sábado, 22 de abril de 2017

“A trincheira do comunismo nunca pode ser abandonada” (FMR)

Em homenagem aos 9 anos da morte de Francisco Martins Rodrigues reproduzimos abaixo o texto da camarada Ana Barradas, publicado no blog Bandeira Vermelha.

Ana Barradas

Hoje, 22 de Abril, faz 9 anos que faleceu Francisco Martins Rodrigues. Falar de FMR é falar de uma vida que se orientou desde cedo numa única direcção da qual nunca se afastou: a luta por uma sociedade livre de exploração em que a classe operária pudesse derrubar a burguesia, desenvolver-se e criar o seu próprio sistema de poder.

Mas este trajecto de mais de 60 anos de militância comunista confrontou-se com várias fases de consciência revolucionária. Nos diversos patamares dessa consciência, registaram-se rupturas profundas. É análise dessas sucessivas rupturas que nos dá o traço da evolução de um pensamento que nunca se fixou em dogmas.

A primeira foi a crítica ao engodo do PCP pela unidade com os democratas e o abandono da aliança operário-camponesa.

domingo, 16 de abril de 2017

Teses Sobre a Crise do Capital e a Luta de Classes no Brasil

Cem Flores

Neste texto queremos apresentar para o debate entre os camaradas do Cem Flores e nossos companheiros leitores a primeira parte de uma análise da conjuntura brasileira atual que busque se realizar de forma científica – utilizando, portanto, a teoria marxista – e a partir do ponto de vista da classe operária em sua luta por libertar-se da opressão capitalista.

Achamos que para sermos bem sucedidos nessa empreitada, devemos buscar unir as cinco características fundamentais abaixo enunciadas:

1) sempre buscar um maior domínio da teoria marxista, almejando conseguir contribuir para o seu desenvolvimento. Ou seja, tornar o estudo do marxismo um elemento indissociável da atividade militante, comunista e revolucionária;

2) participar das lutas e da vida cotidiana da classe operária, para compreender melhor a realidade da luta de classes do ponto de vista dos dominados e oprimidos pelo capital;

3) buscar um amplo e detalhado conhecimento da realidade a ser analisada, em suas várias dimensões, abrangendo o cipoal de fatos díspares e por vezes contraditórios que preenchem o seu dia-a-dia;

4) criticar sem tréguas as teorias e análises burguesas/revisionistas/reformistas que predominam na sociedade atual, que constituem sua ideologia dominante e seu “senso comum”, que servem à manutenção da ordem burguesa, “justificando” a exploração das classes dominadas;

5) a partir dos itens acima, elaborar uma análise geral da conjuntura, marxista e proletária, que permita explicar seus determinantes mais profundos, expor suas contradições e analisar suas tendências principais. A partir dessa explicação mais geral, analisar os fatos cotidianos e definir a correta linha de atuação da organização e dos seus militantes nas frentes concretas.

Nos é claro que ainda não somos capazes de cumprir plenamente, todos os requisitos acima para a realização da necessária análise comunista da conjuntura econômica, social e política do Brasil. Mas eles servem de guia para nossa atuação, autocrítica e aprofundamento da análise. Quão distante ainda estamos desses objetivos, e quão retificadas portanto devem ser as teses abaixo, são temas aos quais conclamamos os camaradas e leitores a avaliar e debater conosco.


sexta-feira, 14 de abril de 2017

O blog Bandeira Vermelha mudou de endereço eletrônico

https://bandeiravermelhablog1.wordpress.com
O blog Bandeira Vermelha, blog internacional de debate comunista, mudou de endereço eletrônico. De acordo com seus editores "o blog Bandeira Vermelha sofreu um ataque que obrigou a refazê-lo na totalidade. Como medida de segurança alterámos os anteriores endereços electrónicos".
Seu novo endereço eletrônico é https://bandeiravermelhablog1.wordpress.com.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Uma Intervenção Sobre a Conjuntura Mundial da Crise do Imperialismo

http://www.demystification.fr
O Blog Cem Flores divulga importante intervenção sobre a conjuntura mundial da crise do imperialismo, publicada por Tom Thomas em dezembro de 2015. A tradução do original em francês é da camarada Ana Barradas. Estamos convictos que, passado um ano e meio da redação desse documento, sua atualidade permanece intacta. Daí a importância da leitura e do debate comunista entre camaradas e leitores deste Blog.

A crise do imperialismo, aberta em 2007/08, traz uma novidade histórica de acordo com Tom Thomas: o «esgotamento da quantidade de trabalho social empregue na produção de mais-valia», devido ao elevadíssimo nível de acumulação de capital fixo, de composição orgânica do capital, alcançado pelo capitalismo. Por essa razão, o processo de acumulação de capital não consegue mais gerar ganhos de produtividade, mais-valia relativa, estagnando e/ou fazendo declinar a taxa de lucro. A acumulação produtiva, portanto, se interrompe e, com ela, os investimentos e o crescimento econômico. Daí a crise e a estagnação que vivemos já faz uma década.

Tom Thomas mostra que, apesar disso, o capital permanece com sua necessidade imperiosa, intrínseca, de valorizar-se. Aponta, então, duas tentativas de saída. Uma, a geração desenfreada de capital fictício – desde emissões monetárias de trilhões de dólares dos bancos centrais até recordes alcançados pelas bolsas de valores. Essa «bolha», que se revela ainda maior que a anterior, gera lucros (igualmente fictícios) sem passar pelo processo produtivo, geração de mais-valia («D–D’»). Parte desses lucros financiam sucessivas rodadas de centralização de capitais, aumentando ainda mais o poder dos monopólios.

A outra saída do capital é voltar-se contra as classes produtoras, buscando aumentar de todas as formas a mais-valia absoluta. Nas palavras do autor, «degradação sistemática da condição proletária». Em trechos que têm fundamental relevância para a luta de classes no Brasil atual, Tom Thomas detalha esse caráter essencial, constitutivo, das mal-chamadas «políticas de austeridade» e «reformas estruturais».

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A Crise Atual Representa a Ofensiva do Capital Contra o Proletariado em Todas as Frentes. É Preciso Resistir!

Cem Flores

Na semana passada, a classe operária e as demais classes dominadas foram novamente golpeadas com duas notícias sobre a continuidade da crise no Brasil.

Na quinta, 30 de março, Temer sancionou o projeto aprovado na Câmara dos Deputados tornando lei a terceirização irrestrita. Até a própria imprensa burguesa teve que reconhecer que a nova lei não tem “salvaguarda para o trabalhador[1].

Na sexta, dia 31, o IBGE divulgou que a taxa de desemprego até fevereiro bateu novo recorde, chegando a 13,2%. Isso significa 13,5 milhões de trabalhadores desempregados, sendo que 3,2 milhões perderam seus empregos apenas nos últimos 12 meses. A única coisa que aumentou para mais de meio milhão de trabalhadores foi a informalidade, os bicos, ou o número de “empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada”, na “elegante” (sic!) definição do IBGE[2].

Esses fatos da semana passada confirmam que a conjuntura na qual o proletariado luta e resiste continua sendo a conjuntura de crise do capital, que está provocando a maior recessão no país em mais de um século, ainda longe de terminar, ao contrário do que diz a propaganda do governo.

A crise do capital no país integra a (é parte da) crise do imperialismo que se agravou em 2007/2008 e tem se expandido desde seu foco inicial nos Estados Unidos, passando para a Europa (que afundou numa segunda rodada de crise a partir de 2011) e atinge mais recentemente a China, provocando desaceleração em suas taxas de crescimento (acumulação de capital) e agravamento de suas contradições. A crise reduziu o dinamismo da acumulação de capital no mundo e acirrou a concorrência entre os capitais. Assim, tem provocado redefinições na divisão internacional do trabalho. Um impacto direto dessa redefinição em curso foi o estouro da “bolha” de commodities, que impacta diretamente a acumulação e lucratividade dos setores capitalistas mais dinâmicos do país, como o agronegócio e a indústria extrativa mineral, ambas para exportação.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Colômbia, Oriente Médio e Ucrânia. Acordos de Paz ou Rendição Política?

James Petras
18/03/2017
Há uns trinta anos atrás, um sagaz camponês colombiano me disse: “Quando ouço falar de acordos de paz, escuto o governo a amolar suas facas”.

Introdução
Ultimamente tem-se falado muito dos acordos de paz em todo o mundo. Em quase todas as regiões ou países que sofrem de guerra ou invasão se menciona a possibilidade de negociar "acordos de paz". Em muitos casos, estes vieram a ser assinados e, todavia, não conseguiram acabar com os assassinatos e o caos provocados pela parte beligerante apoiada pelos Estados Unidos.
Vamos brevemente rever algumas dessas negociações do passado e do presente para compreender a dinâmica dos "processos de paz" e os resultados posteriores.

terça-feira, 21 de março de 2017

Contra o muro, contra o imperialismo… Para confrontar a política imperialista de Trump: nem submissão, nem “unidade nacional”.

Reproduzimos abaixo, traduzido, artigo do Partido Comunista do México (PCM), que trata da iniciativa do presidente norte-americano Donald Trump de construir um muro entre o México e os EUA. Consideramos importante a leitura desse material pois, além da denúncia sobre as intenções capitalistas por trás dessa iniciativa, o artigo apresenta também uma crítica correta à tese da "unidade nacional" na oposição à iniciativa de Trump. O original pode ser acessado aqui.
Como está dito no texto do PCM "a história nos ensina como ao longo do século XX, nas ocasiões em que a classe operária adotou a 'unidade nacional', hipotecou a sua independência como classe subordinando-se aos interesses da burguesia, a qual aproveitou para maximizar os seus lucros e afirmar a sua dominação."
No Brasil sabemos bem os males que as teses de "unidade nacional" causaram à luta da classe operária e dos trabalhadores, nos colocando a reboque de uma pretensa burguesia "nacional" na luta contra o capital estrangeiro, o imperialismo etc. Hoje, essas teses, requentadas, são apresentadas novamente a partir da indicação aos trabalhadores brasileiros a apoiarem uma aliança com um pretenso setor "desenvolvimentista" do capital em contradição contra um suposto setor puramente "especulativo". Lenin já mostrava há mais de 100 anos que o capital financeiro é a fusão do capital bancário com o capital produtivo...
Já publicamos também em nosso blog uma aprofundada crítica a essa tese, exposta no livro O Anti-Dimitrov, do dirigente comunista português Francisco Martins Rodrigues, que pode ser acessada aqui.
Essa posição burguesa no seio da classe operária e dos trabalhadores enfraquece nossa capacidade e necessidade de organizar a resistência contra a ofensiva do capital monopolista (especulativo e produtivo), principalmente com o aprofundamento da crise do imperialismo. Lutar contra a ilusão burguesa da "unidade nacional", denunciando-a e expondo sua real intenção é parte do caminho necessário à luta e organização de nossa classe.
Cem Flores.
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Contra o muro, contra o imperialismo… 
Para confrontar a política imperialista de Trump: nem submissão, nem “unidade nacional”.
01/02/2017


Tal como anunciou na sua campanha, o Presidente dos EEUU, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para a construção do muro na fronteira entre o seu país e o nosso, com o propósito expresso de conter a migração de trabalhadores mexicanos e de outras nacionalidades que nutrem a força de trabalho nos distintos ramos da produção e os serviços nessa nação norte-americana.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A Contribuição da Mulher na Construção do Socialismo - V. I. Lenin.

rosa-luxemburgo.jpg
Dando continuidade às homenagens ao Dia Internacional da Mulher, apresentamos agora um breve artigo de Lenin, de 1919, no qual ele apresenta resumidamente as iniciativas tomadas na União Soviética após a revolução, medidas práticas focadas em retirar a mulher da escravidão doméstica e deixa-la livre para se inserir no processo revolucionário.
É importante destacar a vinculação que Lenin estabelece da construção do comunismo com a emancipação da mulher: "A verdadeira emancipação da mulher, o verdadeiro comunismo, só começará onde e quando comece a luta das massas (dirigida pelo proletariado, que detém o poder do Estado), contra a pequena economia doméstica ou melhor, onde comece a transformação em massa dessa economia na grande economia socialista."
Cem Flores


A Contribuição da Mulher na Construção do Socialismo[1]
V. I. Lénine
28 de Julho de 1919 

Tomemos a situação da mulher. Nenhum partido democrático do mundo, em nenhuma das repúblicas burguesas mais progressistas, realizou a esse respeito, em dezenas de anos, nem mesmo a centésima parte daquilo que nós fizemos apenas no primeiro ano de nosso poder. Não deixamos literalmente pedra sobre pedra de todas as abjetas leis sobre as limitações dos direitos da mulher, sobre as restrições do divórcio, sobre as odiosas formalidades às quais estava vinculado, sobre a possibilidade de não reconhecer os filhos naturais, sobre a investigação de paternidade etc., leis cujas sobrevivências, para vergonha da burguesia e do capitalismo, são muito numerosas em todas os países civilizados. Temos mil vezes o direito de estar orgulhosos daquilo que fizemos nesse terreno. Mas quanto mais limparmos o terreno do entulho das velhas leis e instituições burguesas, melhor vemos que com isso apenas limpamos o terreno para construir e não empreendemos ainda a própria construção. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

A família na União Soviética. Crise e reconstituição 1917/1944.


Pode-se afirmar que é impossível atingir o comunismo sem a transformação do papel da mulher hoje estabelecido. E essa transformação começa pela libertação do papel que ela cumpre na família, no aparelho ideológico familiar. Sob o capitalismo a função que a mulher desempenha na família é a de realização de tarefas que auxiliem na redução do valor da força de trabalho do proletariado, função essa considerada subordinada ao papel do homem, ideologicamente identificado como o chefe e aquele que provê as necessidades da família. Para alterar esse quadro e permitir a maior participação da mulher na revolução é preciso que ela se liberte dessa pequena economia doméstica, que a própria família seja alterada.
É precisamente esse o ponto que o texto da camarada Ana Barradas, que abaixo reproduzimos, nos apresenta: quais foram as principais mudanças no aparelho familiar e na condição da mulher levadas a cabo na Rússia após a revolução de 1917. Esse texto pode ser acessado também no blog Bandeira Vermelha.
No artigo é possível ver o quanto o ímpeto revolucionário levou a mudanças profundas na legislação, estabelecendo "direitos", e as iniciativas práticas que o Estado proletário adotou, mesmo em período de guerra, para permitir que as mulheres ampliassem sua participação política e econômica na revolução, libertando-se de suas pretensas “responsabilidades domésticas”. O texto também nos apresenta os fatores conjunturais, políticos e ideológicos que, não apenas interromperam essas mudanças, como as desfizeram, impelindo as mulheres a regressar as suas condições anteriores. O ascenso ou recuo na luta de classes, do ponto de vista do proletariado, vão determinando o avanço ou o retrocesso no processo de transformação do papel da mulher.
Na semana do 08 de março, Dia Internacional da Mulher, pretendemos com essa publicação estimular o debate sobre essa questão central, a partir da análise dos fatores que contribuíram para avançar ou retroceder a luta da mulher, na situação concreta que viveu a Revolução Russa, aprendendo com aquela experiência e nos permitindo combater de forma mais efetiva nossos limites e incompreensões sobre esse tema, condicionante fundamental para a construção da revolução em nossa realidade atual.

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A família na União Soviética. Crise e reconstituição 1917/1944.
Ana Barradas

Muitos dos operários e intelectuais avançados do nosso país que admiram sinceramente as conquistas revolucionárias da Rússia soviética talvez tenham reticências quanto ao aspecto concreto da libertação da mulher, tomando as formas de que ela se revestiu como manifestações excessivas dos primeiros anos. A imagem que têm da mulher soviética é aquela que foi propagada muito mais tarde: a da mulher produtora, igual perante a lei, mas simultaneamente recuperada para o papel de esteio da família.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

BANDEIRA VERMELHA. Blog Internacional de Debate Comunista.


A luta contra o reformismo e o revisionismo, pela retomada do marxismo e pela reconstrução dos partidos comunistas acaba de ganhar mais uma trincheira importante. É com enorme alegria que informamos aos camaradas, amigos e leitores do Cem Flores o lançamento do blog BANDEIRA VERMELHA (https://bandeiravermelha123.wordpress.com), blog internacional de debate dos comunistas.

Compreender as causas da crise que se abateu sobre nosso campo é decisivo para encontrarmos o caminho da retomada de nossa luta, o caminho da construção da revolução proletária. Como afirma o manifesto de lançamento do Bandeira Vermelha, "a tarefa principal que hoje se põe às/aos herdeir@s das tradições comunistas é dar res­postas convincentes para os fracassos revolucionários; explicar por que razão os  regimes saídos das insurreições vitoriosas na Rússia e China degeneraram na dominação de uma nova casta que exerceu a sua ditadura em nome do socialismo, para acabar rendida ao capitalismo. Quais os ­­­limites materiais e subjectivos que determinaram estas derrotas?" 

E o blog aponta o caminho com o qual concordamos totalmente: "A busca dessas respostas impõe a retomada e o desenvolvimento do marxismo, da teoria científica do proletariado, aplicando-a concretamente à conjuntura atual. Essa tarefa só será possível com a participação ativa d@s comunistas na luta da classe operária e do conjunto do povo trabalhador."

Reproduzimos abaixo o manifesto de lançamento desse espaço internacional de debate (https://bandeiravermelha123.wordpress.com/sobre-nos/) para o qual convidamos todos a acompanhar e participar. 


Bandeira Vermelha, blogue internacional de debate comunista.

A profunda crise em que estão mergulhados @s comunistas e o movimento operário de todo o mundo tem causas profundas ainda por determinar.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Estudar a crise do marxismo. Resposta aos Comunistas Americanos, de Francisco Martins Rodrigues.

Há algum tempo atrás conclamamos àqueles que queriam pensar com suas próprias cabeças, que não tinham abandonado a luta sob a perspectiva da classe operária, a retomar o marxismo e esgrimirem suas ideias sobre os rumos do socialismo e a teoria que o ilumina. No texto de lançamento do blog Cem Flores (http://cemflores.blogspot.com.br/p/por-que-razao-discutir-crise-do.html) afirmamos:
"Percebemos que muito mais do que uma discussão sobre organização, tática ou estratégia, o que necessitamos é discutir a situação, o estado da teoria marxista, sua crise escancarada após o XX Congresso do PCUS e a cisão do movimento comunista em 1963, a necessidade urgente e incontornável de tomá-la a sério e perguntarmos por suas causas. Perguntar as causas da crise que desembocou em Kruschev, no rompimento da URSS com a China, cisão na teoria e na prática, e no desmanche das experiências de construção do socialismo, principalmente na URSS e na China por seu papel de exemplo.
A crise do movimento comunista não pode ser somente o resultado dos erros cometidos pelos partidos comunistas em sua prática na luta de classes, resultado de uma conjuntura, nem da ação dos inimigos de sempre e, que desde sempre, se uniram contra ele na luta de classes, se fossem esses os motivos da crise do movimento comunista teríamos de perguntar por que razão tornou-se possível o triunfo da conjuntura, dos acontecimentos sobre uma teoria cuja “ onipotência” (numa expressão que se tornou clássica por Mao) deriva da verdade inquestionável dos conceitos que a articulam."
Como contribuição ao estudo dessa questão, queremos apresentar abaixo o texto de Francisco Martins Rodrigues, Resposta aos Comunistas Americanos (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2017/01/16/resposta-aos-comunistas-americanos-2/). Esse brilhante dirigente comunista português pergunta, nesse texto:
Quando aos trabalhadores de todo o mundo o fim do comunismo aparece como um facto consumado, a nova corrente comunista tem que começar por responder à questão: como pôde afundar-se nesta miserável perestroika um movimento que inscreveu na história da humanidade feitos tão brilhantes como a revolução de Outubro ou a guerra revolucionária na China? Porque foi a revolução proletária do século XX engolida pelo capitalismo? Esse deveria ser, quanto a nós, o eixo dum documento que pretende, como dizeis, “contribuir para a discussão entre os comunistas de todo o mundo sobre o que fazer”, porque só da resposta a essa questão viva sairão conceitos marxistas vivos e, forçosamente, uma perspectiva nova sobre as questões do partido e da revolução, da estratégia, da táctica e do estilo de trabalho. Se o marxismo nunca pode voltar a ser o que era, muito menos o será depois de ter atravessado uma experiência tão vasta.”
Convidamos a todos os leitores do blog Cem Flores a estudarem  o texto abaixo reproduzido, importante contribuição à análise da crise do marxismo e da luta por sua retomada.

RESPOSTA AOS COMUNISTAS AMERICANOS.
Francisco Martins Rodrigues

Correspondendo à vossa proposta de debate em torno da declaração “Tarefas do comunismo operário durante a derrocada do revisionismo”, publicada no Workers’ Advocate de Janeiro, fazemos em seguida algumas observações que a sua leitura nos sugeriu. Decidimos tornar pública esta carta porque, tal como vós, consideramos um debate alargado sobre a linha geral como a prioridade mais vital para os comunistas de todo o mundo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Francisco Martins Rodrigues: sobre a atualidade do conceito de Imperialismo.


Essa postagem continua as publicações que o Blog Cem Flores vem fazendo para celebrar o primeiro século do livro de Lênin, “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”. Já publicamos trechos do livro de Lênin (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/10/nos-100-anos-de-imperialismo-fase.html) e também o discurso de um dirigente do Partido Comunista da Grécia, KKE (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/11/100-anos-de-imperialismo-fase-superior.html) sobre o imperialismo. Para cada uma dessas postagens, preparamos apresentações dos textos, buscando ressaltar seus aspectos mais importantes e debater suas formulações, sempre visando discutir a atualidade do conceito leninista de Imperialismo.

O blog Escritos de uma Vida (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/) tem publicado uma grande quantidade de escritos do dirigente comunista Francisco Martins Rodrigues[1]. Em 1º de agosto desse ano, publicou o artigo “Os Clássicos e o Imperialismo: que atualidade?” (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2016/08/01/os-classicos-e-o-imperialismo-que-actualidade/), de 2003, cujo objetivo também era o de “continuar o debate sobre estas novas questões e procurar indicar alguns traços fundamentais da nossa época” a partir da obra de Lênin, “síntese paradigmática da interpretação do imperialismo”. Ou seja, a mesma discussão que estamos travando entre os nossos camaradas e que queremos estimular entre os leitores: discutir a atualidade e a necessária atualização da análise leninista do Imperialismo e seu caráter imprescindível para o debate comunista sobre a crise e o movimento operário atuais.

Os Cinco Traços Fundamentais do Imperialismo e sua Atualidade

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Marighella presente!

Em 05 de dezembro de 1911 nascia em Salvador, Bahia, o dirigente comunista Carlos Marighella. Cem Flores apresenta  no vídeo abaixo uma pequena homenagem ao comandante revolucionário. Sua vida é, para nós, um exemplo a todos os revolucionários do Brasil e do mundo.

video

Acesse aqui o link para o vídeo no Youtube.

domingo, 27 de novembro de 2016

Morreu um revolucionário. Viva a Revolução!

"É possível que muitos comecem agora a compreender a Revolução em todo o seu significado e em toda a sua grandeza, porque, inclusive, essa era uma palavra muito em voga, muito repetida e que para muitas pessoas não tinha senão um significado sonoro, uma ideia confusa, porque, inclusive, se chamava revolução a qualquer coisa e qualquer um se chamava de revolucionário. E parecia fácil uma revolução e, no entanto, uma revolução não é uma tarefa fácil. Uma revolução não é um acontecimento simples na história de um povo. Uma revolução é um acontecimento complexo e difícil, e que tem, além disso, a virtude de ser uma grande mestra, porque vai nos ensinando durante sua marcha, e sua marcha vai fortalecendo a consciência do povo e sua marcha nos vai ensinando o que é uma revolução" (24/02/1960)[1].

"A classe operária a mantinham impotente, a mantinham dividida, não lutando pelas verdadeiras metas pelas quais deve lutar a classe operária. E vocês sabem qual é a primeira meta pela qual deve lutar a classe operária, a única meta pela qual deve lutar fundamentalmente uma classe operária em um país moderno? Pela conquista do poder político! Porque a classe operária é uma classe absolutamente majoritária, a classe operária é a classe fecunda e criadora, a classe operária é a que produz quanta riqueza material exista num país. E enquanto o poder não esteja em suas mãos, enquanto a classe operária permita que o poder esteja nas mãos dos patrões que a exploram, dos latifundiários que a exploram, dos monopólios que a exploram, dos interesses estrangeiros ou nacionais que a exploram, enquanto as armas estejam nas mãos da camarilha a serviço desses interesses e não nas suas próprias mãos, a classe operária estará condenada, em qualquer parte do mundo, a uma existência miserável, por muitas que sejam as migalhas que, da mesa da festa, os grandes interesses e os grandes privilégios lancem sobre ela" (14/12/1960)[2].

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

99º Aniversário da Revolução Bolchevique.

Hoje, 07 de novembro de 2016, celebramos os 99 anos da Revolução Bolchevique. Reproduzimos abaixo a postagem realizada pelos camaradas comunistas galegos do Primeira Linha em homenagem a essa data. Optamos por manter o texto em galego original, língua que é a expressão da luta desse aguerrido povo contra o domínio colonial espanhol. A postagem original pode ser acessada aqui.



99 aniversário da Revoluçom Bolchevique
COMUNISMO, ÚNICA ALTERNATIVA ANTICAPITALISTA

A tomada do poder polo proletariado russo dirigido polo partido bolchevique de Lenine em outubro de 1917 é um dos factos históricos mais relevante da história da humanidade.

Por primeira vez a classe trabalhadora, logo da efémera experiência da Comuna de Paris de 1871, em 1917 logra fundar o primeiro Estado operário da história da humanidade. A aliança operário-camponesa sob a hegemonia ideológica do proletariado derrota a ditadura burguesa e senta as bases para a construçom de umha nova sociedade visada para superar a propriedade privada e as relaçons mercantis.

@s bolcheviques demonstrárom que sim é possível tomarmos o céu por assalto, que sim é possível derrotar a maquinária militar imperialista, que sim é possível sentar as bases para  erguermos esse mundo novo sonhado, essa sociedade sem exploraçom, sem opressom, sem dominaçons, o que seguimos chamando Socialismo/Comunismo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”

Um Discurso do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre O Imperialismo

02.11.2016

Acesse aqui em pdf

No final do mês de outubro passado, o Blog Cem Flores publicou trechos do livro de Lênin, “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, precedido de uma pequena apresentação (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/10/nos-100-anos-de-imperialismo-fase.html). Nela, destacamos a atualidade da análise leninista do imperialismo, bem como seu caráter necessário para o debate comunista sobre a crise e o movimento operário atuais, e sugerimos alguns pontos para o aprofundamento do estudo do tema e para a discussão entre camaradas e leitores.

Achamos que é preciso continuar essa discussão. Trazemos agora para o debate um recente discurso de um dirigente do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre o tema do Imperialismo, também por ocasião do centenário de publicação do livro de Lênin. Da mesma maneira que no post anterior, também preparamos uma pequena introdução na qual buscamos levantar alguns pontos do texto que achamos principais para o nosso debate comunista.

Para apresentar esses temas de uma forma mais organizada, buscamos agregá-los em três tópicos principais: o resgate de princípios comunistas, as formulações próprias do KKE e os pontos atuais que é preciso desenvolver.

Resgate de Princípios Comunistas

A classe operária e os comunistas vivem, faz várias décadas, “em tempos de maré baixa” – para emprestarmos uma expressão do dirigente comunista Francisco Martins Rodrigues (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2016/02/27/accao-comunista-em-tempos-de-mare-baixa/). Nesse período vimos o reformismo e o oportunismo sobrepujarem a linha revolucionária nos partidos comunistas; a ação revolucionária das massas proletárias praticamente desaparecer; a luta sindical converter-se, em sua absoluta maioria, em um jogo de cena entre pelegos e patrões; e o horizonte da ação política da classe operária se reduzir aos seus limites mais miseráveis, meras mobilizações institucionais ou campanhas eleitorais.

Nessa conjuntura, os princípios comunistas estão praticamente esquecidos pela quase totalidade da classe operária e mesmo pela maioria absoluta dos operários de vanguarda e militantes honestos e sinceros. O resgate e a afirmação desses princípios comunistas, portanto, não só é necessário como nos parece indispensável.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Nos 100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, Discutir o Imperialismo e Sua Crise Continuam Tarefas Fundamentais dos Comunistas

Capa original do livro Imperialismo.

No centenário da publicação de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, o blog Cem Flores reproduz, a seguir, os prefácios e dois capítulos do livro como nossa forma de homenagear Lênin: discutindo a atualidade de seu pensamento e ação militante e sua importância para a luta comunista neste início de século XXI.

Muito embora Lênin tenha chamado seu livro de um “esboço popular”, e não obstante os mares de tinta que se escreveram a respeito do imperialismo nesse século, avaliamos que a análise de Lênin permanece insuperável. Temos plena consciência do que essa avaliação implica em termos da fragilidade teórica dos comunistas de avançarem e desenvolverem o legado de Marx, Engels e Lênin.

Nos prefácios que reproduzimos abaixo, Lenin afirmava que acalentava a esperança de que a publicação d`O Imperialismo ajudaria na “compreensão de um problema econômico fundamental, sem cujo estudo é impossível compreender seja o que for e formar um juízo sobre a guerra e a política atuais: refiro-me ao problema da essência econômica do imperialismo”.

Já os dois capítulos que transcrevemos abaixo buscam resumir a definição leninista de imperialismo (capítulo 7) e abordam as tendências ao parasitismo e à decomposição do imperialismo, assim como do seu papel para o fortalecimento de tendências oportunistas no movimento operário e comunista (capítulo 8).

Quanto à formulação econômica do conceito de imperialismo, a conjuntura atual parece reforçar as principais tendências apontadas por Lênin em 1916. O nível de centralização do capital nos grandes monopólios, o fortalecimento do capital financeiro e o montante das exportações de capital atingem patamares inéditos. A crise do imperialismo, agravada em 2007/2008 e sem qualquer sinal de saída à vista, tem acentuado ainda mais todas essas tendências.

Ao mesmo tempo, a atuação desses monopólios nas últimas décadas efetivamente criou espaços transnacionais de montagem e produção de mercadorias, com as diversas etapas de seu beneficiamento podendo ocorrer em diversos países e continentes. O resultado óbvio desse processo é uma forte tendência à equalização e ao rebaixamento das condições de produção, do ponto de vista do proletariado e das demais classes dominadas, ao redor do mundo.

Com base na atuação dos capitais monopolistas, os Estados imperialistas buscam manter e expandir suas áreas de influência, garantir o pleno funcionamento dessas cadeias produtivas e o fornecimento ininterrupto e a preços baixos de matérias-primas. Razões de segurança dos Estados imperialistas se imbricam com a rentabilidade do capital e ambas se reforçam. A tendência à guerra sempre que se coloca em causa a repartição existente do mundo é o que mais se tem visto nesse século transcorrido desde a publicação do Imperialismo.

Em suma, o sistema imperialista domina integralmente o mundo atual, cria uma economia mundial englobando todos os países. Sem exceções. Em sua configuração, o sistema parqueia cada país e seus capitais em posições distintas, que tentamos resumir na dualidade dominante/dominado, a partir de uma divisão internacional do trabalho em constante definição e repactuação.