quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Sonetinho Bradesquiano

www.bancarioserechim.com.br
Luís Vaz de Goa e Macau

Dia após dia somos inundados pelas notícias que tanto e tanto abundam em todos os noticiários, à direita e à direita, sobre os novos nomes que eventualmente virão a compor um futuro ministério do 2º mandato. Da Globo, Folha, Estadão à Carta Capital, Carta Maior e Brasil 247 as novidades são unânimes: Dilma, fiel à sua campanha publicitária, pretende nomear o verdadeiro Ministério Anti-Itaú!

Sabedores que somos do apreço da presidente Dilma pela obra de meu homônimo antepassado, apreço este apenas sobrepujado pelo outro valor mais alto (do Bradesco) que se alevanta, permiti-me cometer o pequeno soneto abaixo:

Doze anos de pastor PT servia
Brandão, pai de Trabuco, banqueira bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la:
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Trabuco lhe deu o Levy.

Vendo o triste PT que com enganos
Assim lhe era negada a sua banqueira,
Como se a não tivera merecida,

Começou a servir outros quatro anos,
Dizendo: - Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

Falta, no entanto, a este pobre poeta o suficiente domínio da arte para incluir os necessários versos adicionais sobre a Miss Desmatamento e Rainha do Latifúndio, a Senadora Kátia Abreu, que, a serem certas as notícias, também compartilhará o Ministério com o donatário e também senador Armando Monteiro, grão-mestre da tão sofrida indústria nacional.

Diferente do antepassado que canta os feitos do ilustre peito lusitano, agora cabe alertar: “A que novos desastres determinas / De levar estes Reinos e esta gente? / Que perigos, que mortes lhe destinas / Debaixo dalgum nome preminente?”.


E mais que alertar, cabe denunciar. Denunciar a política do PT a serviço da burguesia, que tenta enganar os operários e as massas populares. Denunciar para resistir. Resistir nas ruas junto com as lutas das classes dominadas. E para bem resistir, organizar. Organizar e reconstruir o instrumento dessa luta: o partido revolucionário da classe operária. O Partido Comunista.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Teses sobre a conjuntura nacional


No começo deste ano, o Blog Cem Flores publicou um documento sobre a conjuntura internacional para a discussão com nossos camaradas e leitores, “A Crise do Imperialismo ‘Globaliza’ o Acirramento da Luta de Classes” (http://cemflores.blogspot.com.br/2014/01/a-crise-do-imperialismo-globaliza-o.html#more). Dos debates que se seguiram, ficou evidente a necessidade de um esforço similar para a avaliação da conjuntura nacional, com o desenvolvimento, a atualização e a crítica das nossas próprias formulações anteriores.

A partir dessa constatação foi elaborado o documento a seguir, na tentativa de contribuir com a discussão sobre a conjuntura brasileira com nossos camaradas e leitores, buscando analisar tanto os fatos mais atuais dessa conjuntura quanto seus condicionantes “estruturais”. Esse documento sobre a conjuntura brasileira, que se inicia nesta postagem, será seguido de outras três postagens sequenciais. A primeira, abaixo, inicia com o acompanhamento da evolução dessa conjuntura neste ano, a partir da última divulgação do PIB, avaliando o desempenho mais recente da economia brasileira, sendo seguida dos traços mais gerais da nossa formulação, tanto da crise do imperialismo, quanto da regressão a uma situação colonial de novo tipo.

Os posts seguintes trarão nossas análises sobre a desindustrialização e sobre a reprimarização, tendências constitutivas da já mencionada regressão, finalizando com a avaliação dos impactos dessa conjuntura sobre as condições da classe operária e demais classes exploradas.

Blog Cem Flores


Brasil: Crise e Regressão (Parte 1)

“A intelectualidade socialista só poderá pensar num trabalho fecundo quando acabar com as ilusões e passar a buscar apoio no desenvolvimento real e não no desenvolvimento desejável da Rússia, nas relações socioeconômicas efetivas e não nas prováveis. Seu trabalho TEÓRICO deverá, ademais, encaminhar-se para o estudo concreto de todas as formas de antagonismo econômico existentes na Rússia, ao estudo de sua conexão e de seu desenvolvimento consecutivo; deverá colocar a nu este antagonismo em todas as partes onde esteja encoberto pela história política, pelas peculiaridades do ordenamento jurídico e pelos preconceitos teóricos estabelecidos. Deverá oferecer um quadro completo da nossa realidade como sistema determinado de relações de produção, assinalar a necessidade da exploração e da expropriação dos trabalhadores neste sistema, assinalar a saída desta ordem das coisas, indicada pelo desenvolvimento económico.
Esta teoria, baseada no estudo detalhado e minucioso da história e da realidade russas, deve dar resposta às demandas do proletariado, e se satisfizer as exigências científicas, todo o despertar do pensamento rebelde do proletariado conduzirá inevitavelmente este pensamento ao leito da socialdemocracia. Quanto mais progrida a elaboração desta teoria tanto mais rápido será o crescimento da socialdemocracia…”.
LÊNIN[1]

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

AGORA... A CRISE DO GOVERNO DILMA, OU GOVERNANDO COM O ESGOTO A CÉU ABERTO II.

As eleições neste ano à presidência da República expressaram a contradição no interior da classe dominante quanto ao melhor caminho para enfrentar a crise que vive o Brasil. A questão é se o bloco de partidos composto pelo PT – PC do B, PP e, como força dominante, o PMDB - tem condições de manter as classes dominadas sob controle, aplicando a política econômica imposta pelo agravamento da crise econômica mundial e seu desenvolvimento, os novos rearranjos em curso decorrentes dessa crise e suas consequências sobre o lugar que o Brasil ocupa nela, no sistema da economia mundial.

A vitória de Dilma se deveu muito mais aos votos da enorme “superpopulação relativa” criada pela forma específica em que se deu o desenvolvimento do capitalismo aqui, no Brasil, e mantida quieta, “em seu lugar”, pela Bolsa Família e demais programas de contenção da luta de classes, do que ao voto da “classe média” criada pelos governos do PT e que até Delfim Netto qualificou como “generosa miragem”[1]. Deveu-se ainda ao fato de que a fração dominante da classe dominante tenha se decidido em dar continuidade à política iniciada no governo Lula como melhor forma de enfrentar a conjuntura de crise.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Caiu a máscara de Dilma Rousseff do PT.

A presidente reeleita Dilma Rousseff, do PT, não esperou muito para retirar a máscara de candidata popular e confirmar a quem pretende continuar servindo em seu novo mandato. No discurso realizado logo após o resultado das eleições afirmou:

“Estou disposta a abrir um grande espaço de diálogo com todos os setores da sociedade para encontrarmos as soluções mais rápidas para os nossos problemas.
Vamos dar mais impulso à atividade econômica em todos os setores, em especial no setor industrial. Quero a parceria de todos os segmentos, setores, áreas, produtivos e financeiros, nessa tarefa, que é responsabilidade de cada um de nós, brasileiros e brasileiras.” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/192720-leia-a-integra-do-discurso-da-presidente.shtml)

Pode ser que não tenha sido explícita o suficiente para os interesses da burguesia. Assim, para não deixar dúvidas de seu compromisso com as classes dominantes, a presidente reforçou, um dia depois das eleições, em entrevista ao Jornal Nacional da Rede Globo:

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Dilma ou Aécio? Direito de resposta a uma falsa questão. Ou: organizar as lutas da classe operária e dos trabalhadores.

O “debate” eleitoral passou ao largo das verdadeiras medidas econômicas e sociais que estão em discussão e deverão ser tomadas pelo governo a partir de 2015, seja ele qual for. Na verdade, não se discute se haverá ou não um ajuste recessivo, anti-trabalhador, mas “apenas” como este “ajuste” será operacionalizado, concretizado.

As eleições de 2014 tratam de atualizar o programa de classe da burguesia, numa conjuntura internacional marcada por um largo período de crise do imperialismo, desde 2007, sem sinais de reversão, com baixo crescimento econômico (quando muito!) nos principais países imperialistas e maior concorrência na economia mundial, com queda nos preços das commodities exportadas pelo Brasil e paralisia econômica no país.

A dissimulação das medidas reais a serem adotadas é um dos pontos em comum entre as duas candidaturas no 2º turno, indicativo de seu compromisso com as classes dominantes, que a “agressividade” dos discursos das campanhas cumpre a função de ofuscar. Além disso, a convergência entre o programa dos dois candidatos pode chegar inclusive ao detalhamento das medidas de “ajuste”.

domingo, 5 de outubro de 2014

Novo número de O Comuneiro.

Foi publicado um novo numero da revista eletrônica O Comuneiro dirigida por Ângelo Novo e Ronaldo Fonseca. Não há dúvida, em nossa opinião, de que O Comuneiro foi e é um importante instrumento para manter o debate em torno da teoria revolucionária em Portugal e no Brasil, principalmente no período em que a ideologia do imperialismo se encontrava na ofensiva da luta de classes. Reproduzimos abaixo o parágrafo inicial da introdução a esse número da revista que pode ser acessada nesse link (http://www.ocomuneiro.com/nr19_01_Introducao.html).


“A Europa será finalmente alemã ou desfar-se-á? Haverá ainda um último fôlego para a social-democracia, reunida em torno do eixo Piketty-Montebourg? O fascismo é cão que ladra mas não morde? O imperialismo norte-americano tem ainda determinação e meios capazes para dar sequência à sua soberba mediática com agressões efetivas e em profundidade, para lá de alguns adversários de cenário e circunstância por si próprio criados? Caminhamos para um mundo multipolar? O livre-cambismo globalista estará à beira da derrocada? Estamos no limiar de uma nova crise “financeira”? Até quando poderá ela ser postergada por extensão da massa monetária e desdobramento do capital fictício? Para onde se dirige a classe operária chinesa? E a grande massa das classes populares e assalariadas nos países do capitalismo clássico, sujeitas ao austeritarismo? O socialismo do século XXI sairá finalmente do seu berço latino-americano? Qual será o impacto demográfico e político da crise alimentar e climática nos países da periferia africana e asiática? Tantas perguntas, tantos anseios...”

domingo, 28 de setembro de 2014

Elogio do Comunismo

Ele é razoável. Todos o compreendem. Ele é simples.
Você, por certo, não é nenhum explorador.
Você pode entendê-lo.
Ele é bom para você. Informe-se sobre ele.
Os idiotas dizem-no idiota e os porcos dizem-no porco.
Ele é contra a sujeira e contra a estupidez.
Os exploradores dizem-no um crime, 
mas nós sabemos
que ele é o fim dos crimes;
ele não é a loucura e sim
o fim da loucura.
Não é o caos e sim
uma nova ordem.
Ele é a simplicidade.
O difícil de fazer. 

Bertolt Brecht

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Notas sobre a conjuntura da luta de classes e as eleições de 2014

O blog Marxismo21 publicou um dossiê com o tema Esquerdas, eleições e transformações estruturais da sociedade brasileira. O coletivo do blog Cem Flores elaborou para esse dossiê o artigo que abaixo reproduzimos, com o intuito de estimular o debate sobre a conjuntura da luta de classes no Brasil. O original do artigo do Cem Flores publicado em Marxismo21 pode ser acessado em pdf aqui.

Notas sobre a conjuntura da luta de classes e as eleições de 2014
O Coletivo do Blog Cem Flores (http://cemflores.blogspot.com.br/) saúda a iniciativa dos camaradas do Blog marxismo21 de incentivar o debate das transformações estruturais da sociedade brasileira e as eleições entre a diversidade de posições presentes pelo largo espectro político e ideológico das esquerdas. Nossa contribuição segue o roteiro sugerido por marxismo21.
1. O projeto de governo hegemonizado pelo PT teria se esgotado?
Uma resposta a este questionamento, em nosso entendimento, deve analisar as diferentes perspectivas das classes sociais na conjuntura da luta de classes no Brasil.

domingo, 24 de agosto de 2014

Genocídio começa com o silêncio do mundo. “Nunca mais” deve significar NUNCA MAIS PARA NINGUÉM !

Com o fracasso das negociações de paz no Egito, recomeçaram os confrontos na Faixa de Gaza. A morte de uma criança de quatro anos em Israel reacendeu o clamor de vingança do governo israelense. Mas o que dizer das quase 500 crianças mortas em Gaza?

Há alguns dias, os principais jornais dos Estados Unidos publicaram uma propaganda de página inteira, assinada pelo Prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel, em que ele iguala a civilização ocidental às suas origens religiosas, reduz a luta de libertação nacional da Palestina ao Hamas, e os compara aos nazistas[1]. Para a direita israelense, assim como sua congênere nos EUA e nos demais países imperialistas, é bastante apropriado manter esse “conflito” (palavra neutra que permite esconder a assimetria entre as partes e ocultar o opressor) apenas sob sua aparência religiosa ou, como diz Wiesel, como “a batalha da civilização contra a barbárie”.

 

Estaríamos testemunhando um confronto entre o “povo escolhido”, na “terra prometida”, e seus ocupantes. Ou, pelo outro lado, entre fieis e infiéis. Nesse “conflito religioso”, todos têm razão, partindo de seus livros “sagrados”. O que é o mesmo que dizer que ninguém tem razão.

domingo, 10 de agosto de 2014

A Causa da Resistência Palestina se Fortalece!

Lutar, fracassar, voltar a lutar, fracassar de novo, voltar outra vez a lutar, e assim até a vitória: esta é a lógica do povo” (Mao Tsé-Tung)[i].

A invasão israelense à Faixa de Gaza já dura mais de um mês. Depois de breves cessar-fogo, os ataques continuam. Seu saldo, até agora, é o massacre de duas mil pessoas, em sua maioria absoluta civis, dos quais mais de 400 crianças; dez mil feridos e pouco menos de meio milhão de pessoas refugiadas e deslocadas de suas casas. A infraestrutura do país está em grande parte destruída, incluindo a única usina de energia elétrica, diversas escolas, hospitais, centenas de prédios residenciais e comerciais. Faltam luz, água, alimentos e remédios.

E ainda assim, eles resistem.


domingo, 20 de julho de 2014

VIVA A HERÓICA RESISTÊNCIA DO POVO PALESTINO!

Lutar, Resistir e Expulsar as Tropas Invasoras: Fora Israel da Palestina!


Existir é Resistir”, grita o lado palestino do muro construído pelo regime do apartheid israelense. http://mariangelaberquo.blogspot.com.br/2012/12/teatro-da-liberdade-de-jenin-lava-alma.html

Mais uma vez, a máquina de guerra do estado israelense, com todo o apoio do imperialismo dos Estados Unidos, promove a destruição sistemática na Faixa de Gaza e o assassinato indiscriminado da população civil. Depois dos disparos de artilharia e dos ataques das forças aéreas e marítimas, iniciados em 8 de julho, as forças armadas israelenses iniciaram a invasão do território palestino no último dia 17, ação que culminou – até agora – com o massacre de Shajaya, bairro do subúrbio da Cidade de Gaza, no domingo, dia 20, no qual estimativas conservadoras já apontam para entre 60 e 100 mortos. A conta do morticínio israelense, em menos de duas semanas de ataques, já supera 400 assassinados (dos quais aproximadamente 100 crianças), 2.600 feridos e outros milhares de refugiados, cujas casas foram destruídas.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Lenin - Sobre as Greves

 Sobre as Greves

V. I. Lênin
Primeira Edição: Escrito em fins de 1899. Publicado pela primeira vez em 1924, na revista Proletarskaia Revoliutsia (A Revolução Proletária). N.° 8/9. Encontra-se in Obras, t. IV, págs. 286/295.

Nos últimos anos, as greves operárias são extraordinariamente frequentes na Rússia. Não existe nenhuma província industrial onde não tenha havido várias greves. Quanto às grandes cidades, as greves não cessam. Compreende-se, pois, que os operários conscientes e os socialistas se coloquem cada vez mais amiúde a questão do significado das greves, das maneiras de realizá-las e das tarefas que os socialistas se propõem ao participarem nelas.
Queremos tentar fazer uma exposição de algumas de nossas considerações sobre esses problemas. No primeiro artigo, pensamos falar do significado das greves no movimento operário em geral; no segundo, das leis russas contra as greves, e, no terceiro, de como se desenvolveram e desenvolvem as greves na Rússia e qual deve ser a atitude dos operários conscientes diante delas.

sábado, 10 de maio de 2014

09/05/2014. 69 anos da vitória soviética contra o nazifascismo.

Em comemoração ao 09/05, dia da vitória soviética contra o nazifascismo, reproduzimos abaixo (por sugestão de um colaborador) um poema de Carlos Drummond de Andrade.


A NOITE DISSOLVE OS HOMENS

A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.

A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os guerreiros.

E o amor não abre caminho na noite.
A noite é mortal, completa, sem reticências,
a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
nas suas fardas.

A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.

Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
e dos bens que repartirás com todos os homens.

Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.

O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus dedos,
teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que avançam
na escuridão como um sinal verde e peremptório.

Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua vinda.

O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um perdão
simples e macio...

Havemos de amanhecer.
O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

196 anos do nascimento de KARL MARX.

"Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; porém, o que importa é transformá-lo".

Karl Heinrich Marx.
05 de maio de 1818.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Cinquenta Anos Depois: os Comunistas e o Golpe de 1964

Pedro Alves

Da histórica foto acima, tirada durante a Passeata dos 100 Mil no Rio de Janeiro, em junho de 1968, a luta de classes no Brasil realizou até agora apenas a primeira parte da frase, com o término da ditadura em 1985, após 21 anos, e sua substituição por uma democracia burguesa. Realizar a segunda parte da frase caberá ao próprio povo, encabeçado pela classe operária, dirigida por seu Partido Comunista.

Nas últimas semanas, vimos, ouvimos, lemos por todos os lados sobre o golpe de Estado de 1964 e sobre as duas décadas de ditadura que se seguiram: programas e entrevistas nos meios de comunicação; matérias em jornais, sites e blogs; palestras, debates e seminários nas universidades; projeções de filmes, lançamentos de livros. Nesses eventos, quase happenings, a abordagem hegemônica (e quase consensual) é a de uma grande confraternização universal[i]. Tudo se parece como se, terminada a ditadura e instaurada (ou restaurada) a democracia burguesa, todos os brasileiros estaríamos vivendo em um conto de fadas democrático: “felizes para sempre”.

Na nossa história fabricada, parece que o golpe foi apenas uma espécie de “putsch de Juiz de Fora”, com um general de capacete e cachimbo do Popeye marchando sozinho com suas tropas, e não um golpe de Estado promovido e financiado pelo fundamental da burguesia brasileira, com amplos estímulo da sua imprensa, apoio da classe média conservadora e suporte do imperialismo dos EUA. Assim, teria havido “apenas” uma ditadura (exclusivamente?) militar, e não uma ditadura de classe, da burguesia, a quem os militares, de fato, serviam.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Comentários sobre a Sobre a Situação Atual da Luta de Classes na Venezuela


Recebemos comentários acerca do artigo Sobre a Situação Atual da Luta de Classes na Venezuela publicado em 26 de março de 2014. O coletivo Cem Flores os considera relevantes, dando importância em sua divulgação por concordar com os mesmos e para estimular o debate acerca da posição.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Sobre a Situação Atual da Luta de Classes na Venezuela



A luta de classes na Venezuela tem se acirrado desde a morte de Hugo Chávez, faz pouco mais de um ano. Em 2014, e especialmente desde meados de fevereiro, os enfrentamentos mudaram de patamar. As ruas do país, em especial as da capital, Caracas, têm testemunhado manifestações de apoiadores do governo bolivariano, assim como de seus opositores, apoiados pelo imperialismo ianque, pelo poder econômico e pela grande imprensa. As manifestações tornaram-se mais violentas na medida em que as contradições se agravam.

Frente às ameaças de mais um golpe de Estado para o retorno ao poder dos setores da burguesia ligados ao imperialismo norte-americano, os mesmos que comandaram o país até 1998 e promoveram o golpe de 2002, o proletariado e as demais classes exploradas na Venezuela devem barrar, na luta, nas ruas, usando os meios que forem necessários, essa ofensiva da reação. Essa experiência de luta, de defesa de suas conquistas concretas, de confronto com os setores mais reacionários das classes exploradoras, deve possibilitar ao proletariado e demais classes exploradas na Venezuela que reforcem a sua organização e combatividade e sigam na ofensiva na luta de classes, superando os atuais limites anti-imperialistas do governo bolivariano e construindo seu caminho para o socialismo.

O blog Cem Flores expressa sua solidariedade internacionalista ao proletariado venezuelano, às demais classes exploradas e aos comunistas daquele país, em sua luta contra a tentativa de golpe da burguesia venezuelana apoiada pelo imperialismo dos Estados Unidos.

O blog Cem Flores também apoia o governo bolivariano de Nicolás Maduro contra as tentativas de golpe de Estado, contra o retorno das classes dominantes ao poder que detiveram até 1998.

Dada a importância dos eventos que se desenrolam na Venezuela para a luta de classes em toda a América Latina, publicamos para o debate com os camaradas e com os leitores do blog uma contribuição recebida de um camarada.

sábado, 22 de março de 2014

Comentários no blog sobre a situação na Ucrânia.

Recebemos dois comentários na postagem da charge que reproduzimos sobre a Ucrânia em 03 de março de 2014. O coletivo do Cem Flores considera importante sua divulgação por concordarmos, no fundamental, com as posições apresentadas. 
Como diz nosso colaborador anônimo "trata-se de uma disputa interimperialista, na qual a burguesia se divide, oscila entre os dois lados.
Dessa disputa não resultará nada de positivo para proletariado e demais classes dominadas da Ucrânia. O proletariado ucraniano, como o de todos os demais países, deve buscar sua organização independente para fazer frente à burguesia, seja ela ucraniana, russa, alemã ou americana".


Em 19 de março de 2014.

Caros camaradas,
Muito boa a charge que vocês reproduziram sobre a situação da Ucrânia. De fato, todas as notícias e indícios que consegui acompanhar na imprensa e em sítios e blogs sobre aquele país mostram participação efetiva de grupos neonazistas. Inclusive claramente identificados com a invasão hitlerista na II Guerra e com o combate ao Exército Vermelho e a URSS. E agora com os ataques a militantes e instalações do PC da Ucrânia. 


quarta-feira, 19 de março de 2014

A LIBERTAÇÃO DA MULHER É UMA NECESSIDADE DA REVOLUÇÃO, GARANTIA DA SUA CONTINUIDADE, CONDIÇÃO DO SEU TRIUNFO


O coletivo Cem Flores apresenta um texto em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Trata-se de uma intervenção do Presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), Camarada Samora MacheI, na I Conferência Nacional da Mulher Moçambicana, realizada em 4 de Março de 1973. Nesse discurso, que virou um documento de orientação para o trabalho de base da FRELIMO, o Camarada Samora Machel destaca um aspecto crucial da luta pela emancipação da mulher: o de que a contradição principal não é entre homens e mulheres, mas sim entre explorados e exploradores e que a luta da mulher necessariamente é a luta pela construção da revolução.




quarta-feira, 12 de março de 2014

Mais uma Reunião do Comitê Central da Burguesia



A história acontece novamente. E como sabemos todos, a tragédia vira farsa. Sai Dilma, entra Mantega. Sai a pompa da sala de reuniões presidencial do Palácio do Planalto e entra a representação do Ministério da Fazenda em São Paulo. Tal qual março de 2012, o março de 2014 está presenciando mais uma infindável peregrinação do governo do PT ao altar de Mamon.

Como os leitores deste blog Cem Flores já devem ter percebido, trata-se de mais uma rodada de reuniões entre o governo petista e a burguesia brasileira. A burguesia determina quais as medidas cabe ao seu governo implantar, visando ampliar a acumulação do capital e as taxas de lucro. O governo de plantão trata de encontrar as formas institucionais de cumprir as determinações de seus patrões. Uma análise concreta e exemplificativa desse fato está no nosso post “Como o Comitê Central da Burguesia Decide as Medidas de Política Econômica” (http://cemflores.blogspot.com.br/2012/07/como-o-comite-central-da-burguesia.html).

Diante da mediocridade das taxas de crescimento do país no governo Dilma – resultado das novas condições de acumulação de capital na economia mundial nesses seis anos de crise do imperialismo, implicando alterações na divisão internacional do trabalho e os impactos dessas modificações sobre o Brasil– a burguesia exige cada vez mais do seu governo.