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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Construir um novo movimento comunista

Temos claro que o principal problema do caminho revolucionário no Brasil passa pela reconstrução do Partido do Proletariado, o instrumento independente de luta da classe operária e do povo na  revolução.

A defensiva na luta da classe operária hoje é, em grande medida, resultado do fato de que há anos ela luta com a posição do inimigo no posto de comando, ela luta, em sua quase totalidade, sob a direção de organizações com posições burguesas (revisionistas, reformistas ou esquerdistas). Sua luta é sempre dirigida no sentido de tentar dar uma solução ao capitalismo putrefato em sua fase imperialista, e não em superá-lo revolucionariamente.

A crise que se abateu sobre o marxismo há vários anos, uma das razões que nos levaram a construir esse blog, só será superada pela retomada teórica e prática da posição proletária na luta de classes.

No documento de apresentação de nosso blog - Por que razão discutir a crise do Marxismo? (http://cemflores.blogspot.com.br/p/por-que-razao-discutir-crise-do.html) já apontávamos essa questão, conforme demonstram os trechos abaixo:

"A crise do movimento comunista não pode ser somente o resultado dos erros cometidos pelos partidos comunistas em sua prática na luta de classes, resultado de uma conjuntura, nem da ação dos inimigos de sempre e, que desde sempre, se uniram contra ele na luta de classes”

"O movimento comunista não foi derrotado por seus inimigos de sempre. Fomos derrotados ao não sermos capazes de desenvolver a teoria de forma a iluminar de maneira justa nossa prática revolucionária.”

"A crise do Marxismo é uma crise teórica e prática e a luta de classes nos coloca a urgência de superá-la.”

domingo, 1 de outubro de 2017

Vem aí o fascismo? por Francisco Martins Rodrigues

Manifestação Unite the Right em Charlottesville (EUA), agosto de 2017.
Os que assim pensam, entendem o fascismo como um novo movimento, uma terceira força justaposta ao capitalismo e ao socialismo (e que os domina). Para quem partilha esta opinião, não só o movimento socialista, mas também o capitalismo teriam podido, se não fosse o fascismo, continuar a existir, etc. Naturalmente que se trata de uma afirmação fascista, de uma capitulação perante o fascismo. O fascismo é uma fase histórica na qual o capitalismo entrou; por consequência, algo de novo e ao mesmo tempo de velho. Nos países fascistas, a existência do capitalismo assume a forma do fascismo, e não é possível combater o fascismo senão enquanto capitalismo, senão enquanto forma mais nua, mais cínica, mais opressora e mais mentirosa do capitalismo.
Brecht, Cinco dificuldades para escrever a verdade

Em longa intervenção no início de 2014, defendemos que a crise do imperialismo “globaliza” o acirramento da luta de classes. Após quase 4 anos, não temos condições de modificar tal posicionamento geral, tendo em vista as dificuldades estruturais do sistema imperialista retomar as taxas de lucro e acumulação, de um lado, e da classe operária e seus aliados em avançar na superação dessa fase superior do capitalismo, de outro.

Gostaríamos, sim, de trazer à debate um aspecto da conjuntura de crise que pouco desenvolvemos na ocasião, mas que tem sido importante objeto de reflexão dos comunistas e militantes, quer seja o processo de “fascistização” do capitalismo atual. Na ocasião, dissemos:

Do ponto de vista do proletariado e das demais classes dominadas, a análise concreta dos fatos da presente conjuntura aponta para tendência de agravamento da crise geral (econômica, social, política, ideológica, etc.) do imperialismo. Nesse cenário, a burguesia, seus governos e aparelhos internacionais manterão a ofensiva em todas as frentes (econômica, ideológica, repressiva) para aumentar a exploração e piorar as condições de vida do proletariado e das demais classes dominadas. Para isso, as classes dominantes recorrerão, como já estão recorrendo, à repressão crescente. Repressão às lutas e às formas de organização do proletariado e das massas, mediante reforço do seu aparelho repressivo e tendência à fascistização.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O referendo na Catalunha e a autodeterminação dos povos.

Com a aproximação do referendo sobre a independência da Catalunha, marcado para 1° de outubro pelo governo local (“Generialitat”), assiste-se a uma escalada repressiva coordenada pela Espanha contra a luta do povo catalão.

Considerando o referendo “ilegal”, as autoridades espanholas e seus “aliados”, inclusive de “esquerda”, agindo como verdadeiros representantes dos capitais espanhóis que são, têm utilizado de seu gigantesco aparato midiático e repressivo para sufocar a vontade da maioria popular e sua massiva mobilização. Diariamente, “comentaristas” falam da ilegalidade, da intransigência e da irracionalidade da luta pela independência; autoridades espanholas ampliam o tom das ameaças que, de fato, tem se concretizado. O Tribunal Constitucional espanhol tem acatado os pedidos do governo de Mariano Rajoy para tentar impedir o avanço do processo de independência. Na manhã de 20 de setembro de 2017, vários membros do governo catalão foram presos pela polícia espanhola, que também ocupou vários órgãos da Generialitat e locais pró-independência, atropelando a limitada autonomia política da região. Segundo o site Público, de Portugal, a polícia espanhola também apreendeu quase dez milhões de boletins de voto para o referendo, além de estar censurando ostensivamente a propagando do evento. E são esses senhores que pedem cinicamente por “diálogo”!

O aumento da repressão tem sido respondido com manifestações na região e demonstrações de solidariedade à luta por autodeterminação dos catalães ao redor do mundo. Se impedem as urnas, o povo irá às ruas! Dezenas de milhares tomaram as ruas de Barcelona e de várias outras cidades da Catalunha essa semana e prometem não sair delas. Uma greve geral já está convocada para o dia 03 de outubro. Essa mobilização contagia e amplifica a luta dos outros povos dominados pela Espanha, como demonstram as recentes manifestações na Galiza, no País Basco etc.

O risco dessa mobilização popular confrontar-se mais forte e diretamente com os desígnios do imperialismo já é objeto de temor das burguesias da região europeia. As lutas de libertação nacional nos países dominados pelo imperialismo pode, em determinadas situações concretas, impulsionar fortemente a luta pelo socialismo nesses países e em outros. Só é possível libertar-se do verdadeiramente da dominação imperialista sabendo unir a luta pela libertação nacional com a luta pelo revolução proletária.

Buscando contribuir com a disputa política e ideológica no movimento e se solidarizar com o mesmo, divulgamos a Carta aos comunistas espanhóis e do mundo respeito aos acontecimentos na Catalunha, do Primeira Linha (Galiza), logo abaixo, e a tradução para o português do texto de Lenin A revolução socialista e o direito das nações à autodeterminação, também divulgado no sítio dos camaradas galegos, que pode ser acessado em pdf aqui.

É dever dos comunistas apoiar a luta ao povo catalão, galego, basco e de outros povos dominados contra a opressão espanhola!

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Carta aos comunistas espanhóis e do mundo respeito aos acontecimentos na Catalunha

Primeira Linha

“O proletariado das naçons opressoras nom pode limitar-se a pronunciar frases gerais, esterotipadas, contra as anexaçons e pola igualdade de direitos das naçons em geral, frases que qualquer burguês pacifista repete. O proletariado nom pode silenciar o problema, particularmente “desagradável” para a burguesia imperialista, relativo às fronteiras de um Estado baseado na opressom nacional. O proletariado nom pode deixar de luitar contra a manutençom pola força das naçons oprimidas dentro das fronteiras de um Estado determinado, e isso equivale justamente a luitar polo direito à autodeterminaçom.

Deve exigir a liberdade de separaçom política das colónias e naçons que a “sua” naçom oprime. Em caso contrário, o internacionalismo do proletariado será vazio e de palavra; nem a confiança, nem a solidariedade de classe entre os operários da naçom oprimida e opressora seriam possíveis; ficaria sem desmascarar a hipocrisia dos defensores reformistas e kauskianos da autodeterminaçom, quem nada dim das naçons que a “sua própria” naçom oprime e retém pola força no “seu próprio” Estado.”
(Lenine)

domingo, 3 de setembro de 2017

A Crise do Imperialismo nos Dez Anos do Crash de 2007.

Os Retirantes - Portinari.
Na Idade Média, a continuidade da monarquia – seja na França, na Inglaterra, ou qualquer outro reinado – era saudada com a paradoxal frase: “O rei está morto! Vida longa ao rei!”.

De uma certa forma, podemos nos arriscar a dizer que esse (pseudo-)paradoxo também vale para as crises do capitalismo.

De início não faltam áulicos do capital para negar a realidade da crise. Alguns mesmo chegam a praticamente negar a própria possibilidade das mesmas. A partir do momento no qual a violência da crise do capital a torna inegável, no entanto, os bem pagos espadachins mercenários passam a, imediatamente, buscar qualquer pequeno sinal para dizer que a mesma já acabou. O capital parece estar sempre a dizer: “A crise morreu! Vida longa ao capitalismo!”.

Analisar as contradições do capitalismo do ponto de vista científico, utilizando-se do marxismo-leninismo, e – o que é seu necessário corolário – fazê-lo do ponto de vista do proletariado revolucionário, resulta, no entanto, em conclusões absolutamente distintas, diametralmente opostas.

As contradições do capitalismo levam inexoravelmente a crises. Toda a história do capitalismo, do seu surgimento à atual fase imperialista, comprova repetidamente essa verdade teórica e empírica. O “desenvolvimento” capitalista – a concorrência entre os capitais pela sua acumulação em escala crescente visando o lucro máximo – mina a própria base sobre a qual este se ergue, a exploração do trabalho assalariado.

Essas contradições, nos ensinaram Marx e Engles, levavam a recorrentes crises do capitalismo, cuja regularidade os faziam esperar por crises praticamente decenais. A virada para a etapa monopolista do capitalismo se inicia com a primeira Grande Depressão, no último quartel do século XIX. O novo século é inaugurado com a Primeira Guerra Imperialista, à qual se segue uma nova Grande Depressão, nos anos 1930. Sua saída só ocorre com a inimaginável queima de capitais causada pela Segunda Grande Guerra Imperialista (1939-1945). Após o período de reconstrução dos países destruídos pela guerra e de consolidação dos novos capitais, o imperialismo passou a sofrer, a partir de meados dos anos 1970, crises sequenciais que, de tão recorrentes e seguidas, são “praticamente uma crise sem fim” (Engels, ver aqui e aqui). Em 2007, inaugurou-se uma nova Depressão capitalista, a terceira de sua fase imperialista.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O Fim da Obediência - Ana Barradas

Reproduzimos abaixo o artigo O Fim da Obediência, da camarada Ana Barradas, recém publicado no site Bandeira Vermelha (acesse aqui). Trata-se de artigo que, como introduz a autora, expõe os "acontecimentos que na China marcaram o espantoso progresso das mulheres promovido pela revolução, que as fez transpor em poucos anos um atraso de séculos." Esse artigo foi publicado originalmente no jornal comunista português Política Operária, no início de 1994.
Essa publicação se soma a outras que já postamos e que também tratam da luta da mulher e da revolução. Em março de 2014 publicamos o texto A Libertação da Mulher é uma Necessidade da Revolução, Garantia da sua Continuidade, Condição do seu Triunfo, do dirigente comunista moçambicano Samora Machel.
Em março de 2017 publicamos dois artigos relacionados ao tema: A Família na União Soviética. Crise e Reconstituição 1917/1944, também de Ana Barradas e o texto A Contribuição da Mulher na Construção do Socialismo, de Vladimir Ilich Lenin.
Publicamos também, em maio último, outro texto da camarada Ana BarradasFalta um Programa Para as Mulheres.
É tarefa imprescindível para a revolução no Brasil e no mundo a incorporação imediata das verdadeiras bandeiras de luta das mulheres. Sem isso o caminho teórico e prático para a retomada do nosso instrumento de combate e da Revolução estará travado. É essa nossa intenção com a apresentação desses materiais para estudo e debate entre os camaradas e leitores do blog Cem Flores.

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Ana Barradas
Vem a propósito de centenário de Mao Tsé-tung recordar os acontecimentos que na China marcaram o espantoso progresso das mulheres promovido pela revolução, que as fez transpor em poucos anos um atraso de séculos. Foi esse prodígio que se repercutiu ao longo de décadas no resto do mundo, rasgando novos horizontes ao movimento feminista e restituindo ao campo revolucionário uma causa que os revisionistas tinham condenado ao esquecimento.

domingo, 30 de julho de 2017

O capitalismo encontrou limites intransponíveis? François Chesnais.

Desde o ano passado o blog Cem Flores vem publicando uma série de artigos com o objetivo de aprofundar os estudos que já vimos fazendo, a partir do marxismo, sobre a crise geral do imperialismo, crise que atinge o conjunto da economia mundial, do sistema capitalista no mundo.
Postamos em outubro de 2016, com uma apresentação, o prefácio e dois capítulos do livro de Lenin “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo” (aqui), comemorando os 100 anos de publicação dessa obra magistral.
Um mês depois apresentamos uma análise crítica à posição do Partido Comunista da Grécia sobre o imperialismo (acesse aqui).
Aprofundamos a análise do tema em dezembro apresentando e debatendo o texto de Francisco Martins Rodrigues "Os clássicos e o imperialismo: que actualidade?" (aqui). 
Fizemos ainda uma resenha crítica ao texto de Dani Nabudere “A Economia Política do Imperialismo”, publicada em maio desse ano, que pode ser acessada aqui.
Além desses 04 artigos que debatem a atualidade do conceito e a situação do imperialismo hoje, apresentamos ainda ao leitores do blog a tradução de dois trabalhos de Tom Thomas, extremamente atuais, sobre a crise geral do modo de produção capitalista no mundo e as perspectivas para o movimento revolucionário: o livro "2015 - Situação & Perspectivas" (aqui) e uma atualização de sua avaliação no texto "Situação em 2015: Atualização e Confirmação" (aqui).
Com o objetivo de aprofundar a análise da crise hoje reproduzimos abaixo o texto de François Chesnais intitulado "O capitalismo encontrou limites intransponíveis?". Esse artigo foi publicado em português na edição nº 24 da revista eletrônica O Comuneiro (link para o original aqui).
Na apresentação do artigo o editor da revista, Ângelo Novo, que fez a tradução para o português, apresenta o texto que versa "sobre um tema que tem estado na mente de muitos nós desde, pelo menos, a crise de 2007-8: terá o capital encontrado limites absolutos ao seu típico movimento de expansão? É uma interrogação que coloca certamente algumas questões a quem procura desenhar linhas estratégicas para o derrube deste sistema iníquo e ruinoso, mas nunca nos poderá afastar da única certeza que temos, a da luta."
Mesmo discordando de várias posições defendidas por François Chesnais (em particular sua tese sobre a financeirização, que se afasta do marxismo) consideramos importante a leitura do texto publicado em O Comuneiro pelo apurado estudo que faz da crise hoje. Trata-se de uma importante contribuição para a análise da situação atual da conjuntura no mundo e recomendamos seu estudo.
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O capitalismo encontrou limites intransponíveis?
François Chesnais (*)

Em seu número 631/632, de novembro de 2016, a revista Inprecor publicou um texto traduzido da versão castelhana que saiu na revista Herramienta, ela própria traduzida do original em inglês. Este ensaio original vem na conclusão de um livro saído na coleção «Historical Materialism» sobre o capital financeiro e as finanças que eu escrevi à luz da crise de 2007-2008 e das transformações nas formas globalizadas de exploração dos proletários (1). Tanto a conclusão do livro como o texto publicado em Inprecor têm como horizonte as perspectivas da sociedade humana. As observações de amigos que o leram me convenceram da necessidade de clarificar alguns argumentos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Tom Thomas e a refundação do comunismo - António Barata

Conforme indicamos na última publicação reproduzimos agora a análise crítica ao texto de Tom Thomas 2015 - Situação & Perspectivas, de autoria do camarada António Barata, publicado originalmente no site Bandeira Vermelha. Há no texto, além da análise crítica, uma importante indicação teórica para a retomada de uma corrente comunista revolucionária.


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Tom Thomas e a refundação do comunismo
António Barata
Num texto de Outubro de 2014, intitulado Para um novo projecto comunista (aqui), Tom Thomas esboça um princípio de via para a reconstrução do movimento comunista revolucionário. Dando por adquirido que:
o capital entrou numa fase de crise crónica devido à “tendência” para “a baixa do valor de troca dos produtos” e de, primeira vez na história da humanidade, o desenvolvimento do capitalismo ter gerado “uma diminuição considerável do tempo de trabalho”, o que ou “reduz massivamente os proletários à miséria física, intelectual, social e moral do desemprego, ou então absorve em seu proveito esse tempo de não-trabalho por meio de ócios absolutamente alienantes”;
desapareceram as bases materiais do reformismo social-democrata devido ao “esgotamento do aumento da extracção de mais-valia na sua forma relativa, a única que permite prosseguir (…) a acumulação de capital”, o que inviabiliza qualquer política keynesiana de relançamento do crescimento através da subida de salários e de obras estatais – “não é no momento em que o processo de valorização do capital está doente, e mesmo em pane, que a subida dos salários é possível, tal como não é possível que Estados híper-endividados aumentem as despesas”.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

2015 - Situação & Perspectivas - Tom Thomas

Reproduzimos abaixo o livro 2015 - Situação & Perspectivas, de Tom Thomas. Esse trabalho foi recentemente publicado em português no site Bandeira Vermelha (consulte aqui), a partir de uma versão inicial intitulada Para um novo projecto comunista, apresentado com uma instigante crítica do camarada Antonio Barata.
O blog Cem Flores publicou recentemente um outro texto de Tom Thomas que atualizou a análise de algumas questões apresentadas no livro de 2015. Essa postagem pode ser acessada aqui.
Consideramos que a análise de Tom Thomas é importante contribuição para entender a crise geral do imperialismo hoje e seus efeitos políticos e ideológicos. Contribui principalmente na análise do reformismo atual, trecho em destaque na crítica de Antonio Barata, que publicaremos posteriormente.
O artigo apresenta também uma importante proposta de construção de "um novo movimento comunista", último capítulo do livro.
A reconstrução do instrumento de luta da classe operária passará, necessariamente, pela compreensão dos problemas da crise que se abateu sobre o movimento comunista no mundo e é essa a intenção do Cem Flores com a presente publicação.
Boa leitura!
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Para um novo projeto comunista
(2015 Situação & Perspectivas)
Tom Thomas
Breve olhar sobre o passado
Segundo Marx e Engels, as burguesias de outrora temiam muito “um espectro que assola a Europa: o espectro do comunismo”. Hoje ainda, elas têm e dão do comunismo uma imagem tanto mais diabólica e espectral quanto é certo que elas acreditaram que o comunismo as aniquilaria, e que a crise bem poderia fazê-lo sair da letargia.

domingo, 11 de junho de 2017

A Ilusão da jurisprudência

Em 16 de abril esse blog publicou o artigo Teses Sobre a Crise do Capital e a Luta de Classes no Brasil. Na apresentação dessas teses, indicamos o objetivo de avançar na "análise da conjuntura brasileira atual que busque se realizar de forma científica – utilizando, portanto, a teoria marxista – e a partir do ponto de vista da classe operária em sua luta por libertar-se da opressão capitalista". E afirmamos o que consideramos uma das características fundamentais para atingir esse objetivo: "sempre buscar um maior domínio da teoria marxista, almejando conseguir contribuir para o seu desenvolvimento".

Nesse mesmo trabalho, a partir da tese geral de que todos os eventos econômicos, políticos e sociais no país têm como determinante em última instância a crise do capital no Brasil, afirmamos a seguinte tese específica:
6) No ambiente de crise se agrava a contradição entre, por um lado, a ideologia jurídica burguesa (respeito às leis, igualdade, justiça etc.) e os seus “operadores” no aparelho repressivo de Estado (Poder Judiciário do juizado de 1ª instância ao STF, Ministério Público e Polícia Federal) e, por outro, a prática cotidiana dos negócios da burguesia, no Brasil e no mundo: corrupção, fraude, suborno, carteis etc. A operação Lava Jato, inicialmente fato contingente na conjuntura política, passa a definir programa próprio, detalhado e sequencial, de atingir a atual representação política da burguesia e substituí-la por uma nova, “ficha limpa” (sic!), buscando legitimar a dominação capitalista;

Com o objetivo de contribuir na análise dos fatos recentes da conjuntura brasileira e na compreensão do que é a ideologia jurídica burguesa, reproduzimos abaixo o texto A Ilusão da jurisprudência, de Marcio Bilharinho Naves, recém publicado no site LavraPalavra.


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A Ilusão da jurisprudência


Marcio B. Naves

“...pretender dar uma definição da propriedade
como uma relação independente,
uma categoria à parte, uma idéia abstrata
e universal —isso não pode ser
mais que uma ilusão
da metafísica ou da jurisprudência”
(Marx, 1989: 143)

Resumo: Quando a luta popular é dominada pelas representações oriundas do campo da ideologia jurídica, ela apenas reproduz as formas de sua própria subordinação ao processo do capital. O “esquecimento” da tese de Marx e Engels sobre a incompatibilidade absoluta entre o comunismo e o direito conduz a esquerda aos velhos caminhos do “socialismo jurídico”.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Falta um programa para as mulheres.

Reproduzimos abaixo, por sua importância para nossa compreensão teórica e prática sobre essa questão, artigo de Ana Barradas publicado originalmente no blog Bandeira Vermelha. O original pode ser acessado aqui.


Falta um programa para as mulheres.

Ana Barradas.

Alguns comunistas deixam-se cegar pela indignação ao verem-se compara­dos com quaisquer outros homens no que refere à questão feminina. Com isso não conseguem divisar o que há de verdadeiro nas afirmações segundo as quais também entre eles se reproduzem algumas das taras da sociedade patriarcal. Como tratar na táctica e na acção imediata os problemas concretos da emancipação da mulher, dando-lhes expressão na política, em vez de os adiar para depois da revolução?

A corrente das “feminis­tas marxistas” tem procurado clarificar e tornar mais consistentes alguns postulados de Marx e Engels, a partir da análise das condi­ções actuais, por considerar que só o aprofundamento teórico da questão da mulher poderá indicar novos caminhos. E tem chegado a conclusões que, baseadas em debates, em ensaios e estudos e na própria experiência dos movimentos de libertação da mulher nos países ocidentais, parecem abrir caminho a uma inovadora compreensão do problema. Ainda que a falta de audiência e visibilidade de que padece esse feminismo crítico, muito encerrado nos meios intelectuais e entre mulheres da pequena burguesia, atenue os seus efeitos junto de uma audiência mais vasta, há que reconhecer- lhe algum mérito. Ele parte de pressupostos como:

terça-feira, 9 de maio de 2017

100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo” - Dani Nabudere e a Economia Política do Imperialismo

Dani Wadada Nabudere (1932-2011)
O blog Cem Flores retoma, com esta publicação, a sua série de textos sobre os 100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, obra fundamental e absolutamente atual de Lênin para a compreensão do capitalismo contemporâneo e sua crise. Obra que também ilumina os caminhos da luta da classe operária no mundo todo.

Dessa série já foram publicados três textos anteriormente:

- Nos 100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, Discutir o Imperialismo e Sua Crise Continuam Tarefas Fundamentais dos Comunistas (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/10/nos-100-anos-de-imperialismo-fase.html), publicado em outubro de 2016, com uma apresentação do Blog Cem Flores aos prefácios e dois capítulos da obra de Lênin;

- 100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”. Um Discurso do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre o Imperialismo (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/11/100-anos-de-imperialismo-fase-superior.html), novembro de 2016, com uma análise do Cem Flores sobre a posição do KKE sobre o imperialismo hoje; e

- Francisco Martins Rodrigues: sobre a atualidade do conceito de Imperialismo (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/12/francisco-martins-rodrigues-sobre.html), dezembro de 2016, com uma avaliação do Cem Flores sobre um texto de 2003 de FMR em que se discute a atualidade das características da definição leninista do Imperialismo.

Neste post, queremos trazer para a discussão e o debate com os camaradas e leitores do Blog trechos da obra “A Economia Política do Imperialismo”, de 1975, de Dani Wadada Nabudere (1932-2011)[1]. Nacional de Uganda, Nabudere iniciou sua militância política no exílio inglês como membro do Comitê Executivo da Associação de Estudantes de Uganda no Reino Unido, em 1961. De volta à Uganda independente, em 1964, juntou-se ao partido nacionalista Congresso do Povo de Uganda. Por sua militância comunista, foi expulso em 1965 e ajudou a fundar o primeiro partido Maoísta do país, além do Comitê de Solidariedade Uganda-Vietnã. Preso em 1969 por um suposto “complô comunista”, foi solto em 1971.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

James Petras e a capitulação recente das guerrilhas - António Barata




Publicamos em 29/03 o artigo Colômbia, Oriente Médio e Ucrânia. Acordos de Paz ou Rendição Política?, de James Petras, que pode ser acessado aqui
Reproduzimos agora o artigo de António Barata James Petras e a capitulação recente das guerrilhas, com uma pertinente crítica ao texto de Petras, em nossa opinião. Consideramos o artigo de António Barata uma importante contribuição ao tema e recomendamos a leitura aos camaradas e leitores do blog. O original está publicado no blog Bandeira Vermelha e pode ser acessado aqui.

James Petras e a capitulação recente das guerrilhas

António Barata

Em texto recente James Petras faz uma análise contundente aos resultados dos acordos de paz estabelecidos entre as diversas formações de esquerda que resistiram à vaga de abandono da luta armada que se sucedeu ao derrube do regime sandinista, à derrota das guerrilhas salvadorenha e guatemalteca, que varreu as décadas de 80 e 90, não se deixando na altura iludir com a democratização das “ditaduras” nem abater pela implosão do bloco soviético.

sábado, 22 de abril de 2017

“A trincheira do comunismo nunca pode ser abandonada” (FMR)

Em homenagem aos 9 anos da morte de Francisco Martins Rodrigues reproduzimos abaixo o texto da camarada Ana Barradas, publicado no blog Bandeira Vermelha.

Ana Barradas

Hoje, 22 de Abril, faz 9 anos que faleceu Francisco Martins Rodrigues. Falar de FMR é falar de uma vida que se orientou desde cedo numa única direcção da qual nunca se afastou: a luta por uma sociedade livre de exploração em que a classe operária pudesse derrubar a burguesia, desenvolver-se e criar o seu próprio sistema de poder.

Mas este trajecto de mais de 60 anos de militância comunista confrontou-se com várias fases de consciência revolucionária. Nos diversos patamares dessa consciência, registaram-se rupturas profundas. É análise dessas sucessivas rupturas que nos dá o traço da evolução de um pensamento que nunca se fixou em dogmas.

A primeira foi a crítica ao engodo do PCP pela unidade com os democratas e o abandono da aliança operário-camponesa.

domingo, 16 de abril de 2017

Teses Sobre a Crise do Capital e a Luta de Classes no Brasil

Cem Flores

Neste texto queremos apresentar para o debate entre os camaradas do Cem Flores e nossos companheiros leitores a primeira parte de uma análise da conjuntura brasileira atual que busque se realizar de forma científica – utilizando, portanto, a teoria marxista – e a partir do ponto de vista da classe operária em sua luta por libertar-se da opressão capitalista.

Achamos que para sermos bem sucedidos nessa empreitada, devemos buscar unir as cinco características fundamentais abaixo enunciadas:

1) sempre buscar um maior domínio da teoria marxista, almejando conseguir contribuir para o seu desenvolvimento. Ou seja, tornar o estudo do marxismo um elemento indissociável da atividade militante, comunista e revolucionária;

2) participar das lutas e da vida cotidiana da classe operária, para compreender melhor a realidade da luta de classes do ponto de vista dos dominados e oprimidos pelo capital;

3) buscar um amplo e detalhado conhecimento da realidade a ser analisada, em suas várias dimensões, abrangendo o cipoal de fatos díspares e por vezes contraditórios que preenchem o seu dia-a-dia;

4) criticar sem tréguas as teorias e análises burguesas/revisionistas/reformistas que predominam na sociedade atual, que constituem sua ideologia dominante e seu “senso comum”, que servem à manutenção da ordem burguesa, “justificando” a exploração das classes dominadas;

5) a partir dos itens acima, elaborar uma análise geral da conjuntura, marxista e proletária, que permita explicar seus determinantes mais profundos, expor suas contradições e analisar suas tendências principais. A partir dessa explicação mais geral, analisar os fatos cotidianos e definir a correta linha de atuação da organização e dos seus militantes nas frentes concretas.

Nos é claro que ainda não somos capazes de cumprir plenamente, todos os requisitos acima para a realização da necessária análise comunista da conjuntura econômica, social e política do Brasil. Mas eles servem de guia para nossa atuação, autocrítica e aprofundamento da análise. Quão distante ainda estamos desses objetivos, e quão retificadas portanto devem ser as teses abaixo, são temas aos quais conclamamos os camaradas e leitores a avaliar e debater conosco.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Uma Intervenção Sobre a Conjuntura Mundial da Crise do Imperialismo

http://www.demystification.fr
O Blog Cem Flores divulga importante intervenção sobre a conjuntura mundial da crise do imperialismo, publicada por Tom Thomas em dezembro de 2015. A tradução do original em francês é da camarada Ana Barradas. Estamos convictos que, passado um ano e meio da redação desse documento, sua atualidade permanece intacta. Daí a importância da leitura e do debate comunista entre camaradas e leitores deste Blog.

A crise do imperialismo, aberta em 2007/08, traz uma novidade histórica de acordo com Tom Thomas: o «esgotamento da quantidade de trabalho social empregue na produção de mais-valia», devido ao elevadíssimo nível de acumulação de capital fixo, de composição orgânica do capital, alcançado pelo capitalismo. Por essa razão, o processo de acumulação de capital não consegue mais gerar ganhos de produtividade, mais-valia relativa, estagnando e/ou fazendo declinar a taxa de lucro. A acumulação produtiva, portanto, se interrompe e, com ela, os investimentos e o crescimento econômico. Daí a crise e a estagnação que vivemos já faz uma década.

Tom Thomas mostra que, apesar disso, o capital permanece com sua necessidade imperiosa, intrínseca, de valorizar-se. Aponta, então, duas tentativas de saída. Uma, a geração desenfreada de capital fictício – desde emissões monetárias de trilhões de dólares dos bancos centrais até recordes alcançados pelas bolsas de valores. Essa «bolha», que se revela ainda maior que a anterior, gera lucros (igualmente fictícios) sem passar pelo processo produtivo, geração de mais-valia («D–D’»). Parte desses lucros financiam sucessivas rodadas de centralização de capitais, aumentando ainda mais o poder dos monopólios.

A outra saída do capital é voltar-se contra as classes produtoras, buscando aumentar de todas as formas a mais-valia absoluta. Nas palavras do autor, «degradação sistemática da condição proletária». Em trechos que têm fundamental relevância para a luta de classes no Brasil atual, Tom Thomas detalha esse caráter essencial, constitutivo, das mal-chamadas «políticas de austeridade» e «reformas estruturais».

terça-feira, 21 de março de 2017

Contra o muro, contra o imperialismo… Para confrontar a política imperialista de Trump: nem submissão, nem “unidade nacional”.

Reproduzimos abaixo, traduzido, artigo do Partido Comunista do México (PCM), que trata da iniciativa do presidente norte-americano Donald Trump de construir um muro entre o México e os EUA. Consideramos importante a leitura desse material pois, além da denúncia sobre as intenções capitalistas por trás dessa iniciativa, o artigo apresenta também uma crítica correta à tese da "unidade nacional" na oposição à iniciativa de Trump. O original pode ser acessado aqui.
Como está dito no texto do PCM "a história nos ensina como ao longo do século XX, nas ocasiões em que a classe operária adotou a 'unidade nacional', hipotecou a sua independência como classe subordinando-se aos interesses da burguesia, a qual aproveitou para maximizar os seus lucros e afirmar a sua dominação."
No Brasil sabemos bem os males que as teses de "unidade nacional" causaram à luta da classe operária e dos trabalhadores, nos colocando a reboque de uma pretensa burguesia "nacional" na luta contra o capital estrangeiro, o imperialismo etc. Hoje, essas teses, requentadas, são apresentadas novamente a partir da indicação aos trabalhadores brasileiros a apoiarem uma aliança com um pretenso setor "desenvolvimentista" do capital em contradição contra um suposto setor puramente "especulativo". Lenin já mostrava há mais de 100 anos que o capital financeiro é a fusão do capital bancário com o capital produtivo...
Já publicamos também em nosso blog uma aprofundada crítica a essa tese, exposta no livro O Anti-Dimitrov, do dirigente comunista português Francisco Martins Rodrigues, que pode ser acessada aqui.
Essa posição burguesa no seio da classe operária e dos trabalhadores enfraquece nossa capacidade e necessidade de organizar a resistência contra a ofensiva do capital monopolista (especulativo e produtivo), principalmente com o aprofundamento da crise do imperialismo. Lutar contra a ilusão burguesa da "unidade nacional", denunciando-a e expondo sua real intenção é parte do caminho necessário à luta e organização de nossa classe.
Cem Flores.
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Contra o muro, contra o imperialismo… 
Para confrontar a política imperialista de Trump: nem submissão, nem “unidade nacional”.
01/02/2017


Tal como anunciou na sua campanha, o Presidente dos EEUU, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para a construção do muro na fronteira entre o seu país e o nosso, com o propósito expresso de conter a migração de trabalhadores mexicanos e de outras nacionalidades que nutrem a força de trabalho nos distintos ramos da produção e os serviços nessa nação norte-americana.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A Contribuição da Mulher na Construção do Socialismo - V. I. Lenin.

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Dando continuidade às homenagens ao Dia Internacional da Mulher, apresentamos agora um breve artigo de Lenin, de 1919, no qual ele apresenta resumidamente as iniciativas tomadas na União Soviética após a revolução, medidas práticas focadas em retirar a mulher da escravidão doméstica e deixa-la livre para se inserir no processo revolucionário.
É importante destacar a vinculação que Lenin estabelece da construção do comunismo com a emancipação da mulher: "A verdadeira emancipação da mulher, o verdadeiro comunismo, só começará onde e quando comece a luta das massas (dirigida pelo proletariado, que detém o poder do Estado), contra a pequena economia doméstica ou melhor, onde comece a transformação em massa dessa economia na grande economia socialista."
Cem Flores


A Contribuição da Mulher na Construção do Socialismo[1]
V. I. Lénine
28 de Julho de 1919 

Tomemos a situação da mulher. Nenhum partido democrático do mundo, em nenhuma das repúblicas burguesas mais progressistas, realizou a esse respeito, em dezenas de anos, nem mesmo a centésima parte daquilo que nós fizemos apenas no primeiro ano de nosso poder. Não deixamos literalmente pedra sobre pedra de todas as abjetas leis sobre as limitações dos direitos da mulher, sobre as restrições do divórcio, sobre as odiosas formalidades às quais estava vinculado, sobre a possibilidade de não reconhecer os filhos naturais, sobre a investigação de paternidade etc., leis cujas sobrevivências, para vergonha da burguesia e do capitalismo, são muito numerosas em todas os países civilizados. Temos mil vezes o direito de estar orgulhosos daquilo que fizemos nesse terreno. Mas quanto mais limparmos o terreno do entulho das velhas leis e instituições burguesas, melhor vemos que com isso apenas limpamos o terreno para construir e não empreendemos ainda a própria construção. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

A família na União Soviética. Crise e reconstituição 1917/1944.


Pode-se afirmar que é impossível atingir o comunismo sem a transformação do papel da mulher hoje estabelecido. E essa transformação começa pela libertação do papel que ela cumpre na família, no aparelho ideológico familiar. Sob o capitalismo a função que a mulher desempenha na família é a de realização de tarefas que auxiliem na redução do valor da força de trabalho do proletariado, função essa considerada subordinada ao papel do homem, ideologicamente identificado como o chefe e aquele que provê as necessidades da família. Para alterar esse quadro e permitir a maior participação da mulher na revolução é preciso que ela se liberte dessa pequena economia doméstica, que a própria família seja alterada.
É precisamente esse o ponto que o texto da camarada Ana Barradas, que abaixo reproduzimos, nos apresenta: quais foram as principais mudanças no aparelho familiar e na condição da mulher levadas a cabo na Rússia após a revolução de 1917. Esse texto pode ser acessado também no blog Bandeira Vermelha.
No artigo é possível ver o quanto o ímpeto revolucionário levou a mudanças profundas na legislação, estabelecendo "direitos", e as iniciativas práticas que o Estado proletário adotou, mesmo em período de guerra, para permitir que as mulheres ampliassem sua participação política e econômica na revolução, libertando-se de suas pretensas “responsabilidades domésticas”. O texto também nos apresenta os fatores conjunturais, políticos e ideológicos que, não apenas interromperam essas mudanças, como as desfizeram, impelindo as mulheres a regressar as suas condições anteriores. O ascenso ou recuo na luta de classes, do ponto de vista do proletariado, vão determinando o avanço ou o retrocesso no processo de transformação do papel da mulher.
Na semana do 08 de março, Dia Internacional da Mulher, pretendemos com essa publicação estimular o debate sobre essa questão central, a partir da análise dos fatores que contribuíram para avançar ou retroceder a luta da mulher, na situação concreta que viveu a Revolução Russa, aprendendo com aquela experiência e nos permitindo combater de forma mais efetiva nossos limites e incompreensões sobre esse tema, condicionante fundamental para a construção da revolução em nossa realidade atual.

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A família na União Soviética. Crise e reconstituição 1917/1944.
Ana Barradas

Muitos dos operários e intelectuais avançados do nosso país que admiram sinceramente as conquistas revolucionárias da Rússia soviética talvez tenham reticências quanto ao aspecto concreto da libertação da mulher, tomando as formas de que ela se revestiu como manifestações excessivas dos primeiros anos. A imagem que têm da mulher soviética é aquela que foi propagada muito mais tarde: a da mulher produtora, igual perante a lei, mas simultaneamente recuperada para o papel de esteio da família.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

BANDEIRA VERMELHA. Blog Internacional de Debate Comunista.


A luta contra o reformismo e o revisionismo, pela retomada do marxismo e pela reconstrução dos partidos comunistas acaba de ganhar mais uma trincheira importante. É com enorme alegria que informamos aos camaradas, amigos e leitores do Cem Flores o lançamento do blog BANDEIRA VERMELHA (https://bandeiravermelha123.wordpress.com), blog internacional de debate dos comunistas.

Compreender as causas da crise que se abateu sobre nosso campo é decisivo para encontrarmos o caminho da retomada de nossa luta, o caminho da construção da revolução proletária. Como afirma o manifesto de lançamento do Bandeira Vermelha, "a tarefa principal que hoje se põe às/aos herdeir@s das tradições comunistas é dar res­postas convincentes para os fracassos revolucionários; explicar por que razão os  regimes saídos das insurreições vitoriosas na Rússia e China degeneraram na dominação de uma nova casta que exerceu a sua ditadura em nome do socialismo, para acabar rendida ao capitalismo. Quais os ­­­limites materiais e subjectivos que determinaram estas derrotas?" 

E o blog aponta o caminho com o qual concordamos totalmente: "A busca dessas respostas impõe a retomada e o desenvolvimento do marxismo, da teoria científica do proletariado, aplicando-a concretamente à conjuntura atual. Essa tarefa só será possível com a participação ativa d@s comunistas na luta da classe operária e do conjunto do povo trabalhador."

Reproduzimos abaixo o manifesto de lançamento desse espaço internacional de debate (https://bandeiravermelha123.wordpress.com/sobre-nos/) para o qual convidamos todos a acompanhar e participar. 


Bandeira Vermelha, blogue internacional de debate comunista.

A profunda crise em que estão mergulhados @s comunistas e o movimento operário de todo o mundo tem causas profundas ainda por determinar.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Estudar a crise do marxismo. Resposta aos Comunistas Americanos, de Francisco Martins Rodrigues.

Há algum tempo atrás conclamamos àqueles que queriam pensar com suas próprias cabeças, que não tinham abandonado a luta sob a perspectiva da classe operária, a retomar o marxismo e esgrimirem suas ideias sobre os rumos do socialismo e a teoria que o ilumina. No texto de lançamento do blog Cem Flores (http://cemflores.blogspot.com.br/p/por-que-razao-discutir-crise-do.html) afirmamos:
"Percebemos que muito mais do que uma discussão sobre organização, tática ou estratégia, o que necessitamos é discutir a situação, o estado da teoria marxista, sua crise escancarada após o XX Congresso do PCUS e a cisão do movimento comunista em 1963, a necessidade urgente e incontornável de tomá-la a sério e perguntarmos por suas causas. Perguntar as causas da crise que desembocou em Kruschev, no rompimento da URSS com a China, cisão na teoria e na prática, e no desmanche das experiências de construção do socialismo, principalmente na URSS e na China por seu papel de exemplo.
A crise do movimento comunista não pode ser somente o resultado dos erros cometidos pelos partidos comunistas em sua prática na luta de classes, resultado de uma conjuntura, nem da ação dos inimigos de sempre e, que desde sempre, se uniram contra ele na luta de classes, se fossem esses os motivos da crise do movimento comunista teríamos de perguntar por que razão tornou-se possível o triunfo da conjuntura, dos acontecimentos sobre uma teoria cuja “ onipotência” (numa expressão que se tornou clássica por Mao) deriva da verdade inquestionável dos conceitos que a articulam."
Como contribuição ao estudo dessa questão, queremos apresentar abaixo o texto de Francisco Martins Rodrigues, Resposta aos Comunistas Americanos (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2017/01/16/resposta-aos-comunistas-americanos-2/). Esse brilhante dirigente comunista português pergunta, nesse texto:
Quando aos trabalhadores de todo o mundo o fim do comunismo aparece como um facto consumado, a nova corrente comunista tem que começar por responder à questão: como pôde afundar-se nesta miserável perestroika um movimento que inscreveu na história da humanidade feitos tão brilhantes como a revolução de Outubro ou a guerra revolucionária na China? Porque foi a revolução proletária do século XX engolida pelo capitalismo? Esse deveria ser, quanto a nós, o eixo dum documento que pretende, como dizeis, “contribuir para a discussão entre os comunistas de todo o mundo sobre o que fazer”, porque só da resposta a essa questão viva sairão conceitos marxistas vivos e, forçosamente, uma perspectiva nova sobre as questões do partido e da revolução, da estratégia, da táctica e do estilo de trabalho. Se o marxismo nunca pode voltar a ser o que era, muito menos o será depois de ter atravessado uma experiência tão vasta.”
Convidamos a todos os leitores do blog Cem Flores a estudarem  o texto abaixo reproduzido, importante contribuição à análise da crise do marxismo e da luta por sua retomada.

RESPOSTA AOS COMUNISTAS AMERICANOS.
Francisco Martins Rodrigues

Correspondendo à vossa proposta de debate em torno da declaração “Tarefas do comunismo operário durante a derrocada do revisionismo”, publicada no Workers’ Advocate de Janeiro, fazemos em seguida algumas observações que a sua leitura nos sugeriu. Decidimos tornar pública esta carta porque, tal como vós, consideramos um debate alargado sobre a linha geral como a prioridade mais vital para os comunistas de todo o mundo.