quinta-feira, 16 de julho de 2015

Comunicado do CC do KKE acerca do novo acordo-memorando.

Reproduzimos abaixo comunicado do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre os acordos estabelecidos entre o governo grego e a troika (Banco Central Europeu, FMI e União Europeia). Nosso objetivo com essa publicação é aprofundar a compreensão dos fatos nesse país, buscando analisa-los a partir de uma perspectiva de classe, marxista.

A análise da crise na Grécia (e no Brasil também), como desdobramento da crise do imperialismo, do ponto de vista do marxismo, nos possibilita compreender a impossibilidade de soluções paliativas, burguesas, de conciliação, que atendam aos interesses da burguesia e do proletariado ao mesmo tempo, a exemplo do que defendem (e sempre defenderam) o SYRIZA por lá e o PT por aqui (com o apoio aqui e lá dos reformistas iludidos de sempre).

Para o povo, a “solução” à crise que a burguesia indica é ampliar a exploração e a dominação a que estão submetidos, aumentando a miséria e a fome de milhões para atender a imperiosa necessidade do capital em tentar retomar a taxa de lucro mesmo que a custa da barbárie.

Porém, a conjuntura atual nos mostra ainda que a única alternativa possível à crise e a tudo o que ela representa no aprofundamento da exploração e da dominação capitalista em todo o mundo, é a revolução. É essa a tarefa urgente! Construir as condições para, com a revolução, barrar a barbárie que a crise do imperialismo impõe aos povos de todo o mundo.


Comunicado do CC do KKE acerca do novo acordo-memorando.

1. O KKE conclama os trabalhadores, empregados, as camadas populares pobres, os pensionistas, desempregados e jovens a dizerem um real e inflexível grande NÃO ao acordo-memorando, o qual foi assinado pela coligação governamental SYRIZA-ANEL com a UE-BCE-FMI e a combater contra as medidas selvagens nele incluídas nas ruas e nos locais de trabalho. Estas medidas serão acrescentadas às medidas bárbaras do memorando anterior. Devem organizar o seu contra-ataque para  que o povo não seja conduzido à bancarrota completa. Que fortaleçam o movimento operário, a aliança do povo, de modo a que possam abrir caminho para o povo ser libertado de uma vez para sempre do poder do capital e das uniões imperialistas que estão a levar-nos para uma barbárie cada vez maior.

Nem um dia, nem uma hora devem ser desperdiçados. Agora, sem tardança, a atividade do povo deve ser intensificada dentro de lugares de trabalho, fábricas, hospitais, serviços, bairros, sindicatos, por comités populares e comités de solidariedade social e assistência. O acordo levará a uma nova redução significativa do rendimento do povo e ao esmagamento dos direitos populares. Ele legitima e dá sinal verde a demissões, à expansão do trabalho não pago, ao férias compulsórias e outras medidas anti-trabalhadores, as quais têm sido adotadas pelo grande patronato no período recente, aproveitando as restrições sobre transações bancárias.

terça-feira, 7 de julho de 2015

E os operários disseram: NÃO!


E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução. [1]

Na última sexta-feira, 3 de julho, a esmagadora maioria dos operários da fábrica da Mercedes-Benz de São Bernardo votou: NÃO!

A votação secreta, em urna (e não nas tradicionais assembleias), era sobre a proposta da “Troika brasileira”[2] – união de interesses e de ação entre governo, patrões e sindicatos pelegos – de redução dos salários, neste e nos próximos anos. E os operários disseram: NÃO!

Essa votação, no entanto, não foi um evento isolado. Ela deve ser entendida no contexto da crise econômica (crise do capital) pela qual atravessa a economia brasileira e dos interesses antagônicos das classes (luta de classes), agravados pela crise.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Lenin: En los Primeros Dias de Octubre

Se você não conseguir visualizar o livro, clique aqui.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Viva o 1º de Maio! Viva o Dia Internacional dos Trabalhadores!

Em comemoração ao Dia Internacional dos Trabalhadores o Coletivo Cem Flores preparou o vídeo abaixo como homenagem àqueles que constroem esse mundo e que um dia serão os donos dele.


Viva o 1º de Maio! Viva o Dia Internacional dos Trabalhadores!



Pode-se acessar o vídeo no Youtube
https://www.youtube.com/watch?v=b9ngiUitenE

ou no Facebook
https://www.facebook.com/CemFloresDesabrochem/videos/889531021106340/?pnref=story


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Inês Etienne Romeu: uma exemplo de revolucionária.



É com imenso pesar que o coletivo Cem Flores informa o falecimento hoje da revolucionária Inês Etienne Romeu. Sua vida, desde os primeiros anos de juventude até seus últimos dias, foi um exemplo de dedicação à luta de nosso povo. Seu nome nunca será esquecido entre aqueles que lutam para construir a verdadeira libertação do povo brasileiro.
Inês estará sempre presente por seu exemplo de vida em nossa memória.

Indicamos ainda, nessa homenagem a Inês Etienne Romeu, o depoimento de familiares e amigos da guerrilheira à Comissão Nacional da Verdade, que mostram toda a valentia de sua vida heróica. Acessem no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=MCxW3W0Qu9w






segunda-feira, 20 de abril de 2015

EM NOME DA RAZÃO? MARXISMO, RACIONALISMO, IRRACIONALISMO - Étienne Balibar

Apresentação.
"Em nome da razão? Marxismo, racionalismo, irracionalismo" é um texto de 1976 do filósofo e então comunista francês Étienne Balibar.

O texto possui, a nosso ver, uma dupla atualidade. Em primeiro lugar, por trazer uma reflexão sobre o problema teórico e político da luta ideológica no capitalismo "em geral". Ou, mais precisamente, entre o marxismo e a ideologia burguesa e suas diversas variantes. Essa luta é uma das frentes e formas da luta de classes que, como mostra o autor, não pode ser menosprezada, nem, por outro lado, isolada na prática revolucionária.
Em segundo lugar, para nossa conjuntura de crise imperialista, é atual pelo fato do autor partir do seguinte questionamento: como praticar essa luta ideológica, através da posição revolucionária, em períodos de crise capitalista? Isso porque nas crises a ideologia dominante tende a sofrer significativas modificações, apresentando inclusive algumas temáticas e questões a primeira vista "revolucionárias" (exemplo: crítica do "crescimento econômico" ou das "instituições burguesas"). Apesar dos exemplos dessas modificações dizerem respeito, no texto, à época e contexto do autor, vários deles são ainda pertinentes hoje, ou mesmo se radicalizaram na crise atual.

Nesse texto Balibar  traz especificamente a temática do racionalismo e seu aparente oposto (irracionalismo), e sua relação com o marxismo. O racionalismo, como o autor demonstra, foi e é a fundamentação (ideológica) do mundo burguês, desde sua luta contra o obscurantismo feudal. Como diz Balibar, é a "filosofia dominante" do mundo moderno. Mesmo seus avanços para o materialismo estiveram "condicionados", em última instância, pela necessidade prática e política da burguesia na consolidação das relações de produção capitalista.
No entanto, os períodos de crise fazem surgir "subprodutos" da ideologia burguesa que aparentam ser "anti-capitalista" e possuem um caráter pessimista-irracional (de direita, ou de “esquerda”; entre os intelectuais, ou entre as massas). Essas "inversões mecânicas" na ideologia dominante, como diz o autor, precisam ser compreendidas a fundo, em suas bases materiais e históricas, a fim de travar a luta ideológica através da posição revolucionária. Caso contrário, os marxistas tenderão a tomar essas inversões como reais rupturas, ou até combater o irracionalismo como inimigo principal (muitas vezes identificado ao nazi-fascismo e à burguesia em decadência) e identificando automaticamente o marxismo com o racionalismo.
Mas o quão o irracionalismo seria útil ao sistema em crise? O proletariado seria o paladino do racionalismo? O marxismo seria um ou o racionalismo?
Balibar basicamente expõe e polemiza com as posições em jogo nesse campo. Relacionando ideologia, ciência e sociedade burguesa em suas diferentes conjunturas de luta de classes e da luta entre o materialismo e idealismo, ele consegue recolocar e reposicionar diversas questões com fundamento nos pilares do marxismo. Mostra um quadro complexo, muitas vezes paradoxal e marcado por lutas de duas frentes, imperioso de ser entendido e debatido pelos comunistas a fim de uma intervenção justa. Afinal, como diz o mesmo, é essa intervenção que será, ao fim e ao cabo, a resolução daquilo que a ideologia burguesa aponta como beco sem saída (exatamente por ser beco sem saída para esse sistema e suas classes dirigentes).

terça-feira, 14 de abril de 2015

Eduardo Galeano: presente!

Reproduzimos abaixo, como homenagem ao grande escritor que faleceu ontem em Montevidéu, Uruguai, a introdução do seu livro As Veias Abertas da América Latina. 
Essa obra, de 1971, é uma profunda denúncia da colonização mercantilista/imperialista que caracterizou (e ainda caracteriza) a história de nosso continente. Segue extremamente atual.
Conhecer nossa realidade como ela concretamente é, e não como a ideologia burguesa busca apresenta-la é a garantia de construir o futuro que queremos. Como afirma Galeano nessa introdução: "A história é um profeta com o olhar voltado para trás: pelo que foi e contra o que foi, anuncia o que será".

*  *  *

CENTO E VINTE MILHÕES DE CRIANÇAS NO CENTRO DA TORMENTA

Eduardo Galeano
Introdução ao livro As Veias Abertas da América Latina

Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta. Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçoou suas funções. Este já não é o reino das maravilhas, onde a realidade derrotava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus das conquistas, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como um serviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que ganham, consumindo-os, muito mais do que a América Latina ganha produzindo-os. São muito mais altos os impostos que cobram os compradores do que os preços que recebem os vendedores; e no final das contas, como declarou em julho de 1968 Covey T. Oliver, coordenador da Aliança para o Progresso, “falar de preços justos, atualmente, é um conceito medieval. Estamos em plena época da livre comercialização...” Quanto mais liberdade se outorga aos negócios, mais cárceres se torna necessário construir para aqueles que sofrem com os negócios. Nossos sistemas de inquisidores e carrascos não só funcionam para o mercado externo dominante; proporcionam também caudalosos mananciais de lucros que fluem dos empréstimos e inversões estrangeiras nos mercados internos dominados. “Ouve-se falar de concessões feitas pela América Latina ao capital estrangeiro, mas não de concessões feitas pelos Estados Unidos ao capital de outros países... É que nós não fazemos concessões”, advertia, lá por 1913, o presidente norte-ameiricano Woodrow Wilson, Ele estava certo: “Um país - dizia - é possuído e dominado pelo capital que nele se tenha investido.” E tinha razão. Na caminhada, até perdemos o direito de chamarmo-nos americanos, ainda que os haitianos e os cubanos já aparecessem na História como povos novos, um século antes de os peregrinos do Mayflower se estabelecerem nas costas de Plymouth. Agora, a América é, para o mundo, nada mais do que os Estados Unidos: nós habitamos, no máximo, numa sub-América, numa América de segunda classe, de nebulosa identificação.

terça-feira, 3 de março de 2015

A Tática de Luta de Classe do Proletariado

Camaradas,

Publicamos abaixo, do artigo de Lênin “Karl Marx”, de 1914, o capítulo “A Tática de Luta de Classe do Proletariado”.

Esse texto se soma a outros já publicados no blog, como Sobre as Greves, com o objetivo de destacar a ofensiva da luta das massas exploradas no Brasil e a necessidade da resistência operária frente a sua exploração pela burguesia; e o recém publicado sobre a greve dos operários da Volks-Anchieta A Luta Operária Contra a Exploração Capitalista e o Sindicalismo de Parceria com o Capital e o Governo onde demonstramos que, a partir do exemplo da luta dos operários dessa montadora, existem

“duas posições distintas: a da direção sindical, de viabilizar a redução dos custos salariais e o aumento dos lucros dos patrões, apresentados como garantia do emprego, comprovando na prática, mais uma vez, o seu peleguismo; e a da classe operária, centrada na luta e enfrentamento da exploração.”

Nossa intenção com o conjunto desses textos é destacar a possibilidade e a necessidade do desenvolvimento da posição proletária na luta da classe operária, da resistência dos trabalhadores aos interesses do capital a partir de sua situação concreta, desenvolvimento que se dá, entre outras coisas, no aprofundamento da crítica à prática tanto dos pelegos quanto dos esquerdistas que tentam rebaixar a luta dos trabalhadores para o campo do reformismo, do cretinismo parlamentar, do dogmatismo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A Luta Operária Contra a Exploração Capitalista e o Sindicalismo de Parceria com o Capital e o Governo


“Se em seus conflitos diários com o capital cedessem covardemente ficariam os operários, por certo, desclassificados para empreender outros movimentos de maior envergadura.” (Marx)[1]

“Cada greve lembra aos capitalistas que os verdadeiros donos não são eles, e sim os operários, que proclamam seus direitos com força crescente. Cada greve lembra aos operários que sua situação não é desesperada e que não estão sós. Vejam que enorme influência exerce uma greve tanto sobre os grevistas como sobre os operários das fábricas vizinhas ou próximas, ou das fábricas do mesmo ramo industrial.” (Lênin)[2]

O fato político mais importante deste início do ano foi, sem dúvida, a greve de 11 dias consecutivos (6 a 16 de janeiro) dos operários da Volkswagen (Anchieta) de São Bernardo do Campo. A última greve realizada na Volks-Anchieta aconteceu em setembro de 2006, assim como hoje, contra a demissão, à época, de 3.600 trabalhadores.

A unanimidade das correntes políticas sindicais consideraram a greve como uma vitória. Podemos, realmente, falar em vitória da greve? O que significa, para a classe operária, a vitória em uma greve? Melhor dizendo, quais os sentidos da greve para a luta operária? Uma resposta a estas questões deve assumir, do nosso ponto de vista, a perspectiva da classe operária, situar-se da posição dos operários na conjuntura da luta de classes.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Brasil: Crise e Regressão (Parte 3)


Postamos abaixo a terceira parte (de um total de quatro) da sequência de publicações sobre a conjuntura econômica brasileira, analisando os desdobramentos em nossa formação da crise do imperialismo e dos rearranjos da economia mundial, e seus impactos nas classes dominadas. Nesse documento abordamos a tendência de reprimarização e especialização na produção de commodities para exportação.
A primeira parte do documento pode ser acessada aqui (http://cemflores.blogspot.com.br/2014/11/teses-sobre-conjuntura-nacional.html) e a segunda parte aqui (http://cemflores.blogspot.com.br/2014/12/brasil-crise-e-regressao-parte-2.html).

V. Reprimarização

“constituição de um setor agroindustrial voltado à exportação. Na exportação de commodities minerais. Assim, o pólo dinâmico da economia se transfere para setores voltados à exportação. Portanto, um conjunto de setores que se realizam no exterior. No geral, setores de elaboração de produtos primários. Ou seja, os novos setores dinâmicos têm seu ciclo produtivo concluído no exterior, realizado no exterior. Nesse sentido, o Brasil aprofunda a característica de país exportador de mercadorias intensivas em força de trabalho e derivadas da exploração de seus recursos naturais, baseando-se, para competir no mercado mundial, em sua disponibilidade de força de trabalho barata e de pouca qualidade. A especialização na produção e exportação de commodities é outra das características da regressão colonial”.
(Formação econômico-social brasileira: regressão a uma situação colonial de novo tipo, negritos nossos, https://sites.google.com/site/cemescolasrivalizem/home/textos-novos/Regress%C3%A3o.pdf?attredirects=0&d=1)

Também em relação à tendência de reprimarização da economia brasileira, com sua maior especialização na produção e exportação de commodities agropecuárias e minerais, apontadas no texto sobre regressão, a realidade do país nos últimos anos, reforçou as tendências apontadas em 2006. Não apenas o agronegócio e a extração mineral representam parcela expressiva da atividade econômica brasileira como as exportações e os fluxos líquidos de divisas são cada vez mais dependentes das vendas desses produtos básicos.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

E o Bradesco emplacou mais um!

Relembremos aos camaradas leitores deste blog Cem Flores, sumariamente, o enredo em questão: vencidas as eleições, Lula e Dilma decidem que, no segundo mandato de Dilma, o governo do PT precisaria explicitar (ainda mais!) sua submissão às classes dominantes. Para isso, concluem que nada melhor do que colocar um banqueiro no comando do governo, para realizar o, digamos, “ajuste”. Na verdade, uma baita recessão, com arrocho fiscal e monetário, reformas trabalhistas e aumento do desemprego. O governo do PT precisaria de um “primeiro-ministro” banqueiro, como bem sintetizou o petista desiludido André Singer[1].

Lula de imediato correu para seu velho parceiro Henrique Meirelles, ex-presidente do BankBoston, que foi presidente do Banco Central nos oito anos de Lula. Confortavelmente instalado na empresa monopolista transnacional do setor de carnes, Meirelles disse não.

A busca frenética continuou e, dessa vez, Lula e Dilma buscaram se socorrer no Bradesco. A opção seria o próprio presidente do banco, Trabuco. O patriarca do Bradesco, o quase nonagenário Lázaro Brandão, disse não. Não querendo, no entanto, perder a chance de comandar diretamente o governo, Brandão indicou seu funcionário Joaquim Levy.

Até ai já contamos essa história. Os camaradas podem ler todos os detalhes e uma avaliação sumária da crise econômica brasileira atual no post “Os Três Banqueiros, o PT e a Crise Econômica Brasileira”, de 7 de dezembro do ano passado (http://cemflores.blogspot.com.br/2014/12/o-tres-banqueiros-o-pt-e-crise.html).

Eis que nesta segunda-feira, dia 5 de janeiro, pudemos constatar, pela enésima vez, quão insaciável é a fome das classes dominantes pelo controle do seu aparelho de Estado. O Bradesco, não satisfeito com ter indicado o Ministro da Fazenda, indicou agora o número dois do ministério. Na cerimônia de transmissão do cargo, Joaquim Levy anunciou que o Secretário-Executivo do Ministério da Fazenda, também chamado de “vice-ministro”, será Tarcísio Godoy, que vem a ser, nada mais nada menos, que o Diretor do Bradesco Seguros e Previdência![2]

Ora, um governo dos banqueiros e pelos banqueiros, ao implantar sua política econômica, defenderá e beneficiará quais classes? A classe operária já sente essa questão na pele, com os mais de mil operários demitidos nesta semana apenas na Volkswagen e na Mercedes-Benz. A única resposta possível para a classe operária é sua mobilização e luta, como a atual greve na Volks e na Mercedes Benz, e sua organização política, reconstruindo seu partido revolucionário, o Partido Comunista!



[1] Ver a coluna “Muito Barulho por Nada”, na Folha de São Paulo de 06.12.2014, disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/andresinger/2014/12/1558491-muito-barulho-por-nada.shtml. A pérola da desilusão tem um excelente primeiro parágrafo: “Depois da tragédia, a farsa. Semana passada, foi melancólico ver a junta econômica assumir o poder em Brasília. Dilma Rousseff, como se fosse uma futura rainha da Inglaterra, ficou confinada em algum cômodo de Buckingham, enquanto o primeiro ministro, ladeado pelos auxiliares principais, anunciava o programa do próximo período em solenidade britanicamente fria” (negrito nosso).
[2] Ver perfil publicado por O Globo, em 06.01.2015, reproduzido pelo próprio Ministério da Fazenda em https://www1.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?page=&cod=1012974.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Discurso de Giorgos Marinos, membro da CP do CC do KKE (Partido Comunista da Grécia), no 16.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, no Equador.

Reproduzimos abaixo a intervenção do KKE no 16º Encontro Mundial de Partidos Comunistas, realizado de 13 a 16 de novembro de 2014, em Guayaquil, Equador. Nosso blog, no espírito de que cem flores desabrochem, cem escolas rivalizem, objetiva, com essa publicação, aprofundar o debate sobre a necessária retomada do movimento revolucionário no Brasil e no mundo. Acesse aqui o original e aqui a versão em pdf.



Caros camaradas,
Agradecemos ao Partido Comunista do Equador, anfitrião do 16.º Encontro Internacional e saudamos os partidos comunistas que nele participam. Expressamos a nossa solidariedade internacionalista ao povo do Equador e aos povos da América Latina, aos comunistas e aos movimentos populares  que estão a enfrentar a repressão estatal e os ataques e a perseguição anticomunistas. Declaramos a nossa vontade de intensificar os esforços para a libertação dos três militantes cubanos que ainda permanecem presos nos EUA.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A propaganda da diminuição da "desigualdade social" no Brasil e seu propósito ideológico.


“a coisa mais fácil, a coisa mais barata, o que custa menos para um governo é gastar dinheiro com o pobre, porque o pobre custa muito pouco para o Estado” (Lula, o cínico).[i]
O “debate eleitoral” em 2014, como não poderia deixar de ser, passou ao largo de questões realmente importantes para todos aqueles interessados numa verdadeira mudança das condições concretas de vida e de luta do povo brasileiro.[ii] Por exemplo, todos os candidatos aceitaram explicitamente a alegada diminuição da “desigualdade social” no Brasil, que seria fruto dos “programas sociais” como o Bolsa Família, cuja paternidade foi disputada à tapa pelos principais postulantes à vaga para a presidência.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Brasil: Crise e Regressão (Parte 2)


Na postagem anterior (http://cemflores.blogspot.com.br/2014/11/teses-sobre-conjuntura-nacional.html) demos início a uma sequência de publicações sobre a conjuntura econômica brasileira, os impactos da crise do imperialismo e dos rearranjos da economia mundial, a crise econômica que atravessamos atualmente e seus impactos nas classes dominadas.

Publicamos, abaixo, a segunda parte (de um total de quatro), que analisa um dos fenômenos constitutivos da regressão a uma situação colonial de novo tipo, a saber, a desindustrialização. Na postagem seguinte, analisaremos outro fenômeno constitutivo da regressão, a tendência de reprimarização e especialização na produção de commodities para exportação. A série terminará com uma quarta postagem, relativa aos impactos da crise econômica sobre a classe operária e demais trabalhadores.

IV. Desindustrialização

“a indústria sofreu um processo de reorganização em que perdeu não só setores industriais relevantes, como também elos de cadeias produtivas de segmentos industriais importantes, cedendo cada vez mais o papel de setor dinâmico que a indústria ocupava na economia para os setores do agronegócio, da mineração para exportação, para o setor de fabricação e montagem de bens de consumo ou partes desses bens para exportação em empresas de capital externo ou a ele associado”.
“formatação de uma nova estrutura industrial já não mais integrada horizontalmente e verticalmente pelo encerramento de um conjunto, ou de elos, parcelas das cadeias produtivas, de ramos de atividades industriais, segmentos industriais que se faziam desde a extração e manufatura de matérias primas e insumos ao produto final até o encerramento de setores da produção de bens de consumo, que assim passam a ser importados ou somente montados no país (nesse último caso, por monopólios estrangeiros). Com isso, perdem-se segmentos industriais relevantes ou rompem-se elos em cadeias produtivas. A desindustrialização é, portanto, um fenômeno constitutivo da regressão a uma situação colonial de novo tipo”. 
(Formação econômico-social brasileira: regressão a uma situação colonial de novo tipo, https://sites.google.com/site/cemescolasrivalizem/home/textos-novos/Regress%C3%A3o.pdf?attredirects=0&d=1)

Desde que escrevemos o texto sobre regressão, em 2006, a realidade parece confirmar, cada vez mais, o acerto das principais tendências nele apontadas. A indústria é o setor da economia mais afetado pela crise atual, bastando para isso uma olhada nas tabelas do IBGE reproduzidas na postagem anterior (http://cemflores.blogspot.com.br/2014/11/teses-sobre-conjuntura-nacional.html). Dentro do setor industrial se diferenciam claramente os desempenhos da indústria de transformação – especificamente sobre a qual recai a desindustrialização, fenômeno constitutivo da regressão a uma situação colonial de novo tipo – e da indústria extrativa mineral, produtora de commodities para exportação, principalmente minério de ferro e, crescentemente, petróleo, e “beneficiária”, digamos assim, da referida regressão.

domingo, 7 de dezembro de 2014

O Três Banqueiros, o PT e a Crise Econômica Brasileira


A crise econômica brasileira se agrava em 2014[1], com o país atravessando uma nova recessão, especialmente a atividade industrial. Os trabalhadores veem seus salários comidos pela inflação, seus empregos em risco com os lay-offs e as demissões, e suas conquistas ameaçadas pelo ajuste fiscal que se avizinha e por novas “reformas”. As ruas têm tudo para fervilhar em 2015...

Com esse cenário desenhado, Lula, Dilma e o PT viram sua condição de melhores gestores do aparelho de estado capitalista no Brasil ameaçada nas últimas eleições, realizadas nesse ambiente de recessão em agravamento, além da revelação de mais um multibilionário esgoto petista, desta vez na Petrobrás[2]. Diferentemente das outras três eleições ganhas pelo PT, desta vez houve ampliação das alianças opositoras ao governo, reforçando posições à direita (especialmente nos novos parlamentares eleitos ao Congresso Nacional), e a eleição presidencial terminou com estreita margem de 3,3%, a menor dentre as vencidas pelo PT[3].