terça-feira, 11 de dezembro de 2018

De Hunan à Paris: relendo um clássico de Mao


É sabido que Paris, nas últimas semanas, tem vivido uma histórica onda de protestos e revoltas. O estopim foi o reajuste do imposto sobre combustíveis, que elevaram seus preços em todo a França. As convocações se iniciaram e têm se sustentado nas redes sociais, e não através das clássicas centrais sindicais e partidos reformistas franceses. E rapidamente as ruas deram lugar a diversas pautas, canalizando as vozes reprimidas das classes dominadas, em uma explosão de descontentamento que tem abalado o governo vigente.
No último sábado, mesmo após o recuo do governo de Macron em relação ao aumento, centenas de milhares de pessoas foram às ruas, em mais um dia de batalha campal contra as forças de repressão do Estado. 
A repressão estatal e os milhares de feridos e presos não têm conseguido arrefecer a onda, que já se encontra espalhada geográfica e socialmente. Outras cidades francesas e até da Bélgica e outros países europeus registraram manifestações dos "coletes amarelos" e seus aliados e apoiadores, como os estudantes de centenas de escolas.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Maior preocupação com a vida das massas e maior atenção aos métodos de trabalho

Reproduzimos o texto de Mao Tse Tung que, como informa o site e nossa fonte marxists.org, “constitui uma parte das conclusões apresentadas pelo camarada Mao Tse Tung ao II Congresso Nacional dos Delegados dos Operários e Camponeses, realizado em Jueiquin, província de Quiansi, em Janeiro de 1934.”

A nosso ver, o texto apresenta importantes contribuições para o atual momento político do movimento comunista. Movimento este em nível rudimentar de reorganização, sob forte ofensiva ideológica do inimigo, e com a tarefa urgente de (re)fundir-se às classes dominadas e às suas lutas.

A despeito das particularidades históricas nas quais o dirigente comunista se debruça, podemos notar certos princípios e características do estilo comunista no trabalho político e na luta ideológica. Como o próprio título destaca, a luta de classes, inclusive quando em contexto de guerra aberta, como no caso chinês da época, não possui apenas uma dimensão de confronto com o inimigo. Há também o problema das condições de vida das massas, com questões concretas e cotidianas, no qual os comunistas devem atuar.

Acesse aqui a publicação completa.

domingo, 18 de novembro de 2018

Outubro e nós (Parte III)

"Vence os brancos com a cunha vermelha” - Lissitzky
Reproduzimos nessa publicação a 3ª parte do texto Outubro e Nós, do camarada Ângelo Novo, publicado recentemente na edição nº 27 de O Comuneiro. Como indica a apresentação da revista “Ângelo Novo prossegue com a terceira parte da sua pesquisa refletida sobre o significado dos caminhos de outubro para a nossa própria circunstância atual. Desta feita, o objeto em estudo abrange a própria revolução bolchevique, dos decretos sobre a paz e a terra até à morte de Lenine. Aqui se concentra, de forma intensamente dramática, o núcleo essencial desta aventura histórica, dando ocasião a que o autor lance mão de alguns dos seus mais arrojados recursos estilísticos. Na quarta e última parte, abordar-se-á toda a vaga revolucionária do século XX e a espuma que dela ainda persiste, nessa nova vaga em formação para nos transportar ao assalto do futuro.”

Acesse aqui a publicação.

domingo, 11 de novembro de 2018

Balanço das Greves em 2017: é preciso reforçar a resistência nos locais de trabalho

No mês de setembro, o DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos publicou o Balanço das Greves de 2017. Esse Balanço é o principal estudo sobre o assunto no país, e apresenta um bom panorama sobre a atividade sindical e as lutas dos trabalhadores. 

Apesar do baixo nível de organização sindical no Brasil, hegemonizado pelo reformismo e pelo oportunismo, os dados demonstram que os trabalhadores, em 2017, continuam resistindo e lutando. Até mesmo com o agravamento da conjuntura causado, sobretudo, pela crise econômica e seus impactos devastadores para as classes dominadas (desemprego, miséria, violência, "reformas" da burguesia etc.). Aliás, essa continuidade se faz inclusive por conta desse agravamento, que empurrou e mobilizou os trabalhadores a construir, por exemplo, uma significativa Greve Geral em abril do ano passado.

Acesse a publicação completa.


domingo, 4 de novembro de 2018

10 anos do Cem Flores.


Camaradas e leitores.
Há 10 anos lançamos nosso blog, hoje site. Como nos apresentamos então, a ideia era (e é) ser “um espaço construído por um coletivo de companheiros com o objetivo de atingir aqueles que, através do marxismo, optaram por pensar com suas próprias cabeças e desejam um espaço para esgrimirem suas ideias sobre o rumo do socialismo e a teoria que o ilumina.”
Em nosso artigo inaugural (Por que razão discutir a crise do Marxismo?) afirmamos que “muito mais do que uma discussão sobre organização, tática ou estratégia, o que necessitamos é discutir a situação, o estado da teoria marxista, sua crise escancarada após o XX Congresso do PCUS e a cisão do movimento comunista em 1963, a necessidade urgente e incontornável de tomá-la a sério e perguntarmos por suas causas.” E indicamos um caminho, em nossa opinião, ainda atual: “Trabalhar, para retomar a teoria revolucionária como instrumento para a construção da revolução, do socialismo e do comunismo.(…) Tomar a teoria como arma do proletariado na luta de classe, arma que possibilita a ele e demais classes dominadas a ter uma prática revolucionária, elaborar a linha justa na luta de classes.”
Sempre com esse objetivo, e para comemorar essa data, disponibilizamos, nos links abaixo, as versões digitais dos livros Intervenções na Conjuntura da Luta de Classes, que publicamos em maio de 2018, e Luta de Classes, Crise do Imperialismo e a Nova Divisão Internacional do Trabalho, publicado em 2011.
Acesse nos links abaixo os livros completos em pdf.
Aos que pretenderem comprar estes livros entrem em contato conosco:
cemflores@cemflores.org

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

As Eleições de 2018 e a Necessidade de Continuar e Aprofundar a Resistência das Classes Dominadas

Manifestações contra Bolsonaro no dia 20 de outubro de 2018.
Como já era apontado pelas pesquisas de intenções de voto, o candidato fascista, de extrema-direita, será o novo presidente do Brasil a partir do ano que vem.
Contados os votos do segundo turno, novamente mais de um quarto do eleitorado brasileiro não compareceu à votação, votou em branco ou anulou o seu voto – por volta de 42,5 milhões de pessoas, número maior que o do primeiro turno. Dos 105 milhões que votaram em algum candidato, Bolsonaro (PSL) venceu, com 55%, o candidato do PT, Haddad, que ficou com 45%.
A vitória da chapa dos militares reformados – o capitão Bolsonaro e o general Mourão – coroa a ascenção da extrema-direita no cenário político brasileiro, que vem sendo construída (pelo menos) desde 2014 e já foi vista nitidamente no primeiro turno e durante o violento processo eleitoral deste ano. Tal ascensão não se encerra em nossas fronteiras, pelo contrário, tem semelhanças com outros casos no cenário internacional. Afinal, não é apenas no Brasil que organizações e candidaturas de extrema-direita ou mesmo abertamente fascistas têm se consolidado enquanto alternativas políticas do imperialismo desde sua última, profunda e inacabada crise. Estamos a presenciar um importante, mas não único, momento desse processo global da nova rodada de agravamento da barbárie capitalista.


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Sobre o segundo turno das eleições 2018. O caminho é o proletariado e as classes exploradas ampliarem sua organização, sua resistência e sua luta contra o inimigo de classe.

Ato de distribuição de mil placas para Marielle
Franco em resposta aos fascistas
(Rio de Janeiro, 14/10/2018).
No ato o grito de ordem foi: Não passarão!
"É preciso que os comunistas travem, junto com a classe, a batalha da construção concreta da resistência e da luta nos locais de trabalho, estudo e moradia, o que exige desenvolver a capacidade de organização e compreensão dos problemas concretos enfrentados. Essa construção é uma atividade objetiva, que exige conhecer a realidade, as tendências da conjuntura, as ações da direita e seus instrumentos políticos-ideológicos-repressivos, a ação do reformismo e do oportunismo. Não é uma palavra de ordem vazia, dogmática. É a ação concreta que permite construir o novo caminho, por mais difícil e longo que ele pareça ser. Não há atalhos, como parecem pensar aqueles que não veem outra “militância” fora das formas estabelecidas, institucionais e eleitoreiras, de “fazer política”.

Acesse aqui a postagem completa.

domingo, 30 de setembro de 2018

Só com o povo nas ruas se derrota o fascismo!

O caminho é continuar nas ruas: contra todos que nos oprimem e nos exploram!
No dia 29/09/2018, dezenas de cidades no país e no exterior realizaram manifestações contra o crescimento do fascismo, expresso na candidatura de Jair Bolsonaro.
As centenas de milhares de pessoas que participaram desse dia de luta saíram das redes sociais e foram para as ruas, enfrentando todo tipo de ameaças e agressões que as hordas fascistas realizaram nos últimos dias. Além do visível papel de vanguarda das mulheres, as manifestações contaram com a presença massiva de jovens, negros, LGBTQIs, trabalhadores e seus coletivos e organizações. Ou seja, parcelas das classes dominadas já profundamente atacadas pelo desemprego, pela violência e demais mazelas da crise do capitalismo brasileiro. E que, mais uma vez, se levantaram, demonstrando disposição para a luta contra sua atual situação e os retrocessos que se anunciam.
A classe operária e os comunistas devem apoiar e participar ativamente dessa luta de massas, inclusive denunciando a “esquerda” oportunista de plantão que quer reduzir mais essa luta a uma disputa eleitoral. Não nos enganemos: são as lutas e a organização popular as armas das classes dominadas contra o sistema de exploração e opressão que nos assolam, sobretudo em momentos de ofensiva burguesa.
Que esse sábado nos encha de ânimo para continuar a luta por uma nova sociedade!

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Sobre as eleições 2018. Análise da crise econômica e política no Brasil hoje.

Na postagem anterior, de 7 de setembro, denunciamos o caráter burguês das atuais eleições e o consenso de fundo existente entre as candidaturas da direita e da "esquerda". Afirmamos que a posição comunista em tal conjuntura é combater aqueles que defendem a via institucional para resolução da grave situação enfrentada pelo proletariado e demais classes dominadas. Ao mesmo tempo, os comunistas devem se empenhar na urgente (re)construção da classe operária enquanto força política real e independente.

Na presente postagem, publicamos nosso documento sobre as eleições de maneira completa, com uma análise mais detida das crises econômica e política anunciadas no texto anterior e do que chamamos de "programa hegemônico burguês" das principais candidaturas à presidência, além das fajutas oposições a esse programa provindas do reformismo e do oportunismo. Por fim, aprofundamo-nos nas tarefas e nas questões centrais da posição comunista defendida anteriormente.

Acesse aqui a publicação completa.

sábado, 8 de setembro de 2018

Sobre as eleições burguesas de 2018. Uma posição comunista.

No próximo mês de outubro serão realizadas novas eleições gerais no Brasil. Sairão das urnas presidente, governadores, senadores e deputados, todos responsáveis por gerenciar a dominação e a exploração capitalista no país. Seguindo uma dança coreografada inúmeras vezes, direita e “esquerda” se lançam de corpo e alma na disputa, cordiais e hipócritas “inimigos” como mostram a foto acima e a solidariedade ao fascista esfaqueado.
Como acontece a cada quatro anos, as eleições burguesas sempre preservam o seu caráter geral – busca por legitimar a dominação burguesa aos por ela explorados– ao lado de diversos componentes específicos, que merecem ser analisados mais detidamente. A consideração desses aspectos, em conjunto, permite compreender melhor a conjuntura atual e as perspectivas para o próximo momento da luta de classes no Brasil.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Louis Althusser: Como Alguma Coisa de Substancial Pode Mudar no Partido? (Inédito, 1970), seguido de A Contradição Principal (capítulo do Livro sobre o Imperialismo. Inédito, 1973)

Apresentação e tradução, por Cem Flores

Devido à grande repercussão da tradução da “Advertência” do Livro sobre o Imperialismo, de Louis Althusser (http://cemflores.org/index.php/2018/08/26/louis-althusser-livro-sobre-o-imperialismo-inedito-1973-apresentacao-e-traducao-da-advertencia-por-cem-flores/), e aos pedidos de alguns camaradas, traduzimos a seguir dois outros trechos do livro Escritos sobre a História (1963-1986), publicado recentemente com material inédito dos arquivos deixados por Althusser. 

Os textos que apresentamos aos leitores, pela primeira vez em tradução para o português, são: 
 1.     Como Alguma Coisa de Substancial Pode Mudar no Partido?”, datado de 28 de abril de 1970, e definido pelo editor francês como um “pequeno texto profético”, cuja publicação no momento de sua redação “teria provavelmente resultado para o seu autor, que, àquela época, estava bem decidido a permanecer, sua expulsão do Partido Comunista Francês”, e 

2. “A Contradição Principal”, capítulo do Livro sobre o Imperialismo (datado pelo editor francês de agosto de 1973) que, num ponto específico, serve de complemento ao primeiro texto. 

Acesse aqui a publicação.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Louis Althusser: Livro sobre o Imperialismo (Inédito, 1973) Apresentação e tradução da “Advertência”, por Cem Flores

“Essa é a única coisa que este pequeno livro pretende mostrar: que a luta de classes é o motor da história do capitalismo, portanto também de sua etapa imperialista. Uma coisa elementar”. (pg. 212). 

“Aqui está a linha de demarcação radical: relacionar tudo à luta de classes como a causa em última instância” (pg. 232). 

“Eu estou convencido que existem comunistas, sim, comunistas, para os quais apenas a classe operária conduz a luta de classes... mas a ideia de que a burguesia passa seu tempo a atacar, que esse sistema não é senão um sistema de luta de classe, que tudo isso não foi alcançado senão pela luta de classe da burguesia, que desde o início e sempre a burguesia edificou seu reino pela luta de classe... e que, provisoriamente, é a sua luta de classe que é a mais forte, e que por isso nós ainda não a derrubamos, isso, alguns comunistas não sabem” (pg. 158-9). 

“... é a burguesia que tem a iniciativa geral na luta de classe, em outros termos, é a luta de classe burguesa que é a mais forte. Isso que chamamos de dominação da classe no poder se traduz pela preponderância da luta de classe burguesa sobre a luta de classe proletária... a burguesia conduz sua luta de classe implacável por todos os meios legais e ilegais, tanto na base econômica(a produção e as trocas) sob as formas de opressão próprias à extorsão da mais-valia absoluta e relativa, quanto na superestrutura: pelo aparelho repressivo do Estado e pelos diferentes aparelhos ideológicos do Estado (dentre eles o aparelho político: a 'democracia' burguesa, mas também a Igreja, a Escola, etc.)” (pg. 118-9). 

Em março deste ano foi publicada na França mais uma obra inédita e inacabada do militante e intelectual marxista Louis Althusser (1918-1990): Escritos sobre a História (1963-1986)[i]. Esse volume, composto de nove artigos, é dominado pelas quase 160 páginas dos extratos do chamado Livro sobre o Imperialismo – texto do qual as citações acima foram tiradas. 

Acesse aqui a publicação.

[i]ALTHUSSER, Louis. Écrits sur l’Histoire (1963-1986)Paris: Presses Universitaires de France (PUF), março de 2018, 281 pg. 

domingo, 19 de agosto de 2018

O exército de mulheres da ALN

Zilda Paula Xavier Pereira. É o nome da coordenadora da ALN, no Rio de Janeiro. Mulher escalada para montar o apoio logístico de Carlos Marighella. Quem informa com exclusividade ao Diário da Manhã é Maria Clau­dia Badan Ribeiro em Mulheres na Luta Armada: Protagonismo Femi­nino na ALN, 572 páginas, Alameda Editora, R$ 90,00. A revolucionária, de linhagem marxista, não se limi­tou apenas a coordenar a organiza­ção no Rio, aponta.
– A guerrilheira, que morreu na data em que completava 90 anos de idade, assumiu ainda múlti­plas funções políticas, operacio­nais e ideológicas.
A autora revela ter sido ela que comunicara a posição contrária de Carlos Marighella, carboná­rio baiano filho de um italiano de olhos azuis com uma negra da etnia Haussá, em Cuba, à época em que a G-2 queria impedir o treinamento de mulheres à guer­rilha rural. A ativista levou à ALN Antonieta Campos da Paz, Ma­ria do Carmo e Maria Cerquei­ra. Mulheres que se engajaram ao lado da figura carismática do autor do Minimanual do Guer­rilheiro Urbano.

Cartas de Engels e as Crises do Capitalismo

No último dia 5 de agosto completaram-se 123 anos da morte de Friedrich Engels. Essa publicação é uma homenagem a essa data.

Comentário sobre as cartas de Engels
Friedrich Engels (1820-95) foi o genial co-autor da teoria marxista junto com Karl Marx (1818-83) e, também em sua companhia, dirigente comunista e fundador da Associação Internacional dos Trabalhadores. Após a morte de seu camarada teve depositada em seus ombros a responsabilidade principal pelo desenvolvimento e divulgação da teoria e pela direção do movimento revolucionário dos trabalhadores em todo o mundo. Nessas condições, coube a ele a tarefa de editar e publicar os manuscritos deixados por Marx do que viriam a ser os volumes II e III de O Capital; de traduzir, rever e prefaciar as novas edições de obras de ambos; e de continuar suas atividades de teórico e publicista. Ainda permaneceu intimamente ligado ao desenrolar das lutas revolucionárias em todo o mundo, em permanente intercâmbio com dirigentes revolucionários na Alemanha, França, Estados Unidos, Rússia e diversos outros países, além de acompanhar em detalhes a evolução da conjuntura política e econômica e as transformações do capitalismo.
Este post mira exatamente esse último aspecto da atividade de Engels. Em textos do final de 1884 e início de 1885 e, depois, em seguidas cartas no começo de 1886 – quando já havia completado 65 anos – Engels se debruça sobre a crise econômica que assolava a Inglaterra naquele período e não apenas lhe desvenda seu caráter mais profundo como lhe aponta novas características.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Bolsonaro e a chacina de Eldorado do Carajás.

No último dia 13 de julho o candidato a presidente Jair Bolsonaro esteve em Eldorado dos Carajás, no sudeste paraense, em campanha. Lá, na Curva do S, local em que foram mortos no mínimo 19 camponeses em 1996, essa figura sinistra disse que “Quem tinha que estar preso era o pessoal do MST [Movimento dos Sem Terra], gente canalha e vagabunda. Os policiais reagiram para não morrer....” (https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/agencia-estado/2018/07/14/no-para-bolsonaro-defende-pm-por-massacre-em-carajas.htm).

Esse candidato, que vem se esforçando para ser o representante principal da burguesia nas próximas eleições presidenciais (https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/04/politica/1530727099_691325.html), pode se tornar o instrumento necessário para tentar garantir a “lei e a ordem” que os capitais necessitam para valorizar-se, nesses tempos em que a crise empurra os trabalhadores para a luta e a resistência. Como disse o Presidente da UDR (União Democrática(?) Ruralista), entidade histórica do latifúndio assassino no Brasil na cara desse candidato capacho: “Bolsonaro, aqui o recado da classe produtora é direto: procuramos um presidente que não nos atrapalhe e não nos persiga”.Ou seja, querem (mais) um presidente que persiga os camponeses e trabalhadores rurais e que amplie ainda mais o apoio ao latifúndio brasileiro (financiamentos subsidiados, perdão das dívidas nos bancos públicos, garantia de compra das safras, legislação trabalhista e ambiental de acordo com seus interesses, polícia, repressão e morte aos trabalhadores do campo, enfim a continuidade das vantagens que sempre tiveram).

Para informar aos camaradas e leitores do site do Cem Flores sobre o que foi o Massacre de Eldorado do Carajás, em 1996, numa análise à luz da luta de classes no campo, reproduzimos abaixo material que recebemos de um colaborador e que publicamos em 2011. Segue atual e ajuda a desmascarar a quem interessa a ofensiva conservadora e fascista no Brasil, cuja candidatura de Bolsonaro (entre outras) é expressão.

sábado, 7 de julho de 2018

A Crise Infinita

António Barata

Nos dias que correm é unanimemente considerado, da esquerda à direita, que a crise que vivemos é culpa do neoliberalismo, da intervenção da troica e do FMI. Se a estes factores o BE, e principalmente o PCP, acrescentam a falta de patriotismo das camadas dominantes da burguesia portuguesa, sempre pronta a aceitar as imposições do Eurogrupo, do Banco Central Europeu, da Alemanha, da França e do FMI, já o PS, PSD e o CDS, preferem responsabilizar o “despesismo” de Guterres e dos governos que se lhe seguiram, em particular os de Sócrates, que teriam levado o país à bancarrota.

AS ILUSÕES DA ESQUERDA

Sendo tudo isto é verdade, o simplismo de tais pontos de vista em vez de esclarecer, confunde e mascara a realidade. Porquê?

Em primeiro lugar, porque ao responsabilizar o neoliberalismo – ou como dizem, o “sequestro do poder político pelo económico”, a “desregulamentação dos mercados” e a “financiarização da economia” – a esquerda nada mais fez e faz que estabelecer uma divisão artificial entre um capitalismo supostamente bom (aquele que produz mercadorias e cria riqueza) e um outro capitalismo supostamente mau (aquele que, sendo improdutivo, vive da especulação financeira, isto é, da compra e venda de dinheiro, ações e títulos). Colocadas as coisas desta maneira, o caminho que esta esquerda nos aponta é o da derrota (a crise ser paga pelos trabalhadores e pelos pobres e não pelos ricos), iludindo-nos sobre a possibilidade de um capitalismo ético, aclassista, regulado, democrático e ao serviço do “bem comum”. A que somam a crença de que as falências, destruição de valor, precariedade, desemprego, miséria, guerras, regressão social e fascização provocadas pela crise capitalista actual podem levar ao fim do neoliberalismo e do capitalismo tal como o conhecemos. É como se – por artes mágicas, sem a “chatice” de terem de propor projectos alternativos de sociedade, mobilizadores e capazes de elevar a consciência dos trabalhares enquanto classe com interesses opostos aos do capital e a sentir-se obrigados a se organizar politicamente para os fazer valer – o neoliberalismo e o capitalismo pudessem ser derrotados em resultado exclusivo das suas contradições internas, sem a necessidade de alguma classe os derrubar.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

O capitalismo utópico da “esquerda” brasileira

Há mais de uma década, no início de 2007, publicamos o texto "Do capitalismo utópico ao socialismo científico" com o intuito de traçar uma divisão clara entre a posição marxista-leninista e a posição do reformismo e do revisionismo, a posição da autointitulada “esquerda”, posição burguesa de fio a pavio. O texto foi motivado por ocasião da visita de Bush ao Brasil - mais especificamente à Lula - e o debate que surgiu daí.

Naquela época, estávamos no início do segundo governo petista (já sob a sombra do “mensalão”) e antes da explosão violenta da última crise do imperialismo. A imaginária "janela histórica" dada por mais uma vitória eleitoral do PT para governo federal dera asas à imaginação reformista e oportunista. Os debates sobre o desenvolvimento (capitalista!) do Brasil estavam em alta. Com isso, o marxismo-leninismo, enquanto teoria e prática, recebia mais uma pá de cal no terreno da dita “esquerda”. Nos víamos assim na obrigação de denunciar tais posições, por entender que:

O sentido do desenvolvimento do Brasil, resultado de leis inerentes à reprodução do capital na economia mundial é problema do imperialismo e seus sócios, as classes dominantes brasileiras, e contra eles temos que nos bater na luta de classes [...] O que se coloca para nós é o projeto de libertação do proletariado e demais classes dominadas, que só é possível rompendo com o sistema imperialista [...].


As propostas do revisionismo de reformar o capitalismo, visando "uma sociedade mais justa e igualitária" (ou, na tradução petista, "um país de todos") são criticadas desde os primórdios do comunismo, como se observa no clássico texto de Engels que resgatamos em sua atualidade.  E hoje, mesmo estando sob os escombros do projeto petista, a atualidade e a importância dessa crítica se renovam dado o contexto de ano eleitoral.

sábado, 16 de junho de 2018

Os Limites da Dominação Capitalista no Brasil

Em uma famosa intervenção, Mao Tsé-Tung afirma que o imperialismo e todos os reacionários têm um duplo caráter: são ao mesmo tempo tigres autênticos e tigres de papel. Quando considerados do ponto de vista estratégico, devem ser vistos como tigres de papel. Do ponto de vista tático, no entanto, enquanto classes dominantes, utilizando integralmente seus aparelhos ideológicos e repressivos, devem ser considerados tigres autênticos, de ferro. Ou seja, mesmo mais poderosa que a classe operária e o povo no presente, a dominação burguesa poderá ser derrubada como já o foi na Rússia e na China e em muitas outras partes do mundo – e, em todos esses lugares, terá que ser derrubada novamente

A conjuntura brasileira atual – de uma crise da dominação burguesa que já se prolonga faz vários anos – nos oferece uma boa oportunidade para olharmos diretamente através do tigre de ferro e observar em toda a sua fragilidade o tigre de papel.

Acesse aqui a publicação.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

A Greve dos Caminhoneiros e a Luta de Classes no Brasil



Os caminhoneiros entraram em greve no dia 21 de maio, exatamente uma semana atrás. Na semana passada, sob vários aspectos, o Brasil parou. Mais de 1.000 pontos de bloqueio em estradas em todo o país, dezenas de milhares de caminhões parados. Falta de combustível disseminada (com donos de postos aproveitando para lucrar e dobrando o preço da gasolina que restava). Relatos de escassez de hortifrutigranjeiros em Ceasas, principalmente no Sudeste. Suspensão de aulas em escolas públicas. Paralização na produção de automóveis anunciada pela associação patronal.
Todos os que defendem os interesses da classe operária e dos trabalhadores na sua luta contra a burguesia e seu estado devem, na nossa opinião, apoiar essa greve e sua generalização, a partir da solidariedade dos demais trabalhadores.