Há algum tempo atrás conclamamos àqueles que queriam pensar
com suas próprias cabeças, que não tinham abandonado a luta sob a perspectiva
da classe operária, a retomar o marxismo e esgrimirem suas ideias sobre os
rumos do socialismo e a teoria que o ilumina. No texto de lançamento do blog
Cem Flores
(http://cemflores.blogspot.com.br/p/por-que-razao-discutir-crise-do.html)
afirmamos:
"Percebemos que muito mais do que uma discussão sobre
organização, tática ou estratégia, o que necessitamos é discutir a situação, o
estado da teoria marxista, sua crise escancarada após o XX Congresso do PCUS e
a cisão do movimento comunista em 1963, a necessidade urgente e incontornável
de tomá-la a sério e perguntarmos por suas causas. Perguntar as causas da crise
que desembocou em Kruschev, no rompimento da URSS com a China, cisão na teoria
e na prática, e no desmanche das experiências de construção do socialismo,
principalmente na URSS e na China por seu papel de exemplo.
A crise do movimento comunista não pode ser somente o
resultado dos erros cometidos pelos partidos comunistas em sua prática na luta
de classes, resultado de uma conjuntura, nem da ação dos inimigos de sempre e,
que desde sempre, se uniram contra ele na luta de classes, se fossem esses os
motivos da crise do movimento comunista teríamos de perguntar por que razão
tornou-se possível o triunfo da conjuntura, dos acontecimentos sobre uma teoria
cuja “ onipotência” (numa expressão que se tornou clássica por Mao) deriva da
verdade inquestionável dos conceitos que a articulam."
Como contribuição ao estudo dessa questão, queremos
apresentar abaixo o texto de Francisco Martins Rodrigues, Resposta aos
Comunistas Americanos
(https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2017/01/16/resposta-aos-comunistas-americanos-2/).
Esse brilhante dirigente comunista português pergunta, nesse texto:
“Quando aos trabalhadores de todo o mundo o fim do comunismo
aparece como um facto consumado, a nova corrente comunista tem que começar por
responder à questão: como pôde afundar-se nesta miserável perestroika um
movimento que inscreveu na história da humanidade feitos tão brilhantes como a
revolução de Outubro ou a guerra revolucionária na China? Porque foi a
revolução proletária do século XX engolida pelo capitalismo? Esse deveria ser,
quanto a nós, o eixo dum documento que pretende, como dizeis, “contribuir para
a discussão entre os comunistas de todo o mundo sobre o que fazer”, porque só
da resposta a essa questão viva sairão conceitos marxistas vivos e,
forçosamente, uma perspectiva nova sobre as questões do partido e da revolução,
da estratégia, da táctica e do estilo de trabalho. Se o marxismo nunca pode voltar
a ser o que era, muito menos o será depois de ter atravessado uma experiência
tão vasta.”
Convidamos a todos os leitores do blog Cem Flores a
estudarem o texto abaixo reproduzido,
importante contribuição à análise da crise do marxismo e da luta por sua
retomada.
RESPOSTA AOS COMUNISTAS AMERICANOS.
Francisco Martins Rodrigues
Correspondendo à vossa proposta de debate em torno da declaração “Tarefas do comunismo operário durante a derrocada do revisionismo”, publicada no Workers’ Advocate de Janeiro, fazemos em seguida algumas observações que a sua leitura nos sugeriu. Decidimos tornar pública esta carta porque, tal como vós, consideramos um debate alargado sobre a linha geral como a prioridade mais vital para os comunistas de todo o mundo.