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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Construir um novo movimento comunista

Temos claro que o principal problema do caminho revolucionário no Brasil passa pela reconstrução do Partido do Proletariado, o instrumento independente de luta da classe operária e do povo na  revolução.

A defensiva na luta da classe operária hoje é, em grande medida, resultado do fato de que há anos ela luta com a posição do inimigo no posto de comando, ela luta, em sua quase totalidade, sob a direção de organizações com posições burguesas (revisionistas, reformistas ou esquerdistas). Sua luta é sempre dirigida no sentido de tentar dar uma solução ao capitalismo putrefato em sua fase imperialista, e não em superá-lo revolucionariamente.

A crise que se abateu sobre o marxismo há vários anos, uma das razões que nos levaram a construir esse blog, só será superada pela retomada teórica e prática da posição proletária na luta de classes.

No documento de apresentação de nosso blog - Por que razão discutir a crise do Marxismo? (http://cemflores.blogspot.com.br/p/por-que-razao-discutir-crise-do.html) já apontávamos essa questão, conforme demonstram os trechos abaixo:

"A crise do movimento comunista não pode ser somente o resultado dos erros cometidos pelos partidos comunistas em sua prática na luta de classes, resultado de uma conjuntura, nem da ação dos inimigos de sempre e, que desde sempre, se uniram contra ele na luta de classes”

"O movimento comunista não foi derrotado por seus inimigos de sempre. Fomos derrotados ao não sermos capazes de desenvolver a teoria de forma a iluminar de maneira justa nossa prática revolucionária.”

"A crise do Marxismo é uma crise teórica e prática e a luta de classes nos coloca a urgência de superá-la.”

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O MOVIMENTO SINDICAL NA CRISE DO CAPITALISMO BRASILEIRO

Em diversas intervenções recentes o Blog Cem Flores tem mostrado a grande ofensiva burguesa sobre as condições de trabalho, de luta e de vida das classes dominadas no Brasil[1]. A crise do capitalismo brasileiro abriu um novo e duro período no qual a exploração e a opressão da classe operária e demais setores do povo estão se aprofundando rapidamente. Várias dessas derrotas e retrocessos estão sendo sacramentados pelo Estado burguês em novas legislações, fazendo que “direitos” e conquistas de décadas de luta sejam evaporados (oficial e legalmente...) em questão de meses. O objetivo final do capital com tudo isso é a retomada das condições de sua acumulação e lucratividade.

No entanto, na análise desse momento da luta de classes no Brasil, temos conseguido apenas esboçar, de forma bem geral, as condições nas quais as classes dominadas têm tentado resistir a tal ataque. Vejamos uma tese recentemente defendida por nós[2]:

O proletariado enfrenta essa ofensiva burguesa em condições muito desfavoráveis, fortemente atingido pelo desemprego, pela redução de salários e pela deterioração de suas condições de vida; com baixo nível de organização para a luta sindical; e sem sua organização política, isto é, sem posição própria na luta de classes. A esmagadora maioria das centrais sindicais, dos sindicatos e dos chamados “movimentos populares” assume posições reformistas/revisionistas, de conciliação de classes e de união nacional, quando não posições abertamente burguesas na luta de classes. Decorrente dessas posições, sua atuação concreta vai da defesa do governo Dilma (MTST: embora criticando sua política de conciliação de classes e/ou seus “erros”!?), dos elogios aos militares (MST), dos acordos com empresas para efetivar demissão de trabalhadores, até todos os tipos de negociatas e conchavos institucionais

Para buscar desenvolver e aprofundar tais teses, este texto tenta lançar luz sobre o movimento sindical brasileiro, sua estrutura, principais correntes e limitações para enfrentar a mais nova ofensiva capitalista. No entanto, antes de entrar na conjuntura, avaliamos que é preciso compreender como a teoria marxista vê o sindicalismo na luta contra o capital.

Luta Econômica e Sindicalismo

domingo, 11 de junho de 2017

A Ilusão da jurisprudência

Em 16 de abril esse blog publicou o artigo Teses Sobre a Crise do Capital e a Luta de Classes no Brasil. Na apresentação dessas teses, indicamos o objetivo de avançar na "análise da conjuntura brasileira atual que busque se realizar de forma científica – utilizando, portanto, a teoria marxista – e a partir do ponto de vista da classe operária em sua luta por libertar-se da opressão capitalista". E afirmamos o que consideramos uma das características fundamentais para atingir esse objetivo: "sempre buscar um maior domínio da teoria marxista, almejando conseguir contribuir para o seu desenvolvimento".

Nesse mesmo trabalho, a partir da tese geral de que todos os eventos econômicos, políticos e sociais no país têm como determinante em última instância a crise do capital no Brasil, afirmamos a seguinte tese específica:
6) No ambiente de crise se agrava a contradição entre, por um lado, a ideologia jurídica burguesa (respeito às leis, igualdade, justiça etc.) e os seus “operadores” no aparelho repressivo de Estado (Poder Judiciário do juizado de 1ª instância ao STF, Ministério Público e Polícia Federal) e, por outro, a prática cotidiana dos negócios da burguesia, no Brasil e no mundo: corrupção, fraude, suborno, carteis etc. A operação Lava Jato, inicialmente fato contingente na conjuntura política, passa a definir programa próprio, detalhado e sequencial, de atingir a atual representação política da burguesia e substituí-la por uma nova, “ficha limpa” (sic!), buscando legitimar a dominação capitalista;

Com o objetivo de contribuir na análise dos fatos recentes da conjuntura brasileira e na compreensão do que é a ideologia jurídica burguesa, reproduzimos abaixo o texto A Ilusão da jurisprudência, de Marcio Bilharinho Naves, recém publicado no site LavraPalavra.


*   *   *
A Ilusão da jurisprudência


Marcio B. Naves

“...pretender dar uma definição da propriedade
como uma relação independente,
uma categoria à parte, uma idéia abstrata
e universal —isso não pode ser
mais que uma ilusão
da metafísica ou da jurisprudência”
(Marx, 1989: 143)

Resumo: Quando a luta popular é dominada pelas representações oriundas do campo da ideologia jurídica, ela apenas reproduz as formas de sua própria subordinação ao processo do capital. O “esquecimento” da tese de Marx e Engels sobre a incompatibilidade absoluta entre o comunismo e o direito conduz a esquerda aos velhos caminhos do “socialismo jurídico”.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

152 Anos da Associação Internacional dos Trabalhadores: a atualidade e lições de sua Mensagem Inaugural.

Neste mês se comemora os 152 anos do surgimento da Associação Internacional dos Trabalhadores, esse esforço heróico e original do proletariado mundial em sua luta contra o capital. Os comunistas e fundadores do marxismo foram desde o início dedicados militantes e dirigentes dessa organização, colaborando, através da luta política e ideológica com outras correntes do movimento operário, para que a classe cumprisse seu objetivo: emancipar-se por conta própria. A "1ª Internacional" acabou em 1872, sendo um marco sobre o qual iriam partir as posteriores iniciativas internacionalistas da classe operária.

Abaixo reproduzimos a Mensagem Inaugural da Associação Internacional dos Trabalhadores, de Karl Marx (Obras Escolhidas, Editorial Avante!, Tomo II), de 1864, ano da fundação da Associação. Marx, um de seus principais dirigentes junto com Engels, também redigiria seus estatutos.

A mensagem, como verão, é espantosa pela sua atualidade. Primeiro por apontar uma tendência geral do capitalismo que vem se reforçando globalmente no atual momento histórico: a constituição de um pólo da sociedade em prosperidade e outro em constante miséria. Como diz o Chanceler do Tesouro Público da época na caneta de Marx: "Este inebriante aumento de riqueza e poder está inteiramente confinado às classes possidentes!". No capitalismo não é possível um desenvolvimento igualitário entre as classes pois "os senhores da terra e os senhores do capital sempre usarão os seus privilégios políticos para defesa e perpetuação dos seus monopólios económicos. Muito longe de promover, continuarão a colocar todo o impedimento possível no caminho da emancipação do trabalho.”. Ou seja, sem colocar em questão o poder das classes dominantes, através de um "concurso fraterno", longe dos "preconceitos nacionais”, tudo é ilusão. Nas palavras de Marx na mensagem "conquistar o poder político tornou-se, portanto, o grande dever das classes operárias."

A mensagem também é brilhante ao destruir, há mais de 150 anos atrás, qualquer ilusão reformista com o desenvolvimento econômico capitalista como alternativa para a classe operária e os trabalhadores, ilusão hoje tão presente nas organizações ditas de “esquerda”:

"Em todos os países da Europa, tornou-se agora uma verdade demonstrável a todo o espírito sem preconceitos e apenas negada por aqueles cujo interesse está em confinar os outros a um paraíso de tolos que nenhum melhoramento da maquinaria, nenhuma aplicação da ciência à produção, nenhuns inventos de comunicação, nenhumas novas colónias, nenhuma emigração, nenhuma abertura de mercados, nenhum comércio livre, nem todas estas coisas juntas, farão desaparecer as misérias das massas industriosas; mas que, na presente base falsa, qualquer novo desenvolvimento das forças produtivas do trabalho terá de tender a aprofundar os contrastes sociais e a agudizar os antagonismos sociais.”

domingo, 5 de junho de 2016

A legalização da classe operária de Bernard Edelman


Fruto de um trabalho coletivo de tradutores e colaboradores, a publicação do livro A legalização da classe operária[1] (Boitempo, 2016), do advogado francês Bernard Edelman, vem minimizar uma lacuna no mundo editorial brasileiro. Lacuna que diz da ausência quase absoluta de novas edições e traduções das obras do grupo de militantes que, como Edelman, compartilhava das teses do militante comunista Louis Althusser. A recente publicação da editora Unicamp, Por Marx (Coleção Marx 21, 2015), de Althusser, também se insere nesse horizonte, cuja consequência será certamente estimular o debate teórico e a prática comunista em nosso país.

A legalização da classe operária centra sua análise e crítica sobre o chamado direito coletivo do trabalho[2] que, como forma ideológica,  incide sobre a luta de classes. Nos é apresentado um vasto estudo empírico que envolve legislações e peças processuais francesas, do século XIX até o momento do lançamento do livro (1978), referentes, sobretudo, ao direito de greve e de organização e representação sindical e por local de trabalho naquele país. Edelman demonstra a armadilha criada pelas classes dominantes através da ideologia jurídica: ao longo do tempo e da "legalização" das chamadas “conquistas” operárias, o capital consegue cooptar, violentamente, a classe operária e prendê-la em sua "fortaleza", a empresa. 

"A burguesia 'apropriou-se' da classe operária; impôs seu terreno, seu ponto de vista, seu direito, sua organização de trabalho, sua gestão." (p. 112).

Nessa questão o autor não poupa palavras. Ele fala que a burguesia, através de seus "representantes" inclusive e principalmente no meio operário, inventaram uma classe operária, legalizada e individualizada, e "mandou destruir, esfolar, mutilar e leiloar" (p. 147), "capturar, neutralizar, amordaçar" (p. 8) a classe operária enquanto classe politicamente autônoma.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

FRANCISCO MARTINS RODRIGUES - Escritos de uma vida.



É com imensa satisfação que divulgamos o blog Francisco Martins Rodrigues – Escritos de uma Vida (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com), que recolhe artigos esparsos escritos por aquele dirigente comunista. O Cem Flores, ao divulgar o blog com os escritos do camarada Francisco, saúda essa iniciativa que contribui para o avanço da luta de classes do proletariado, para a reafirmação do leninismo e a crítica ao revisionismo, para a reconstrução do partido comunista e para o campo da revolução.

Francisco Martins Rodrigues: resumo biográfico[1]
Nascido em 1927, em Portugal, Francisco Martins Rodrigues trabalhou, ainda adolescente, em uma livraria em Lisboa, antes de tornar-se aprendiz de mecânico na TAP, emprego que perdeu em seguida, por causa de sua primeira prisão pela ditadura portuguesa, ainda em 1950. Participava, então, do Movimento de Unidade Democrática (MUD) juvenil, movimento de oposição autorizado pelo governo salazarista, o qual contava com importante participação do Partido Comunista Português (PCP), partido no qual entra logo depois.

terça-feira, 3 de março de 2015

A Tática de Luta de Classe do Proletariado

Camaradas,

Publicamos abaixo, do artigo de Lênin “Karl Marx”, de 1914, o capítulo “A Tática de Luta de Classe do Proletariado”.

Esse texto se soma a outros já publicados no blog, como Sobre as Greves, com o objetivo de destacar a ofensiva da luta das massas exploradas no Brasil e a necessidade da resistência operária frente a sua exploração pela burguesia; e o recém publicado sobre a greve dos operários da Volks-Anchieta A Luta Operária Contra a Exploração Capitalista e o Sindicalismo de Parceria com o Capital e o Governo onde demonstramos que, a partir do exemplo da luta dos operários dessa montadora, existem

“duas posições distintas: a da direção sindical, de viabilizar a redução dos custos salariais e o aumento dos lucros dos patrões, apresentados como garantia do emprego, comprovando na prática, mais uma vez, o seu peleguismo; e a da classe operária, centrada na luta e enfrentamento da exploração.”

Nossa intenção com o conjunto desses textos é destacar a possibilidade e a necessidade do desenvolvimento da posição proletária na luta da classe operária, da resistência dos trabalhadores aos interesses do capital a partir de sua situação concreta, desenvolvimento que se dá, entre outras coisas, no aprofundamento da crítica à prática tanto dos pelegos quanto dos esquerdistas que tentam rebaixar a luta dos trabalhadores para o campo do reformismo, do cretinismo parlamentar, do dogmatismo.

domingo, 23 de junho de 2013

Eppur si muove!

Reproduzimos abaixo mensagem recebida de um colaborador do blog, com a intenção de estimular a discussão sobre a retomada da ofensiva das classes dominadas na luta de classes.


Caros camaradas do blog Cem Flores,

O povo está nas ruas, no Brasil inteiro, um dia após o outro, aos milhões!

Este fato domina todos os outros. Este é o aspecto mais imediato e central (ainda que tenha causas profundas) da conjuntura da luta de classes no Brasil hoje.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Contra o oportunismo, pelo socialismo, para construir o Partido Comunista



Daniel Pereira
05.05.2013

O texto que proponho para discussão com os camaradas e os leitores deste blog, é o discurso do responsável pelas relações internacionais do Partido Comunista da Grécia (KKE), que apresenta, a meu ver, aspectos fundamentais da luta dos comunistas: a começar pela própria necessidade do Partido Comunista, de sua linha revolucionária, para alcançar nosso objetivo de derrubar o capitalismo e construir o socialismo; partido que se construa fundamentalmente entre as massas exploradas, em suas lutas, e especialmente entre os operários e camponeses, nos seus locais de trabalho; partido que se construa no combate contra todas as formas de reformismo e oportunismo; partido que proclame a necessidade de um movimento comunista internacional revolucionário e levante bem alto a bandeira do internacionalismo proletário.

Acesse o PDF.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


Por um 2013 repleto de lutas e conquistas.
É isso que desejamos ao proletariado e seus aliados em todos os países do mundo!
É o que desejamos aos camaradas, amigos e colaboradores do Cem Flores.

domingo, 23 de dezembro de 2012

A Crise do Imperialismo Como Ofensiva do Capital na Luta de Classes e a Necessidade da Contraofensiva da Classe Operária


Causas Contrariantes [da Lei da Queda Tendencial da Taxa de Lucro]:
I. Elevação do grau de exploração do trabalho
O grau de exploração do trabalho, a apropriação de mais trabalho e de mais-valia, é elevado a saber por meio de prolongamento da jornada de trabalho e intensificação do trabalho. ...
II. Compressão do salário abaixo de seu valor
... é uma das causas mais significativas de contenção da tendência à queda da taxa de lucro[1] (sublinhado nosso).

A crise do imperialismo, como já vimos afirmando há algum tempo, segue como o aspecto central da conjuntura atual, em que o proletariado vive e luta. Essa conclusão é inescapável a todas as classes dominadas, que sofrem com/lutam contra o aumento da exploração capitalista, seja na forma dos pacotes da Troika na Europa que reduzem salários e conquistas dos trabalhadores, seja nos pacotes de Dilma/Mantega que atendem aos interesses do capital por aqui instalado[2], ambos para aumentar a taxa de lucro da burguesia. Ao redor do mundo se observa que as velhas formas sindicais de luta de classe da classe operária não têm tido resultados em termos de salários e empregos diante da profundidade desta crise. Em vários locais, inclusive, já está se colocando, crescente e explicitamente, a questão das novas formas e dos reais objetivos de luta da classe operária.

Acesse o PDF.

sábado, 7 de julho de 2012

Como o Comitê Central da Burguesia decide as medidas de política econômica

 

Ao final de março publicamos neste blog as simbólicas fotos do que chamamos de reunião do Comitê Central da Burguesia, ocorrida dias antes entre a Presidente Dilma, o Ministro da Fazenda Guido Mantega e 28 dos maiores burgueses do país. As fotos são ilustrações perfeitas da validade universal da tese de Marx e Engels contida no Manifesto Comunista: “O Estado moderno não é nada mais que um comitê para gerenciar os negócios da burguesia”.
A partir das discussões de conjuntura com os companheiros do blog, decidimos que era importante analisarmos mais a fundo esse assunto. Aquela reunião deu ensejo a novas medidas do governo, “políticas públicas”, diz o jargão oficial para as medidas que o Estado capitalista toma para favorecer a sua burguesia. E quem diz favorecer a burguesia, diz aumentar a sua taxa de acumulação, sua taxa de lucro, o que não quer dizer outra coisa senão o aumento da exploração da classe operária e demais classes dominadas. E quando vemos, em 27 de junho, que o governo lançou o sétimo desses pacotes em um ano e meio (com o ridículo nome de “PAC Equipamentos”), percebe-se que não se trata de “acaso”, mas do modus operandi do governo e do Estado brasileiros.
No texto a seguir, através de uma investigação detalhada dos antecedentes da reunião do Comitê Central da Burguesia, de suas propostas e das medidas que se seguiram, pretendemos mostrar a quem, de fato, serve o Estado capitalista. Ao mostrar o Estado burguês a serviço da sua burguesia (desculpem o pleonasmo!), esperamos deixar claro o vergonhoso papel de serviçais da burguesia desempenhado pelas atuais centrais e sindicatos, pseudo-representantes dos trabalhadores, e também criticar aquilo que Engels chamava de “crença supersticiosa no Estado”.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sobre os sindicatos, o momento atual e os erros de Trótsky


[1]
V. I. Lênin
30 de dezembro de 1920
Camaradas:
Antes de tudo, devo pedir desculpas por haver infringido o regulamento, pois para participar das discussões teria de ter ouvido, naturalmente, o informe, o co-informe e os debates. Infelizmente, meu estado de saúde não me permitiu. Mas ontem tive oportunidade de ler os documentos mais importantes impressos e de preparar minhas observações. Logicamente, a infração ao regulamento a que me referi, implica em certos inconvenientes para vocês: é possível que faça repetições por não saber o que os outros disseram e não responda o que deveria ser respondido. Mas não pude fazer de outro modo.
    Meu material básico é o folheto do camarada Trótsky Sobre o Papel e as Tarefas dos Sindicatos. Comparando este folheto com as teses que ele apresentou no Comitê Central, e lendo-o com atenção, assombra-se a quantidade de erros teóricos e de inexatidões flagrantes que contém. Ao iniciar uma grande discussão no seio do Partido sobre este problema, como pôde preparar uma coisa tão infeliz em vez de apresentar algo mais pensado? Assinalarei, brevemente, os pontos fundamentais nos quais, em minha opinião, há erros teóricos essenciais.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Sobre “contra o culto dos livros”



O texto que apresentamos data de maio de 1930, o retiramos de uma versão em português (Coleção Teoria Hoje 1, Filosofia de Mao Tse Tung, Editora Boitempo Ltda, 1979, 2º Edição em português) e o comparamos com outra versão em espanhol (Textos Escogidos de Mao Tsetung, Ediciones em lenguas estranjeras, Pekin, 1976).
O combate às práticas revisionistas e seus desvios oportunistas e putchistas nos exigem reler várias vezes este texto para tirarmos os princípios da prática revolucionária.
Extirpar dos meios revolucionários o praticismo cego e o seu reverso dogmático nos exige entender a realidade como ela é. Exige uma investigação militante, olhar pela/na luta as múltiplas contradições que compõe o real. Como diz o texto:
(...)
Não podem resolver um problema? Pois bem, informem-se sobre o seu estado atual e sobre a sua história! Assim que essa investigação tiver possibilitado a elucidação de tudo vocês saberão como resolve-lo. As conclusões extraem-se no fim da investigação e não no seu começo.
(...)
Investigar sobre um problema é resolvê-lo
(...)
Experimentem apreciar uma situação política ou dirigir uma luta sem qualquer investigação sobre a realidade e vejam se a vossa apreciação ou direção é ou não é vã, idealista, e se tal maneira vã e idealista de fazer apreciações políticas ou dirigir os trabalhos conduz ou não a erros oportunistas ou putchistas. Seguramente que sim. E isso não será assim pelo fato de se não ter tido o necessário cuidado de preparar antecipadamente um plano, mas sim porque não se procurou conhecer a situação real da sociedade antes de elaborar tal plano (...)
(...)
Executar cegamente, aparentemente sem qualquer objeção, as diretivas dum órgão superior, não é realmente uma execução, mas antes a maneira mais hábil de opor-se a elas ou sabotá-las (...)



Situar-se na luta de classes significa ver a realidade como ela é, ou seja, significa banir quaisquer formas de idealismo. Significa combater o inimigo com a única arma capaz de levar o proletariado a derrotá-lo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A propósito do texto “Sobre a Contradição” de Mao Tse-Tung


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O texto que publicamos é inédito na internet em português.
Althusser nos diz sobre a importância deste texto e a necessidade de continuar a aprofundá-lo
(...) Lênin nos deixou nos seus Cadernos algumas frases que são o esboço de uma "Dialética". Essas notas, desenvolveu-as Mao Tse-Tung em plena luta política contra os desvios dogmáticos do partido chinês em 1937, em um texto importante A Propósito da Contradição [Sobre a Contradição].
Eu gostaria de mostrar como podemos encontrar nesses textos – numa forma já muito elaborada, e que basta desenvolver, referir ao seu fundamento, mas sempre refletir – a resposta teórica à nossa questão: qual é a especificidade da dialética marxista?
(Althusser, "Análise Crítica da Teoria Marxista" [Pour Marx], Zahar Editores, 1937, pág. 158-159)
Qual a problemática que envolve esse texto?
Lênin havia estudado Hegel, Heráclito, Aristóteles em 1914-15 e anotado em alguns cadernos. Estes estudos foram publicados somente em 1925, após sua morte. Nele a afirmação que a dicotomia de um todo único e suas partes contraditórias é a essência da dialética, aprofunda o campo novo do que se entendia sobre a dialética marxista. Nesse campo novo não se encontra mais, segundo o próprio Lênin, a tríade Hegeliana (tese-antítese-síntese).
Mao em 1937, envolto na luta contra o dogmatismo, escreve esse texto e consegue avançar e aprofundar sobre esses estudos de Lênin.
Entender a realidade como uma unidade de contradições, onde existe uma principal, que determina o conjunto de contradições secundárias e atua no limite imposto pelo conjunto dessas contradições. Que existem contradições antagônicas e não antagônicas, cujo estudo foi ampliado em seu "Sobre as justas contradições no meio do povo", texto que afirma que as contradições no seio do povo não são resolvidas por medidas administrativas, coercitivas. Afirmar que existe um aspecto principal e um secundário em cada contradição, é ampliar o horizonte da dialética marxista para entender e agir, ou melhor, se situar, na complexidade da luta de classes, que é a própria realidade e objeto dessa teoria.
Althusser, no mesmo livro (pág. 169-170) reitera a importância da "especificidade" da contradição demonstrando como "funciona" "Um Todo Complexo Estruturado":
(...) A dialética "é o estudo da contradição na essência das coisas", ou o que é o mesmo, "a teoria da identidade dos contrários". Por aí diz Lênin, "apanharemos o nódulo da dialética, mas isso exige explicações e desenvolvimentos". Mao cita esses textos, e passa "às explicações e desenvolvimentos", isto é, ao conteúdo desse "nódulo", numa palavra, à definição da especificidade da contradição.
Encontramo-nos, aí, bruscamente em face de três conceitos muito importantes. Dois conceitos de distinção: 1) a distinção entre a contradição principal e as contradições secundárias; 2) a distinção entre o aspecto principal e o aspecto secundário da contradição. Afinal um terceiro conceito: 3) o desenvolvimento desigual da contradição. Dão-nos esses conceitos na forma do "é assim". Dizem-nos que são essenciais à dialética marxista, porque são o específico dela. Nós é que devemos procurar a razão teórica profunda dessas afirmações.
É bastante considerar a primeira distinção para ver que ela supõe imediatamente a existência de várias contradições (sem o que não poderíamos opor a principal às secundárias) em um mesmo processo. Ela indica, portanto, a existência de um processo complexo.
(...) A segunda distinção (o aspecto principal e o aspecto secundário da contradição) não faz mais que refletir, no interior de cada contradição, a complexidade do processo, isto é, a existência em si de uma pluralidade de contradições das quais uma é dominante, e é essa complexidade que devemos considerar.
Sendo assim, vimos a importância da publicação desse texto para continuarmos nosso debate, para demarcar campo com o dogmatismo e todas as manifestações reducionistas de nossa teoria e de nossa prática revolucionária.

domingo, 30 de novembro de 2008

Sobre o texto A Águia das Montanhas

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O texto “Lênin – A Águia das Montanhas” encontrei na internet no seguinte endereço:
http://www.marxists.org/portugues/tematica/rev_prob/32/figuras.htm
É uma brilhante apresentação do estilo de Lênin, ou melhor, do estilo leninista, bolchevique, de encarar a luta, de suas vitórias e derrotas, de como se comportar perante as massas e de nunca se separar dos princípios.

No mundo de hoje, onde campeia o revisionismo mais descarado, cuja atitude perante a vida se expressa na presunção, no individualismo, na vaidade, nos desrespeitos aos interesses imediatos das massas e nas suas formas ainda atrasadas de luta. Que desabam sobre as massas as idéias mais absurdas ou mais acomodadas para o momento, que ao mesmo tempo se colocam sobre ela como professores munidos de toscos manuais, não dispostos a ouvir, respeitar, para se apoiar na criatividade e no conhecimento desses explorados é que temos essa lição de Stalin, baseado no exemplo do grande Lênin, no qual, para todos aqueles que quiserem ser um Comunista, é necessário mais que ler, é necessário praticar conscientemente.

Os créditos desse texto, bem como a sua origem estão descritos abaixo:

Primeira Edição: Discurso pronunciado na solenidade organizada pelos alunos da Escola Militar do Kremlin, a 28 de janeiro de 1924.
Fonte: Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 32- Jan-Fev de 1951.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo, Novembro 2008.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Lênin - a Águia das Montanhas

J. Stálin - 28 de Janeiro de 1924

CAMARADAS: Comunicaram-me que haveis organizado uma solenidade dedicada à memória de Lênin e que eu era um dos oradores que haviam sido convidados. Acho que não é preciso fazer uma exposição sistematizada das atividades de Lênin. Creio preferível limitar-me a uma serie de fatos que façam ressaltar certas particularidades de Lênin como homem e como político. Talvez não haja relação interna entre estes fatos, mas isto não pode ter uma importância decisiva para quem queira formar uma idéia geral sobre Lênin. Em todo caso, apenas não tenho, neste momento, a possibilidade de dar-vos mais do que acabo de prometer-vos.