sábado, 24 de janeiro de 2009

Sobre as cem flores

Poder-se-á perguntar: pode o Marxismo ser criticado, uma vez que a maioria das pessoas do nosso país o reconheceu já como ideologia orientadora? Com certeza. O Marxismo, como verdade científica que é, não teme a crítica. Se o Marxismo temesse as críticas e pudesse ser derrotado por elas, então ele não teria valor algum. Na realidade, não é o Marxismo criticado diariamente e de todas as maneiras possíveis pelos idealistas? Não é verdade que as pessoas que se atêm aos pontos de vista burgueses e pequeno-burgueses e que não desejam modificá-los criticam de todas as maneiras possíveis o Marxismo? Os marxistas não devem temer a crítica, venha ela de onde vier. Pelo contrário, devem temperar-se, desenvolver-se e conquistar novas posições no calor da crítica e na tormenta da luta. Lutar contra as idéias erradas é como uma vacina; o organismo humano fortalece a sua imunidade graças à ação da vacina. As plantas de estufa não podem ser robustas. A política de “Que cem flores desabrochem” e “Que cem escolas rivalizem”, longe de enfraquecer a posição orientadora do Marxismo no plano ideológico, pelo contrário, reforçá-la-á (...). ” (TSÉ-TUNG, Mao. Justa solução das contradições no seio do povo. In.: Obras Escolhidas. Vol. V, 2ª edição. Lisboa: Editora Vento de Leste, 1977, p. 490)

3 comentários:

Wander disse...

O marxismo continua e continuará a ser criticado.O motivo disso somente comprova a sua validade.
Ninguém critica mais ao positivismo, por exemplo. Ele já se mostrou inadequado para explicar e propor alternativas ao mundo presente e por isso não precisa mais ser lembrado. O contrário, no entanto, ocorre com o marxismo que paira sobre a atualidade como um sinal a alertar a humanidade sobre os descaminhos e desventuras que ela vem trilhando sob o capitalismo e apontar um caminho, que se mostra a cada dia como o único a ser trilhado para enfrentar esses graves problemas.
O marxismo continua vivo e assim permenecerá enquando iniqüidade for a palavra com que se defina os rumos da sociedade mundial.

Adhara disse...

Brilhante!!! É está a resposta àqueles que dizem que o marxisto está morto, que está falido. O marxismo está vivo e cada vez mais forte. Isso se deve muito a pessoas que fazem todo esforço em discutir o marxismo com seriedade e de forma científica, aquelas que não buscam a solução para crise capitalista e não querem lutar por um capitalismo humanitário, mais organizado, onde todos podemos ser felizes. A ciência marxista, esta ciência da classe operária e de todos os oprimidos, tem como objetivo sim colocar um fim em todas as crises capitalistas, mas seu caminho é cortar meu o mau pela raiz é acabar de vez com este sistema. Parabenizo a todos que aqui debatem e desejo muito que tenhamos coragem e vontade de estudar o marxismo e sermos verdadeiros marxistas em teoria... em prática...na vida de todo dia!

Adhara

Vantuir disse...

Olá,

Esse fragmento de texto de Mao Zedong faz a gente pensar... Inclusive, se lermos atentamente a passagem abaixo,

"Não é verdade que as pessoas que se atêm aos pontos de vista burgueses e pequeno-burgueses e que não desejam modificá-los criticam de todas as maneiras possíveis o Marxismo?"

Podemos ficar tentados a enxergar nesta afirmação apenas os ataques explícitos das posições burguesas (qualquer que seja sua variante, os diferentes “ismos”) ao marxismo.

Ora, em minha opinião, esse tipo de ataque é o mais 'fácil' de combater, essas posições são as mais fáceis de destruir, porque explícitas, usando para isso evidentemente o potencial crítico, quer dizer científico, do marxismo.

Mas creio também ser possível extrair dessa passagem pelo menos um outro aspecto, em minha opinião mais importante. Creio que os “(...) pontos de vista burgueses e pequeno-burgueses (...)” que as pessoas “(...) não desejam modifica[r] (...)” são verdadeiramente os maiores inimigos do avanço da posição marxista. Porque são expressões mais ou menos camufladas da ideologia dominante (quer dizer da classe dominante) e estão dessa forma presentes em todas as pessoas, independentemente de sua “origem”. Ninguém está imune à ideologia dominante, e ela se expressa das mais variadas formas, mas no fundo consiste numa negação (explicita ou não) do caráter científico do marxismo, ou seja, numa afirmação (explícita ou não) do subjetivismo, fonte de toda ideologia.

O mesmo Mao, em outro texto, faz uma alegoria a isso quando diz que é preciso “mudar de pele” para avançar. Isso só pode querer dizer, em minha opinião, que o processo de qualquer pessoa ir tendencialmente abandonando os pontos de vista da ideologia burguesa não ocorre sem luta (sem dor), porque essa ideologia está “entranhada”, porque todos estamos “impregnados” dela.

Numa outra postagem deste blog Althusser afirma que “(...) podemos nos declarar a favor da teoria marxista, mas defendê-la em posições especulativas, portanto não-marxistas; da mesma forma podemos nos declarar a favor da ciência marxista, mas defendê-la em posições positivistas portanto não-marxistas - com todos os efeitos subseqüentes.(...)”

Para mim esses dois fragmentos, de Mao e de Althusser, se complementam. Se estamos todos “impregnados” da ideologia burguesa (qualquer que seja sua variante), espontaneamente “enxergaremos” a realidade influenciados por essa ideologia e “enxergaremos” o marxismo também sob diferentes pontos de vista, daí a “contaminação” do marxismo pelas diferentes formas ideológicas, isto é, “(...) posições especulativas (...) posições positivistas (...) portanto não-marxistas, (...) com todos os efeitos subseqüentes”, como nos alerta Althusser.

Enfim, isso faz a gente pensar...