sexta-feira, 22 de março de 2019

TOMAR AS RUAS CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA! A LUTA APENAS COMEÇOU!

Nesse dia 22 de março de 2019, os trabalhadores e suas organizações saíram às ruas em dezenas de cidades dizendo um firme “NÃO” à reforma da previdência e tudo o que esta significa. Nem mesmo o imobilismo, as negociatas e a velha enrolação do peleguismo conseguiram frear o dia de nacional de mobilização, que se tornou, pela força das bases, algo mais: um dia de luta! Fechando assim, com chave de ouro, uma fatídica semana para a burguesia.
De fato, diante do tamanho e da ousadia do ataque da burguesia, são necessárias manifestações e paralisações ainda maiores e em cada canto de nosso país. Afinal, como dissemos em nosso texto sobre a reforma da previdência, as ruas e os locais de trabalho e moradia são as arenas decisivas em mais esse lance da luta de classes. Mas, se depender da garra e coragem dos que hoje defenderam sua dignidade contra a casta improdutiva no poder, estamos apenas no começo dessa luta! 
Junto às manifestações de rua, que ocorreram durante todo o dia, tivemos ainda categorias que cruzaram os braços e uma forte campanha nas redes sociais – dando continuidade à insatisfação popular contra a proposta de reforma piorada do governo de Bolsonaro, que já se via de maneira latente no cotidiano há várias semanas. Insatisfação que tem tudo para continuar e se aprofundar.

domingo, 17 de março de 2019

O governo Bolsonaro e a ofensiva reacionária na educação

Cem Flores
A busca por realizar uma reforma reacionária do sistema educacional brasileiro é um dos aspectos centrais do governo Bolsonaro e de parte importante de seus aliados políticos e sua base eleitoral, composta pelas camadas médias, líderes religiosos (especialmente os neopentecostais), militares e militantes e parlamentares da extrema-direita. 
Ao contrário da análise superficial – baseadas nas patéticas ações dos seus principais proponentes no governo: o Ministro da Educação (sic!), a Ministra da Mulher, da Família e dos Diretos Humanos (sic!), os filhos de Bolsonaro e o próprio Presidente – não se trata (apenas) de uma pauta diversionista, de “costumes”, ou da ação meramente pessoal de ministros “ideológicos” ou olavetes. 
O combate ao sistema escolar brasileiro é importante palavra de ordem bolsonarista. Esse combate esteve e está presente em diversas manifestações de campanha (por exemplo, a ridícula denúncia (sic!) de Bolsonaro do sistema escolar como divulgador de um fictício “kit gay”), nas disputas pós-eleitorais pela indicação do futuro Ministro da Educação (com o veto da bancada evangélica), na euforia da ignorância no começo do governo (Eduardo Bolsonaro afirmando que não será preciso mais estudar “feminismo”), nas ameaças de censura (Bolsonaro quer analisar previamente as questões do Enem), nos projetos de lei (como o da Escola sem Partido) e, nas últimas duas semanas, na ferrenha e errática disputa sobre quem de fato comanda o MEC, disputa que envolve os principais setores da base eleitoral do governo atual: olavetes – agora divididos entre o Ministro e os seguidores demitidos/mantidos de Olavo de Carvalho; militares; evangélicos; além de “técnicos”.

sexta-feira, 8 de março de 2019

O 8 de Março Ainda é o Dia da Mulher? de Ana Barradas

Nos últimos anos é explícito o ascenso da luta das mulheres. No Brasil e no mundo assumem um papel de vanguarda nas grandes manifestações populares, no combate ao fascismo e na defesa das bandeiras do nosso povo. Crescem assim as posições feministas revolucionárias e, no mesmo processo, as reformistas, oportunistas e pequeno-burguesas. Debater hoje o conteúdo e o sentido do crescimento da luta das mulheres é central para a retomada da luta de classes do ponto de vista do proletariado. Pode ser a centelha que vai incendiar a pradaria.

O 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, data que tem como origem a luta das mulheres operárias em vários países, também sofre a influência dessas posições em disputa. Com o objetivo de intervir nesse debate, reproduziremos dois artigos de Ana Barradas, militante comunista portuguesa, cujo tema é essa data: O 8 de Março Ainda é o Dia da Mulher? e Ainda o 8 de Março. Os dois textos, publicados em abril e maio de 2017 no site Bandeira Vermelha, apontam a luta da mulher de uma perspectiva revolucionária e crítica ao feminismo pequeno-burguês. Publicamos hoje o primeiro desses dois artigos.

Como a autora afirma na conclusão desse primeiro texto que apresentamos:“O feminismo coloca assim toda a sociedade numa encruzilhada em que só se podem seguir duas direcções: a da revolução social que permita socializar esse trabalho feminino gratuito – reprodução da espécie e reposição quotidiana da força de trabalho – que sustenta a existência da humanidade; ou o caminho da perpetuação da discriminação das mulheres, em que a violência e a pobreza coexistem com gastos desmedidos em armamento, a ostentação e enriquecimento imoral dos poderosos, a miséria imparável dos oprimidos e a depredação do planeta.”

Acesse aqui a publicação completa.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A recente resistência dos Metalúrgicos da GM no Brasil e suas lições para a luta operária

Cem Flores

A multinacional norte-americana GM enfrenta graves problemas nos últimos anos. Começando pela crise de 2008 – quando foi socorrida pelo “liberal” Estado dos EUA com aproximadamente US$50 bilhões–, passando pelas dificuldades em concorrer com rivais asiáticas pelo mundo, e por reestruturações constantes. No final do ano passado, a empresa anunciou mais uma enorme reestruturação mundial, objetivando, é claro, recuperar suas margens de lucro. Unidades produtivas inteiras e pelo menos 15% dos funcionários ficaram, desde então, na mira.

Eis que, no início de 2019, a chantagem contra os trabalhadores se torna mais concreta, incluindo a América do Sul e o Brasil, onde a empresa possui plantas em Gravataí (RS), São Caetano do Sul (SP), São José dos Campos (SP) e Joinville (SC). “Não vamos continuar investindo para perder dinheiro”, disse a presidente global Mary Barra, enquanto anunciava os lucros bilionários de US$2,5 bilhões apenas no terceiro trimestre de 2018, sobretudo provindos do mercado norte-americano. Quanto ao Brasil, “novos investimentos dependerão de um doloroso plano para retornar aos lucros no país”. "Um crítico momento que requer sacrifícios para todos", disse depois Carlos Zarlenga, presidente da região Mercosul, supostamente responsável por prejuízos da empresa nos últimos anos. Para ele, a GM precisa do “apoio do governo, concessionários, empregados, sindicatos e fornecedores

domingo, 24 de fevereiro de 2019

A Reforma da Previdência faz parte do programa de classe da burguesia, de opressão e exploração dos trabalhadores

Na primeira fila, da esquerda para a direita: Caixa Dois da JBSCheque do Queiróz
Botafogo da OdebrechtNotas Frias de CampanhaFundos de PensãoMiliciano 01.
Na quarta-feira, dia 20 de fevereiro, o circo (de horrores!) foi montado em Brasília. Sob o aplauso unânime e entusiástico da grande imprensa, da grande indústria, dos grandes bancos e do capital internacional, o governo entregou ao Congresso Nacional sua proposta de “reforma” (sic!) da previdência. O documento celebrado pelos funcionários do capital (foto abaixo) visa baratear o valor da força de trabalho no país, tornando-a mais lucrativa para os patrões; permitir a redução da carga tributária das empresas, também ampliando seus lucros; ao mesmo tempo em que prolonga o suplício do trabalho assalariado, piora as condições de vida dos trabalhadores da cidade e do campo e agrava a desigualdade, a exploração e a miséria na sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, vale lembrar que a “reforma da previdência”– sob o pretexto explícito de reduzir o déficit público via diminuição dos gastos do governo; e com os objetivos encobertos de ampliar o tempo útil da força de trabalho para o capital, aumentar a quantidade de trabalhadores disponíveis e, com isso, reduzir seu valor e ampliar a lucratividade – tem sido uma bandeira da burguesia, dos seus governos e dos seus economistas no mundo inteiro, especialmente após a grande crise do capital iniciada em 2007/08. Ilustramos este artigo com fotos da resistência dos trabalhadores, da ativa e aposentados, na França, Rússia, Espanha e Argentina. 

Em todos esses casos, como agora no Brasil, a capacidade dos operários, dos camponeses e dos demais trabalhadores assalariados para organizar protestos, manifestações e greves, em todo o país, foi (e continua sendo) decisiva para sua vitória contra mais essa ofensiva burguesa

Acesse aqui a publicação completa.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Combater o reformismo e o oportunismo. Desenvolver e organizar a posição proletária na luta de classes.

Apresentação do artigo de Lênin: “Mais uma vez sobre o Ministério da Duma”

Em períodos como o que vivemos hoje no Brasil, em que é necessário combater a reforma trabalhista, a reforma da previdência, dentre outros avanços da burguesia sobre a classe operária e as classes dominadas, muitos, de forma sincera, podem se questionar:qual deve ser a posição proletária na luta de classes, incluindo os períodos de ofensiva da burguesia? Ceder nos princípios e tentar crescer na lógica do "menos pior"? Ou sustentar-se nas posições do proletariado, mesmo que aparentem ser posições mais isoladas, lutas mais difíceis?

Desde Marx e Engels, a autonomia e a independência política e ideológica do proletariado sempre foram destacadas como uma necessidade de primeira ordem para a política revolucionária. Combatendo assim a ilusão do fortalecimento do proletariado através de recuos em sua posição. Em 1850, ambos revolucionários, em Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas, por exemplo, afirmam: "[Os proletários] não devem se deixar cativar […] pela retórica dos democratas, como, por exemplo: dessa maneira se estaria fracionando o partido democrático e dando à reação a possibilidade de chegar à vitória. No final das contas, todo esse fraseado vazio tem um único propósito: engambelar o proletariado. Os avanços que o partido proletário poderá fazer através dessa atuação independente são infinitamente mais importantes do que a desvantagem gerada pela presença de alguns reacionários entre os representantes."

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

O Hipócrita Patriotismo Burguês de Bolsonaro e seus Objetivos

Todos lembram a patética frase de campanha com a qual Bolsonaro empolgava os setores mais reacionários do país e com a qual encerrou um dos seus discursos de posse: “a nossa bandeira jamais será vermelha”. Todos também recordam o fajuto slogan da campanha de Bolsonaro: “Brasil acima de tudo”. Todos igualmente viram o logotipo de propaganda do seu governo: “Pátria Amada, Brasil”. Por fim, todos obviamente sabem do apoio das forças armadas à sua candidatura e do número recorde de oficiais que tiraram o pijama para ocuparem cargos no alto escalão governamental[1], consolidando a tutela militar ao personagem medíocre e grotesco que sonha representar o papel de herói[2]. Todos esses fatos pretensamente caracterizariam o patriotismo, o amor ao Brasil, como um dos traços principais dessa abjeta “nova era” (sic!) do país que teria começado no mês passado. Pois é, só que não…

Como a história nos ensina com frequência, as aparências enganam e às vezes escondem os verdadeiros fenômenos. Os fatos, vistos apenas em sua superfície, não revelam suas raízes profundas. A ideologia atua como reflexo, necessariamente imaginário, das reais condições de existência[3].

Em resumo, além de serem banais e requentadas, as declarações patrióticas de Bolsonaro e sua corja também são hipócritas.

Acesse aqui a publicação completa.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Louis Althusser: O “Que” de “Que Fazer?” (Inédito, 1978)

Apresentação e tradução por Cem Flores
Dando continuidade à tradução dos inéditos de Althusser[I], apresentamos aos camaradas leitores o primeiro capítulo do livro Que fazer? , de 1978[II]. O nome do capítulo é O “Que” de “Que Fazer?”.
Como o próprio título indica, nessa ocasião, o autor buscou ratificar a relevância teórica e política da “velha pergunta de Lênin” para a classe operária em sua luta, tanto em sua dimensão mais imediata, tática, quanto em sua dimensão de longo prazo, estratégica. Tal pergunta, que surge no fogo da ação, da participação direta na luta de classes de um período, nos leva diretamente ao que o revolucionário russo chamou de “alma viva” do marxismo: a análise concreta da situação concreta.
E, para Althusser, por onde começar para se fazer tal análise? Aqui ele retoma suas importantes teses sobre a luta de classes enquanto um processo baseado em um antagonismo objetivo. A análise desse motor da história, que é a luta de classes, a ser exercida pelas massas, é a análise desse antagonismo constitutivo do capitalismo; contradição na qual se funda os dois principais polos dessa contradição, a burguesia e a classe operária. Uma análise científica da realidade só pode se fundar sobre esse pilar.

Sobre a crise na Venezuela

A experiência histórica de luta proletária e comunista nos ensinou diversas vezes que a reação burguesa aumenta em ferocidade e violência a cada derrota que lhe é imposta pela luta do proletariado e das massas populares. A razão para isso está na redução (ou perda) de seus privilégios de classe, dos seus lucros, dos seus luxos, do seu mando sobre o aparelho do Estado burguês. Daí o ódio que a burguesia devota ao proletariado e ao povo pobre em geral. Ódio de mortos-vivos aos seus futuros coveiros… A recíproca do proletariado não é menos verdadeira. Ódio mortal ao regime de exploração burguês e aos seus patrões e luta por sua derrubada. Ódio que, se hoje ainda é difuso e instintivo, mais cedo ou mais tarde será coeso e organizado novamente.
Em suas clássicas análises sobre a luta de classes na França, por exemplo, Marx e Engels demonstram que tal luta tende a se tonar mais violenta ao passo que se torna mais decisiva. A insurreição de 1848, quando o proletariado, em armas, já possuía parte do poder de Estado, foi respondida pela burguesia com um banho de sangue “como não se tinha visto um igual desde os dias das guerras civis que iniciaram a decadência da República romana. Era a primeira vez que a burguesia mostrava até que louca crueldade de vingança é levada, logo que o proletariado ousa surgir face a ela como classe à parte, com interesses e reivindicações próprios. E, ainda assim, 1848 foi uma brincadeira de crianças perante a sua raiva de 1871 [Revolução e Comuna de Paris].

Atos em São Paulo mostram que não há repressão que impeça as classes dominadas de lutar!


Rap do Ônibus
Projota
[…]
Seria engraçado se não fosse desesperador
Aos olhos de quem me governa, é esse o meu valor
Sardinhas enlatadas são jogadas ao relento
Folhas secas sem vida vão levadas pelo vento
A raiva toma conta, muita treta, normal
Nasce agora um assassino serial
Prefeito que dá o aval, avisa já pra geral
“Economiza porque o buzo vai subir mais um real”
Meia dúzia na rua derruba buzo, incendeia
Alguns sem vê, sem nada, abusam e só falam da vida alheia
Mas a cidade tá cheia
Quanto mais gente, mais impostos, mais lucro pros líderes da aldeia
[…]
Meu povo quer ver melhorar
Porque dá mais trabalho chegar no trabalho do que trabalhar
Mais tarde, quando você ver o pivete roubar
É porque o pai dele tava no buzão em vez de tá lá pra educar
Meu povo tá cansado, já nem se queixa mais
Se vê acostumado e vive essa guerra em “paz”
Meu povo sente fome, tem que ganhar dinheiro
Pra isso precisa ser o que não quer o dia inteiro
Hoje eu vô pular catraca, na moral
Não vou pagar dois e pouco num serviço que não vale um real
Tem um pilantra comprando iate, enquanto a gente se bate
Pra pagar pra ele à vista a ceia de Natal
Navio Negreiro hoje não difere cor
Amontoa e leva pra lavoura qualquer trabalhador
As mãos cansadas penduradas na barra
De uma gente que chora, mas nunca perderá a sua garra
São Paulo é uma cadeia? Faço a rebelião
Queimar colchão pra ver se alguém melhora a situação

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A crônica deste novo governo foi feita há um século por Lima Barreto: é a crônica de todos os governos da classe dominante.

J. Levy em dois momentos: sorrisos para Dilma/Temer e afagos ao Posto Ipiranga de Bolsonaro. 
O capital financeiro se impõe ao gestor de plantão para implementar seu programa.
Faz cinco anos que, para homenagear mais uma vez que o PT se ajoelhou para o capital financeiro, daquela vez a servidão de Dilma ao Bradesco com a nomeação de Joaquim Levy ao Ministério da Fazenda, publicamos o Sonetinho Bradesquiano. Por uma dessas farsas irônicas da história, não é que o eclético arroz de festa “Ex-Chicago Boy/Ex-FMI/Ex-Banco Mundial/Ex-Economista-Chefe do Planejamento de FHC/Ex-Secretário do Tesouro de Lula/Ex-Secretário da Fazenda de Sérgio Cabral/Ex-Ministro da Fazenda de Dilma”, agora é o Presidente do BNDES de Bolsonaro? E, dizem as más (ou boas?) línguas: ele é o Plano B caso o Ministro da Fazenda Paulo “Posto Ipiranga” Guedes volte para o buraco negro – educadamente chamado de “iniciativa privada” (mas claro que com dinheiro público)– de onde nunca deveria ter saído...

Naquele caso, a hipocrisia governamental pariu a paródia de um soneto. No atual, o vasto material acumulado em tão pouco tempo remete a uma crônica. O bom leitor dirá se a ironia continua sendo uma poderosa arma contra os governantes de plantão. 

No texto abaixo (no link), o leitor poderá confrontar feitos de governos já devidamente enterrados com os do atual ancião de pouco mais de quinze dias.

Acesse aqui a publicação completa.

domingo, 13 de janeiro de 2019

A Conjuntura da Economia Mundial Capitalista no Começo de 2019 e Suas Perspectivas – Introdução a Artigo de Michael Roberts

Neste começo de ano, trazemos aos camaradas e aos leitores deste site a tradução de artigo de Michael Roberts sobre as perspectivas da economia mundial para 2019. Nos parece uma forma adequada de começar a análise concreta das condições da luta de classes no Brasil e no mundo de um determinado período focando o cenário geral, global, no qual suas ações se desenrolam – assim como o fizemos no início de 2018, com o texto A Continuidade da Crise do Imperialismo

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Aprender com os Panteras Negras

Nos anos 1960, o povo negro dos Estados Unidos se levantava contra a exploração e a opressão do sistema racista. A repressão foi feroz, inclusive assassinando grandes lideranças, como Malcolm X. Em 1966, essa luta ganha um novo patamar com a fundação do Partido Pantera Negra para Autodefesa, uma organização revolucionária, de inspiração marxista-leninista.
Durante vários anos, os Panteras Negras organizavam o povo negro em um luta por melhores condições de vida, fim da violência policial, por liberdade, por respeito... e por uma revolução que garantisse ao povo negro e aos povos oprimidos uma verdadeira libertação. E em pouco tempo, se tornaram a "ameaça interna nº 1" para a burguesia e o Estado norte-americano, que voltaram toda a sua estrutura ideológica e repressiva para desintegrar o Partido e seu trabalho.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

“Aurora, entretanto eu te diviso…”

A Noite Dissolve Os Homens
“A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.
A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda, sem esperança…
Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os guerreiros.
E o amor não abre caminho na noite.
A noite é mortal, completa, sem reticências,
a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
nas suas fardas.
A noite anoiteceu tudo… O mundo não tem remédio…
Os suicidas tinham razão.
Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus dedos,
teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que avançam
na escuridão
como um sinal verde e peremptório.
Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua vinda.
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes
se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um perdão
simples e macio…
Havemos de amanhecer.
O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora.”
Carlos Drummond de Andrade [dedicado a Cândido Portinari], Sentimento do Mundo, 1940.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

De Hunan à Paris: relendo um clássico de Mao


É sabido que Paris, nas últimas semanas, tem vivido uma histórica onda de protestos e revoltas. O estopim foi o reajuste do imposto sobre combustíveis, que elevaram seus preços em todo a França. As convocações se iniciaram e têm se sustentado nas redes sociais, e não através das clássicas centrais sindicais e partidos reformistas franceses. E rapidamente as ruas deram lugar a diversas pautas, canalizando as vozes reprimidas das classes dominadas, em uma explosão de descontentamento que tem abalado o governo vigente.
No último sábado, mesmo após o recuo do governo de Macron em relação ao aumento, centenas de milhares de pessoas foram às ruas, em mais um dia de batalha campal contra as forças de repressão do Estado. 
A repressão estatal e os milhares de feridos e presos não têm conseguido arrefecer a onda, que já se encontra espalhada geográfica e socialmente. Outras cidades francesas e até da Bélgica e outros países europeus registraram manifestações dos "coletes amarelos" e seus aliados e apoiadores, como os estudantes de centenas de escolas.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Maior preocupação com a vida das massas e maior atenção aos métodos de trabalho

Reproduzimos o texto de Mao Tse Tung que, como informa o site e nossa fonte marxists.org, “constitui uma parte das conclusões apresentadas pelo camarada Mao Tse Tung ao II Congresso Nacional dos Delegados dos Operários e Camponeses, realizado em Jueiquin, província de Quiansi, em Janeiro de 1934.”

A nosso ver, o texto apresenta importantes contribuições para o atual momento político do movimento comunista. Movimento este em nível rudimentar de reorganização, sob forte ofensiva ideológica do inimigo, e com a tarefa urgente de (re)fundir-se às classes dominadas e às suas lutas.

A despeito das particularidades históricas nas quais o dirigente comunista se debruça, podemos notar certos princípios e características do estilo comunista no trabalho político e na luta ideológica. Como o próprio título destaca, a luta de classes, inclusive quando em contexto de guerra aberta, como no caso chinês da época, não possui apenas uma dimensão de confronto com o inimigo. Há também o problema das condições de vida das massas, com questões concretas e cotidianas, no qual os comunistas devem atuar.

Acesse aqui a publicação completa.

domingo, 18 de novembro de 2018

Outubro e nós (Parte III)

"Vence os brancos com a cunha vermelha” - Lissitzky
Reproduzimos nessa publicação a 3ª parte do texto Outubro e Nós, do camarada Ângelo Novo, publicado recentemente na edição nº 27 de O Comuneiro. Como indica a apresentação da revista “Ângelo Novo prossegue com a terceira parte da sua pesquisa refletida sobre o significado dos caminhos de outubro para a nossa própria circunstância atual. Desta feita, o objeto em estudo abrange a própria revolução bolchevique, dos decretos sobre a paz e a terra até à morte de Lenine. Aqui se concentra, de forma intensamente dramática, o núcleo essencial desta aventura histórica, dando ocasião a que o autor lance mão de alguns dos seus mais arrojados recursos estilísticos. Na quarta e última parte, abordar-se-á toda a vaga revolucionária do século XX e a espuma que dela ainda persiste, nessa nova vaga em formação para nos transportar ao assalto do futuro.”

Acesse aqui a publicação.

domingo, 11 de novembro de 2018

Balanço das Greves em 2017: é preciso reforçar a resistência nos locais de trabalho

No mês de setembro, o DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos publicou o Balanço das Greves de 2017. Esse Balanço é o principal estudo sobre o assunto no país, e apresenta um bom panorama sobre a atividade sindical e as lutas dos trabalhadores. 

Apesar do baixo nível de organização sindical no Brasil, hegemonizado pelo reformismo e pelo oportunismo, os dados demonstram que os trabalhadores, em 2017, continuam resistindo e lutando. Até mesmo com o agravamento da conjuntura causado, sobretudo, pela crise econômica e seus impactos devastadores para as classes dominadas (desemprego, miséria, violência, "reformas" da burguesia etc.). Aliás, essa continuidade se faz inclusive por conta desse agravamento, que empurrou e mobilizou os trabalhadores a construir, por exemplo, uma significativa Greve Geral em abril do ano passado.

Acesse a publicação completa.


domingo, 4 de novembro de 2018

10 anos do Cem Flores.


Camaradas e leitores.
Há 10 anos lançamos nosso blog, hoje site. Como nos apresentamos então, a ideia era (e é) ser “um espaço construído por um coletivo de companheiros com o objetivo de atingir aqueles que, através do marxismo, optaram por pensar com suas próprias cabeças e desejam um espaço para esgrimirem suas ideias sobre o rumo do socialismo e a teoria que o ilumina.”
Em nosso artigo inaugural (Por que razão discutir a crise do Marxismo?) afirmamos que “muito mais do que uma discussão sobre organização, tática ou estratégia, o que necessitamos é discutir a situação, o estado da teoria marxista, sua crise escancarada após o XX Congresso do PCUS e a cisão do movimento comunista em 1963, a necessidade urgente e incontornável de tomá-la a sério e perguntarmos por suas causas.” E indicamos um caminho, em nossa opinião, ainda atual: “Trabalhar, para retomar a teoria revolucionária como instrumento para a construção da revolução, do socialismo e do comunismo.(…) Tomar a teoria como arma do proletariado na luta de classe, arma que possibilita a ele e demais classes dominadas a ter uma prática revolucionária, elaborar a linha justa na luta de classes.”
Sempre com esse objetivo, e para comemorar essa data, disponibilizamos, nos links abaixo, as versões digitais dos livros Intervenções na Conjuntura da Luta de Classes, que publicamos em maio de 2018, e Luta de Classes, Crise do Imperialismo e a Nova Divisão Internacional do Trabalho, publicado em 2011.
Acesse nos links abaixo os livros completos em pdf.
Aos que pretenderem comprar estes livros entrem em contato conosco:
cemflores@cemflores.org

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

As Eleições de 2018 e a Necessidade de Continuar e Aprofundar a Resistência das Classes Dominadas

Manifestações contra Bolsonaro no dia 20 de outubro de 2018.
Como já era apontado pelas pesquisas de intenções de voto, o candidato fascista, de extrema-direita, será o novo presidente do Brasil a partir do ano que vem.
Contados os votos do segundo turno, novamente mais de um quarto do eleitorado brasileiro não compareceu à votação, votou em branco ou anulou o seu voto – por volta de 42,5 milhões de pessoas, número maior que o do primeiro turno. Dos 105 milhões que votaram em algum candidato, Bolsonaro (PSL) venceu, com 55%, o candidato do PT, Haddad, que ficou com 45%.
A vitória da chapa dos militares reformados – o capitão Bolsonaro e o general Mourão – coroa a ascenção da extrema-direita no cenário político brasileiro, que vem sendo construída (pelo menos) desde 2014 e já foi vista nitidamente no primeiro turno e durante o violento processo eleitoral deste ano. Tal ascensão não se encerra em nossas fronteiras, pelo contrário, tem semelhanças com outros casos no cenário internacional. Afinal, não é apenas no Brasil que organizações e candidaturas de extrema-direita ou mesmo abertamente fascistas têm se consolidado enquanto alternativas políticas do imperialismo desde sua última, profunda e inacabada crise. Estamos a presenciar um importante, mas não único, momento desse processo global da nova rodada de agravamento da barbárie capitalista.