos é claro que ainda não somos capazes de cumprir plenamente, todos os requisitos acima para a realização da necessária análise comunista da conjuntura econômica, social e política do Brasil. Mas eles servem de guia para nossa atuação, autocrítica e aprofundamento da análise. Quão distante ainda estamos desses objetivos, e quão retificadas portanto devem ser as teses abaixo, são temas aos quais conclamamos os camaradas e leitores a avaliar e debater conosco.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Uma Intervenção Sobre a Conjuntura Mundial da Crise do Imperialismo

http://www.demystification.fr
O Blog Cem Flores divulga importante intervenção sobre a conjuntura mundial da crise do imperialismo, publicada por Tom Thomas em dezembro de 2015. A tradução do original em francês é da camarada Ana Barradas. Estamos convictos que, passado um ano e meio da redação desse documento, sua atualidade permanece intacta. Daí a importância da leitura e do debate comunista entre camaradas e leitores deste Blog.

A crise do imperialismo, aberta em 2007/08, traz uma novidade histórica de acordo com Tom Thomas: o «esgotamento da quantidade de trabalho social empregue na produção de mais-valia», devido ao elevadíssimo nível de acumulação de capital fixo, de composição orgânica do capital, alcançado pelo capitalismo. Por essa razão, o processo de acumulação de capital não consegue mais gerar ganhos de produtividade, mais-valia relativa, estagnando e/ou fazendo declinar a taxa de lucro. A acumulação produtiva, portanto, se interrompe e, com ela, os investimentos e o crescimento econômico. Daí a crise e a estagnação que vivemos já faz uma década.

Tom Thomas mostra que, apesar disso, o capital permanece com sua necessidade imperiosa, intrínseca, de valorizar-se. Aponta, então, duas tentativas de saída. Uma, a geração desenfreada de capital fictício – desde emissões monetárias de trilhões de dólares dos bancos centrais até recordes alcançados pelas bolsas de valores. Essa «bolha», que se revela ainda maior que a anterior, gera lucros (igualmente fictícios) sem passar pelo processo produtivo, geração de mais-valia («D–D’»). Parte desses lucros financiam sucessivas rodadas de centralização de capitais, aumentando ainda mais o poder dos monopólios.

A outra saída do capital é voltar-se contra as classes produtoras, buscando aumentar de todas as formas a mais-valia absoluta. Nas palavras do autor, «degradação sistemática da condição proletária». Em trechos que têm fundamental relevância para a luta de classes no Brasil atual, Tom Thomas detalha esse caráter essencial, constitutivo, das mal-chamadas «políticas de austeridade» e «reformas estruturais».

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A Crise Atual Representa a Ofensiva do Capital Contra o Proletariado em Todas as Frentes. É Preciso Resistir!

Cem Flores

Na semana passada, a classe operária e as demais classes dominadas foram novamente golpeadas com duas notícias sobre a continuidade da crise no Brasil.

Na quinta, 30 de março, Temer sancionou o projeto aprovado na Câmara dos Deputados tornando lei a terceirização irrestrita. Até a própria imprensa burguesa teve que reconhecer que a nova lei não tem “salvaguarda para o trabalhador[1].

Na sexta, dia 31, o IBGE divulgou que a taxa de desemprego até fevereiro bateu novo recorde, chegando a 13,2%. Isso significa 13,5 milhões de trabalhadores desempregados, sendo que 3,2 milhões perderam seus empregos apenas nos últimos 12 meses. A única coisa que aumentou para mais de meio milhão de trabalhadores foi a informalidade, os bicos, ou o número de “empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada”, na “elegante” (sic!) definição do IBGE[2].

Esses fatos da semana passada confirmam que a conjuntura na qual o proletariado luta e resiste continua sendo a conjuntura de crise do capital, que está provocando a maior recessão no país em mais de um século, ainda longe de terminar, ao contrário do que diz a propaganda do governo.

A crise do capital no país integra a (é parte da) crise do imperialismo que se agravou em 2007/2008 e tem se expandido desde seu foco inicial nos Estados Unidos, passando para a Europa (que afundou numa segunda rodada de crise a partir de 2011) e atinge mais recentemente a China, provocando desaceleração em suas taxas de crescimento (acumulação de capital) e agravamento de suas contradições. A crise reduziu o dinamismo da acumulação de capital no mundo e acirrou a concorrência entre os capitais. Assim, tem provocado redefinições na divisão internacional do trabalho. Um impacto direto dessa redefinição em curso foi o estouro da “bolha” de commodities, que impacta diretamente a acumulação e lucratividade dos setores capitalistas mais dinâmicos do país, como o agronegócio e a indústria extrativa mineral, ambas para exportação.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Colômbia, Oriente Médio e Ucrânia. Acordos de Paz ou Rendição Política?

James Petras
18/03/2017
Há uns trinta anos atrás, um sagaz camponês colombiano me disse: “Quando ouço falar de acordos de paz, escuto o governo a amolar suas facas”.

Introdução
Ultimamente tem-se falado muito dos acordos de paz em todo o mundo. Em quase todas as regiões ou países que sofrem de guerra ou invasão se menciona a possibilidade de negociar "acordos de paz". Em muitos casos, estes vieram a ser assinados e, todavia, não conseguiram acabar com os assassinatos e o caos provocados pela parte beligerante apoiada pelos Estados Unidos.
Vamos brevemente rever algumas dessas negociações do passado e do presente para compreender a dinâmica dos "processos de paz" e os resultados posteriores.

terça-feira, 21 de março de 2017

Contra o muro, contra o imperialismo… Para confrontar a política imperialista de Trump: nem submissão, nem “unidade nacional”.

Reproduzimos abaixo, traduzido, artigo do Partido Comunista do México (PCM), que trata da iniciativa do presidente norte-americano Donald Trump de construir um muro entre o México e os EUA. Consideramos importante a leitura desse material pois, além da denúncia sobre as intenções capitalistas por trás dessa iniciativa, o artigo apresenta também uma crítica correta à tese da "unidade nacional" na oposição à iniciativa de Trump. O original pode ser acessado aqui.
Como está dito no texto do PCM "a história nos ensina como ao longo do século XX, nas ocasiões em que a classe operária adotou a 'unidade nacional', hipotecou a sua independência como classe subordinando-se aos interesses da burguesia, a qual aproveitou para maximizar os seus lucros e afirmar a sua dominação."
No Brasil sabemos bem os males que as teses de "unidade nacional" causaram à luta da classe operária e dos trabalhadores, nos colocando a reboque de uma pretensa burguesia "nacional" na luta contra o capital estrangeiro, o imperialismo etc. Hoje, essas teses, requentadas, são apresentadas novamente a partir da indicação aos trabalhadores brasileiros a apoiarem uma aliança com um pretenso setor "desenvolvimentista" do capital em contradição contra um suposto setor puramente "especulativo". Lenin já mostrava há mais de 100 anos que o capital financeiro é a fusão do capital bancário com o capital produtivo...
Já publicamos também em nosso blog uma aprofundada crítica a essa tese, exposta no livro O Anti-Dimitrov, do dirigente comunista português Francisco Martins Rodrigues, que pode ser acessada aqui.
Essa posição burguesa no seio da classe operária e dos trabalhadores enfraquece nossa capacidade e necessidade de organizar a resistência contra a ofensiva do capital monopolista (especulativo e produtivo), principalmente com o aprofundamento da crise do imperialismo. Lutar contra a ilusão burguesa da "unidade nacional", denunciando-a e expondo sua real intenção é parte do caminho necessário à luta e organização de nossa classe.
Cem Flores.
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Contra o muro, contra o imperialismo… 
Para confrontar a política imperialista de Trump: nem submissão, nem “unidade nacional”.
01/02/2017


Tal como anunciou na sua campanha, o Presidente dos EEUU, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para a construção do muro na fronteira entre o seu país e o nosso, com o propósito expresso de conter a migração de trabalhadores mexicanos e de outras nacionalidades que nutrem a força de trabalho nos distintos ramos da produção e os serviços nessa nação norte-americana.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Francisco Martins Rodrigues: sobre a atualidade do conceito de Imperialismo.


Essa postagem continua as publicações que o Blog Cem Flores vem fazendo para celebrar o primeiro século do livro de Lênin, “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”. Já publicamos trechos do livro de Lênin (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/10/nos-100-anos-de-imperialismo-fase.html) e também o discurso de um dirigente do Partido Comunista da Grécia, KKE (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/11/100-anos-de-imperialismo-fase-superior.html) sobre o imperialismo. Para cada uma dessas postagens, preparamos apresentações dos textos, buscando ressaltar seus aspectos mais importantes e debater suas formulações, sempre visando discutir a atualidade do conceito leninista de Imperialismo.

O blog Escritos de uma Vida (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/) tem publicado uma grande quantidade de escritos do dirigente comunista Francisco Martins Rodrigues[1]. Em 1º de agosto desse ano, publicou o artigo “Os Clássicos e o Imperialismo: que atualidade?” (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2016/08/01/os-classicos-e-o-imperialismo-que-actualidade/), de 2003, cujo objetivo também era o de “continuar o debate sobre estas novas questões e procurar indicar alguns traços fundamentais da nossa época” a partir da obra de Lênin, “síntese paradigmática da interpretação do imperialismo”. Ou seja, a mesma discussão que estamos travando entre os nossos camaradas e que queremos estimular entre os leitores: discutir a atualidade e a necessária atualização da análise leninista do Imperialismo e seu caráter imprescindível para o debate comunista sobre a crise e o movimento operário atuais.

Os Cinco Traços Fundamentais do Imperialismo e sua Atualidade

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”

Um Discurso do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre O Imperialismo

02.11.2016

Acesse aqui em pdf

No final do mês de outubro passado, o Blog Cem Flores publicou trechos do livro de Lênin, “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, precedido de uma pequena apresentação (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/10/nos-100-anos-de-imperialismo-fase.html). Nela, destacamos a atualidade da análise leninista do imperialismo, bem como seu caráter necessário para o debate comunista sobre a crise e o movimento operário atuais, e sugerimos alguns pontos para o aprofundamento do estudo do tema e para a discussão entre camaradas e leitores.

Achamos que é preciso continuar essa discussão. Trazemos agora para o debate um recente discurso de um dirigente do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre o tema do Imperialismo, também por ocasião do centenário de publicação do livro de Lênin. Da mesma maneira que no post anterior, também preparamos uma pequena introdução na qual buscamos levantar alguns pontos do texto que achamos principais para o nosso debate comunista.

Para apresentar esses temas de uma forma mais organizada, buscamos agregá-los em três tópicos principais: o resgate de princípios comunistas, as formulações próprias do KKE e os pontos atuais que é preciso desenvolver.

Resgate de Princípios Comunistas

A classe operária e os comunistas vivem, faz várias décadas, “em tempos de maré baixa” – para emprestarmos uma expressão do dirigente comunista Francisco Martins Rodrigues (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2016/02/27/accao-comunista-em-tempos-de-mare-baixa/). Nesse período vimos o reformismo e o oportunismo sobrepujarem a linha revolucionária nos partidos comunistas; a ação revolucionária das massas proletárias praticamente desaparecer; a luta sindical converter-se, em sua absoluta maioria, em um jogo de cena entre pelegos e patrões; e o horizonte da ação política da classe operária se reduzir aos seus limites mais miseráveis, meras mobilizações institucionais ou campanhas eleitorais.

Nessa conjuntura, os princípios comunistas estão praticamente esquecidos pela quase totalidade da classe operária e mesmo pela maioria absoluta dos operários de vanguarda e militantes honestos e sinceros. O resgate e a afirmação desses princípios comunistas, portanto, não só é necessário como nos parece indispensável.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Nos 100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, Discutir o Imperialismo e Sua Crise Continuam Tarefas Fundamentais dos Comunistas

Capa original do livro Imperialismo.

No centenário da publicação de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, o blog Cem Flores reproduz, a seguir, os prefácios e dois capítulos do livro como nossa forma de homenagear Lênin: discutindo a atualidade de seu pensamento e ação militante e sua importância para a luta comunista neste início de século XXI.

Muito embora Lênin tenha chamado seu livro de um “esboço popular”, e não obstante os mares de tinta que se escreveram a respeito do imperialismo nesse século, avaliamos que a análise de Lênin permanece insuperável. Temos plena consciência do que essa avaliação implica em termos da fragilidade teórica dos comunistas de avançarem e desenvolverem o legado de Marx, Engels e Lênin.

Nos prefácios que reproduzimos abaixo, Lenin afirmava que acalentava a esperança de que a publicação d`O Imperialismo ajudaria na “compreensão de um problema econômico fundamental, sem cujo estudo é impossível compreender seja o que for e formar um juízo sobre a guerra e a política atuais: refiro-me ao problema da essência econômica do imperialismo”.

Já os dois capítulos que transcrevemos abaixo buscam resumir a definição leninista de imperialismo (capítulo 7) e abordam as tendências ao parasitismo e à decomposição do imperialismo, assim como do seu papel para o fortalecimento de tendências oportunistas no movimento operário e comunista (capítulo 8).

Quanto à formulação econômica do conceito de imperialismo, a conjuntura atual parece reforçar as principais tendências apontadas por Lênin em 1916. O nível de centralização do capital nos grandes monopólios, o fortalecimento do capital financeiro e o montante das exportações de capital atingem patamares inéditos. A crise do imperialismo, agravada em 2007/2008 e sem qualquer sinal de saída à vista, tem acentuado ainda mais todas essas tendências.

Ao mesmo tempo, a atuação desses monopólios nas últimas décadas efetivamente criou espaços transnacionais de montagem e produção de mercadorias, com as diversas etapas de seu beneficiamento podendo ocorrer em diversos países e continentes. O resultado óbvio desse processo é uma forte tendência à equalização e ao rebaixamento das condições de produção, do ponto de vista do proletariado e das demais classes dominadas, ao redor do mundo.

Com base na atuação dos capitais monopolistas, os Estados imperialistas buscam manter e expandir suas áreas de influência, garantir o pleno funcionamento dessas cadeias produtivas e o fornecimento ininterrupto e a preços baixos de matérias-primas. Razões de segurança dos Estados imperialistas se imbricam com a rentabilidade do capital e ambas se reforçam. A tendência à guerra sempre que se coloca em causa a repartição existente do mundo é o que mais se tem visto nesse século transcorrido desde a publicação do Imperialismo.

Em suma, o sistema imperialista domina integralmente o mundo atual, cria uma economia mundial englobando todos os países. Sem exceções. Em sua configuração, o sistema parqueia cada país e seus capitais em posições distintas, que tentamos resumir na dualidade dominante/dominado, a partir de uma divisão internacional do trabalho em constante definição e repactuação.

domingo, 16 de outubro de 2016

Correspondências

Cem Flores recebeu da camarada Ana Barradas, em setembro passado, a carta intitulada Aprender a Sobreviver no Deserto. Nessa carta a camarada relata a crise que vive o marxismo no mundo, o deserto a atravessar, e afirma: "Há que fazer a travessia do deserto, mas é o único caminho, não há outro". O objetivo "dos proletários de todo o mundo unidos para instaurar a sua ordem contra quem os oprime é a meta a alcançar".
Após um diálogo travado com um camarada do Cem Flores, Ana desenvolve sua análise em uma segunda carta enviada a esse companheiro.
Reproduzimos abaixo as duas cartas por considerarmos que contribuem para entender a crise que atravessa o marxismo, auxiliando na tarefa imprescindível de retomá-lo, teoricamente e na prática, para reconstruir o partido comunista e impulsionar a revolução proletária.
Acesse aqui em pdf.


APRENDER A SOBREVIVER NO DESERTO

Nos nossos dias, muitos aqueles que se designam a si próprios como marxistas-leninistas ou comunistas alinham com forças reformistas sem se porem questões sobre os resultados e estratégicos dessas alianças.

Acham graça a todas as inovações pseudomarxistas que puxam a classe operária mais para baixo e a pequena burguesia mais para cima. Alinham com a domesticação e institucionalização das organizações operárias, sem se indignaram com a sua criminalização e submissão à legislação capitalista que os sindicatos reformistas procuram dirimir, em vão. As “luminárias” marxistas dos dias de hoje desconhecem ou não se interessam pelas lutas nas fábricas, reduzidas à sua ínfima expressão pelo isolamento em que foram deixadas cair.