sexta-feira, 24 de maio de 2019

A conjuntura econômica no começo do governo Bolsonaro: continuidade da crise do capital, estagnação e aumento do desemprego.

Cem Flores

Neste primeiro semestre de 2019, a dominação burguesa no Brasil permanece em crise, uma crise que se desdobra e se entrelaça nos seus aspectos de crise política e crise econômica desde, pelo menos, 2013. Dados os acontecimentos deste começo de ano e de governo, tanto no campo econômico quanto no político, não parece haver qualquer perspectiva de resolução dessa crise de dominação à vista. O governo Bolsonaro não é a solução burguesa para o final dessa crise. Pelo contrário, ele a agrava. Em relação a uma solução proletária, ela não está presente na conjuntura, considerando a ausência de uma linha marxista-leninista, revolucionária, com força de massas, no seio da classe operária e das demais classes dominadas no país. Criar as condições para essa solução proletária à crise de dominação burguesa no Brasil é a tarefa de todos os comunistas

Por crise política, no contexto brasileiro atual, entendemos a situação na qual o domínio das classes dominantes e de suas frações sobre a superestrutura política e de Estado nãoé capaz de permitir que essas funcionem de maneira estável e eficiente, de forma a implementar o programa político-econômico dessas classes. Podemos adotar como marco (político) inicial da crise política o Junho de 2013, com as enormes manifestações de rua que marcaram aquele mês.

Por um lado, a crise política ocasiona avanços, divisões, recuos e incertezas quanto à implementação efetiva do programa da burguesia, com óbvios impactos de agravamento da crise econômica. Veja-se, por exemplo, o caso da reforma da previdência, um dos principais itens do programa econômico burguês no Brasil de hoje. Em moldes similares ao atual, a burguesia tenta aprovar essa reforma desde o primeiro governo Dilma (fizemos uma análise da proposta de reforma da previdência de Bolsonaro/Guedes aqui). 

terça-feira, 7 de maio de 2019

Estudantes e professores se levantam contra os cortes do Governo! Ocupar as ruas, as escolas e as universidades!

Cem Flores

Desde sua campanha, Bolsonaro elegeu a educação como uma de suas batalhas centrais. Como analisamos em recente texto, seu programa para essa área é ainda mais abertamente reacionário e retrógrado, e se relaciona com as demais frentes de ataque da ofensiva burguesa contra as classes dominadas em nosso país. Ofensiva que se agravou com o desencadear da crise econômica que até hoje emperra a acumulação capitalista em nosso país.
Além de aumentar o aspecto repressivo das instituições educacionais, com a militarização de escolas civis e ampliação das militares em si; de reforçar a censura e a repressão a professores, estudantes e em livros didáticos; de requentar um civismo moribundo, o governo Bolsonaro tem reforçado um discurso de ensino tecnicista para os trabalhadores, que devem se adequar ao máximo a uma formação curta, barata e que atenda por completo as necessidades atuais do capital de uma nação dominada (inclusive, eliminando cursos de humanidades).
Uma das formas de atingir esse último objetivo é a redução do investimento em educação e pesquisa em nosso país (ainda mais!). Aliás, esse é também um imperativo das reformas econômicas que buscam a retomada dos lucros dos capitalistas, inclusive reformulando o “tamanho” e as “prioridades” de seu Estado. 

201 anos do nascimento de Marx.

Em homenagem à data de nascimento de Karl Marx, reproduzimos abaixo o artigo que publicamos ano passado, nos 200 anos do seu nascimento.

Em memória de um dirigente revolucionário do proletariado!

Era, assim, o homem de ciência. Mas isto não era sequer metade do homem. A ciência era para Marx uma força historicamente motora, uma força revolucionária. Por mais pura alegria que ele pudesse ter com uma nova descoberta, em qualquer ciência teórica, cuja aplicação prática talvez ainda não se pudesse encarar — sentia uma alegria totalmente diferente quando se tratava de uma descoberta que de pronto intervinha revolucionariamente na indústria, no desenvolvimento histórico em geral. […] 
Pois, Marx era, antes do mais, revolucionário. Cooperar, desta ou daquela maneira, no derrubamento da sociedade capitalista e das instituições de Estado por ela criadas, cooperar na libertação do proletariado moderno, a quem ele, pela primeira vez, tinha dado a consciência da sua própria situação e das suas necessidades, a consciência das condições da sua emancipação — esta era a sua real vocação de vida. A luta era o seu elemento. E lutou com uma paixão, uma tenacidade, um êxito, como poucos.
Engels, Discurso diante do túmulo de Karl Marx, 17 de março de 1883.
Há exatos 200 anos, na região da Renânia, em Trier, nascia o filho de um casal judeu convertido ao cristianismo. Karl Heinrich Marx, seu nome completo, com apenas 23 anos se tornara doutor em filosofia. Mas não seria como um prestigiado professor universitário, imerso no ambiente intelectual da época, que Marx entraria para os anais da história. Pelo contrário, fora rompendo radicalmente com sua geração, com sua classe, com a ideologia e teorias dominantes, e engajando-se ao nascente movimento operário que ele “fez história”. Ou seja, o legado de Marx é sobretudo o legado de um comunista.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

VIVA O 1º DE MAIO! VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES NO MUNDO INTEIRO!

Cem Flores

Faz mais de cem anos que os trabalhadores e as trabalhadoras do mundo inteiro celebram suas lutas e seu futuro a cada 1º de Maio. 

O 1º de Maio não é dia de festejo vazio e descompromissado ou de cínicas congratulações. É sim o dia internacional de luta da classe operária e de todos os trabalhadores, dos explorados e despossuídos, daqueles que padecem do desemprego e da miséria, dos que ganham o seu pão com o suor do seu trabalho e dos que haverão de conquistar um mundo sem patrões. 

O movimento operário é hoje o responsável por levar adiante essa luta dos oprimidos que marcou toda a história da humanidade. Uma história de revoluções, de combates gloriosos, de incontáveis atos de heroísmo, valentia, honradez de muitos milhões de anônimos operários, camponeses, soldados, estudantes, intelectuais. 

A classe operária e todas as classes dominadas seguirão em sua luta, hoje mais imprescindível que nunca, pois a crise do imperialismo que atinge o mundo todo faz mais de uma década só significa para nós desemprego, fome, opressão, exploração e guerras. 

domingo, 28 de abril de 2019

Aumento da repressão à população pobre e trabalhadora como necessidade do capital em crise: programa do governo Bolsonaro.

Cem Flores

Jair Bolsonaro sempre se caracterizou pela apologia da violência do opressor contra o oprimido, pela apologia da violência de Estado. Pela defesa da violência de Estado, em todas as suas formas (ditadura militar, assassinatos, torturas, agressões), seja mediante o aparelho repressor formal (Forças Armadas e polícias), seja pelo uso de sua “força auxiliar”, semiclandestina (esquadrões da morte, pistoleiros, milícias). 

Nada a estranhar, portanto, quando a campanha eleitoral do ano passado resultou em recorde de violência, incluindo assassinatos, como o do mestre capoeirista Moa do Katendê. No governo, Bolsonaro busca concretizar seu programa, por meio do decreto legalizando e estimulando a posse de armas, em especial no campo; com o projeto “anticrime” do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, na verdade, uma licença para matar para policiais; com o reforço do aparato repressivo contra manifestações populares; e com as reiteradas demonstrações de apoio à crescente e cada vez mais letal ação repressiva do Estado, inclusive a recente negação dos fatos– no caso do assassinato, pelo Exército Brasileiro, aos risos, do músico Evaldo Rosa e do catador Luciano Moraes

A base material na qual essa apologia da repressão se baseia – e que garante popularidade aos seus defensores (Bolsonaro e família, Wilson Witzel,governador do Rio de Janeiro, bancada da bala nos legislativos federal e estaduais, etc.) junto às classes dominantes a às camadas médias – é a extrema violência da sociedade brasileira e o medo dessas classes de que essa violência extrapole as favelas e periferias, chegue aos seus bairros elegantes e atinja os seus. Mas isso já aconteceu faz tempo... Daí o apoio entusiasmado dessas classes ao aumento da repressão, legal e ilegal, comprovado cotidianamente através de incontáveis exemplos.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

25 de abril em Portugal: O Futuro Era Agora

Há 45 anos atrás, nessa data, um golpe militar derrubava o governo fascista em Portugal iniciando os 580 dias (de 25 de abril de 1974 a 25 de novembro de 1975) que ficaram conhecidos como Processo Revolucionário Em Curso (PREC).
O estudo desse período, muito comentado porém pouco conhecido entre nós, nos dá importantes lições para a análise da luta de classes, no Brasil e no mundo. Lições que nos permitem ver a gigantesca força de transformação das massas quando se levantam para efetivamente transformar a triste realidade em que estão inseridas; que nos auxiliam a compreender a necessidade de construirmos os instrumentos que garantam essas transformações, sem esperar dos outros a solução dos nossos problemas; lições que nos deixam claro, como dizia Marx, que a libertação da classe operária tem de ser obra da própria classe operária.
Para aprofundar nosso conhecimento dessa magnífica passagem da luta dos povos em todo o mundo, indicamos a leitura do livro O Futuro Era Agora que pode ser baixado aqui. A disponibilização dessa obra pela Edições Dinossauro é mais um importante trabalho de divulgação teórica realizado pelo Marxists Internet Archive (MIA) em português e pode ser também acessado aqui.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Francisco Martins Rodrigues. Presente!

Hoje, 22 de abril, completam-se 11 anos da morte de Francisco Martins Rodrigues. Suas ideias e seu exemplo de vida e militância seguem vivos entre nós, nos ajudando a encontrar o caminho da retomada da posição independente do proletariado na luta de classes, a retomada de uma verdadeira Política Operária.
A força e a atualidade da contribuição teórica e prática do Chico e de seus camaradas portugueses segue vigente. Como exemplo disso, e para aqueles que desejam um maior conhecimento de sua posição política, destacamos: 
O Cem Flores tem reproduzido uma série de materiais do FMR, importantes contribuições ao debate que travamos na tarefa de reconstruir uma posição proletária no Brasil. Reproduzimos também uma resenha ao seu livro Anti-Dimitrov: 1935/1985 meio século de derrotas da revolução e que pode ser acessada aqui. Possibilita ao leitor conhecer um pouco mais da vida e da luta política empreendida por Francisco Rodrigues.
Como afirmamos há um ano, nessa mesma data, para nós, do Cem Flores, sem ser uma frase vazia, é absolutamente real afirmar que Francisco está presente! Vive entre nós por sua teoria e sua prática.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Aumentar a informalidade para aumentar a exploração do trabalho: a reforma trabalhista e sindical de Bolsonaro

Cem Flores

No final do ano passado, já eleito presidente, Bolsonaro lançou sua máxima para o mercado de trabalho brasileiro: “No que for possível, sei que está engessado o artigo sétimo [da Constituição], mas tem que se aproximar da informalidade... Ser patrão no Brasil é um tormento”. Além do coice (mais uma tentativa de retirada de conquistas trabalhistas), o insulto (quem tem pena de patrão?). Não poderia ficar mais claro o caráter de classe de Bolsonaro, seu governo e seus aliados, contra os quais a classe operária e todos os trabalhadores devem lutar sem trégua. 

Mais recentemente esta meta foi renovada em sua visita ao Chile: “Eu tenho dito que na questão trabalhista nós devemos beirar a informalidade porque a nossa mão de obra talvez seja uma das mais caras do mundo”. Ou seja, no Brasil o trabalho – mesmo após a enorme reforma trabalhista de Temer, em 2017 (sobre a qual escrevemos aquiaquiaqui) – necessitaria de ainda mais desregulamentação e ausência de fiscalização, mais flexibilidade de contratos e mais restrições à atuação sindical... Melhores condições, em suma, para o patrão esfolar o trabalhador como bem entender. Mais poder ao código penal da fábrica, como diria Marx, e menos Brasília, como diria Bolsonaro. Diminuindo, assim, o “horror” (sic!) que é ser patrão no Brasil.

domingo, 14 de abril de 2019

A Terceira Internacional e seu lugar na história (1919) – Lenin.

100 Anos da Terceira Internacional Comunista

Para comemorar o centenário da Terceira Internacional Comunista, o Cem Flores traduziu para português o texto A Terceira Internacional e seu lugar na história, escrito por Lenin em abril de 1919.

Um gigantesco passo na organização internacional do proletariado foi dado com a criação da Internacional Comunista. Naquela época, o proletariado, com seus Partidos Comunistas, derrubava a burguesia em várias nações e se impunha como classe dominante para então construir as primeiras experiências de uma nova sociedade, que superasse o julgo da exploração. Uma terra sem amos, como já dizia o hino da Primeira Internacional. 

Esperamos que esse sintético texto de Lenin possa ajudar os camaradas a compreender e rememorar esse grande fato histórico para os trabalhadores de todo o mundo. Ao mesmo tempo, possam também se aferrar no exemplo daquele momento, pois a missão da Terceira Internacional Comunista ainda se faz atual e cada vez mais urgente: vencer o capital e toda a abominação que este produz cotidianamente.

Ou, nas palavras de Lenin após a Revolução de Outubro e a inauguração da III Internacional: 

A humanidade se livra da última forma de escravidão: a escravidão capitalista, ou seja, a escravidão assalariada.
Ao libertar-se da escravidão, a humanidade adquire pela primeira vez a verdadeira liberdade”.

domingo, 31 de março de 2019

Cinquenta e cinco anos do golpe militar: resistimos e resistiremos.

Na luta é que a gente se encontra!

Não pretendo nada,
nem flores, louvores,
triunfos.
Nada de nada.
Somente um protesto,
uma brecha no muro,
e fazer ecoar,
com voz surda que seja
e sem outro valor,
o que se esconde no peito,
no fundo da alma
de milhões de sufocados.
Algo por onde possa filtrar o pensamento,
a ideia que puseram no cárcere. 
Carlos Marighella, O país de uma nota só

Nesse dia 31 de março completam-se cinquenta e cinco anos do golpe militar que ocorreu em nosso país no ano de 1964. Golpe de Estado que, como dissemos em outra publicação, foi “promovido e financiado pelo fundamental da burguesia brasileira, com amplos estímulo da sua imprensa, apoio da classe média conservadora e suporte do imperialismo dos EUA”. 

Notas sobre a linha sindical – Francisco Martins Rodrigues

O texto que abaixo reproduzimos, de Francisco Martins Rodrigues, foi publicado originalmente no site português que reúne sua produção teórica. Escrito em 1988, como notas para um debate interno na organização a que pertencia, o autor indica uma linha teórica e prática de atuação aos comunistas na frente sindical, com importantes lições que seguem extremamente atuais.
Esse texto se soma a outras publicações do Cem Flores, tais como O movimento sindical na crise do capitalismo brasileiro e a A legalização da classe operária de Bernard Edelman, materiais que buscam estimular e avançar o debate sobre o necessário desenvolvimento de uma posição proletária no seio do movimento sindical e operário brasileiro.
Acesse no link abaixo a publicação.

Chega de intermediários. Donald Trump para presidente do Brasil!

Logo após o golpe militar de 1964, a frase “Chega de intermediários. Lincoln Gordon para presidente” sintetizava o apoio explícito dos EUA ao golpe e o caráter subserviente da ditadura que se instaurava no Brasil por 21 anos. Lincoln Gordon era então o embaixador dos EUA no Brasil. E o Brasil parecia mesmo o quintal dos EUA.
A recente viagem de Bolsonaro aos EUA deixou claro que essa subserviência explícita, característica da classe dominante brasileira, segue viva. 


sexta-feira, 22 de março de 2019

TOMAR AS RUAS CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA! A LUTA APENAS COMEÇOU!

Nesse dia 22 de março de 2019, os trabalhadores e suas organizações saíram às ruas em dezenas de cidades dizendo um firme “NÃO” à reforma da previdência e tudo o que esta significa. Nem mesmo o imobilismo, as negociatas e a velha enrolação do peleguismo conseguiram frear o dia de nacional de mobilização, que se tornou, pela força das bases, algo mais: um dia de luta! Fechando assim, com chave de ouro, uma fatídica semana para a burguesia.
De fato, diante do tamanho e da ousadia do ataque da burguesia, são necessárias manifestações e paralisações ainda maiores e em cada canto de nosso país. Afinal, como dissemos em nosso texto sobre a reforma da previdência, as ruas e os locais de trabalho e moradia são as arenas decisivas em mais esse lance da luta de classes. Mas, se depender da garra e coragem dos que hoje defenderam sua dignidade contra a casta improdutiva no poder, estamos apenas no começo dessa luta! 
Junto às manifestações de rua, que ocorreram durante todo o dia, tivemos ainda categorias que cruzaram os braços e uma forte campanha nas redes sociais – dando continuidade à insatisfação popular contra a proposta de reforma piorada do governo de Bolsonaro, que já se via de maneira latente no cotidiano há várias semanas. Insatisfação que tem tudo para continuar e se aprofundar.

domingo, 17 de março de 2019

O governo Bolsonaro e a ofensiva reacionária na educação

Cem Flores
A busca por realizar uma reforma reacionária do sistema educacional brasileiro é um dos aspectos centrais do governo Bolsonaro e de parte importante de seus aliados políticos e sua base eleitoral, composta pelas camadas médias, líderes religiosos (especialmente os neopentecostais), militares e militantes e parlamentares da extrema-direita. 
Ao contrário da análise superficial – baseadas nas patéticas ações dos seus principais proponentes no governo: o Ministro da Educação (sic!), a Ministra da Mulher, da Família e dos Diretos Humanos (sic!), os filhos de Bolsonaro e o próprio Presidente – não se trata (apenas) de uma pauta diversionista, de “costumes”, ou da ação meramente pessoal de ministros “ideológicos” ou olavetes. 
O combate ao sistema escolar brasileiro é importante palavra de ordem bolsonarista. Esse combate esteve e está presente em diversas manifestações de campanha (por exemplo, a ridícula denúncia (sic!) de Bolsonaro do sistema escolar como divulgador de um fictício “kit gay”), nas disputas pós-eleitorais pela indicação do futuro Ministro da Educação (com o veto da bancada evangélica), na euforia da ignorância no começo do governo (Eduardo Bolsonaro afirmando que não será preciso mais estudar “feminismo”), nas ameaças de censura (Bolsonaro quer analisar previamente as questões do Enem), nos projetos de lei (como o da Escola sem Partido) e, nas últimas duas semanas, na ferrenha e errática disputa sobre quem de fato comanda o MEC, disputa que envolve os principais setores da base eleitoral do governo atual: olavetes – agora divididos entre o Ministro e os seguidores demitidos/mantidos de Olavo de Carvalho; militares; evangélicos; além de “técnicos”.

sexta-feira, 8 de março de 2019

O 8 de Março Ainda é o Dia da Mulher? de Ana Barradas

Nos últimos anos é explícito o ascenso da luta das mulheres. No Brasil e no mundo assumem um papel de vanguarda nas grandes manifestações populares, no combate ao fascismo e na defesa das bandeiras do nosso povo. Crescem assim as posições feministas revolucionárias e, no mesmo processo, as reformistas, oportunistas e pequeno-burguesas. Debater hoje o conteúdo e o sentido do crescimento da luta das mulheres é central para a retomada da luta de classes do ponto de vista do proletariado. Pode ser a centelha que vai incendiar a pradaria.

O 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, data que tem como origem a luta das mulheres operárias em vários países, também sofre a influência dessas posições em disputa. Com o objetivo de intervir nesse debate, reproduziremos dois artigos de Ana Barradas, militante comunista portuguesa, cujo tema é essa data: O 8 de Março Ainda é o Dia da Mulher? e Ainda o 8 de Março. Os dois textos, publicados em abril e maio de 2017 no site Bandeira Vermelha, apontam a luta da mulher de uma perspectiva revolucionária e crítica ao feminismo pequeno-burguês. Publicamos hoje o primeiro desses dois artigos.

Como a autora afirma na conclusão desse primeiro texto que apresentamos:“O feminismo coloca assim toda a sociedade numa encruzilhada em que só se podem seguir duas direcções: a da revolução social que permita socializar esse trabalho feminino gratuito – reprodução da espécie e reposição quotidiana da força de trabalho – que sustenta a existência da humanidade; ou o caminho da perpetuação da discriminação das mulheres, em que a violência e a pobreza coexistem com gastos desmedidos em armamento, a ostentação e enriquecimento imoral dos poderosos, a miséria imparável dos oprimidos e a depredação do planeta.”

Acesse aqui a publicação completa.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A recente resistência dos Metalúrgicos da GM no Brasil e suas lições para a luta operária

Cem Flores

A multinacional norte-americana GM enfrenta graves problemas nos últimos anos. Começando pela crise de 2008 – quando foi socorrida pelo “liberal” Estado dos EUA com aproximadamente US$50 bilhões–, passando pelas dificuldades em concorrer com rivais asiáticas pelo mundo, e por reestruturações constantes. No final do ano passado, a empresa anunciou mais uma enorme reestruturação mundial, objetivando, é claro, recuperar suas margens de lucro. Unidades produtivas inteiras e pelo menos 15% dos funcionários ficaram, desde então, na mira.

Eis que, no início de 2019, a chantagem contra os trabalhadores se torna mais concreta, incluindo a América do Sul e o Brasil, onde a empresa possui plantas em Gravataí (RS), São Caetano do Sul (SP), São José dos Campos (SP) e Joinville (SC). “Não vamos continuar investindo para perder dinheiro”, disse a presidente global Mary Barra, enquanto anunciava os lucros bilionários de US$2,5 bilhões apenas no terceiro trimestre de 2018, sobretudo provindos do mercado norte-americano. Quanto ao Brasil, “novos investimentos dependerão de um doloroso plano para retornar aos lucros no país”. "Um crítico momento que requer sacrifícios para todos", disse depois Carlos Zarlenga, presidente da região Mercosul, supostamente responsável por prejuízos da empresa nos últimos anos. Para ele, a GM precisa do “apoio do governo, concessionários, empregados, sindicatos e fornecedores

domingo, 24 de fevereiro de 2019

A Reforma da Previdência faz parte do programa de classe da burguesia, de opressão e exploração dos trabalhadores

Na primeira fila, da esquerda para a direita: Caixa Dois da JBSCheque do Queiróz
Botafogo da OdebrechtNotas Frias de CampanhaFundos de PensãoMiliciano 01.
Na quarta-feira, dia 20 de fevereiro, o circo (de horrores!) foi montado em Brasília. Sob o aplauso unânime e entusiástico da grande imprensa, da grande indústria, dos grandes bancos e do capital internacional, o governo entregou ao Congresso Nacional sua proposta de “reforma” (sic!) da previdência. O documento celebrado pelos funcionários do capital (foto abaixo) visa baratear o valor da força de trabalho no país, tornando-a mais lucrativa para os patrões; permitir a redução da carga tributária das empresas, também ampliando seus lucros; ao mesmo tempo em que prolonga o suplício do trabalho assalariado, piora as condições de vida dos trabalhadores da cidade e do campo e agrava a desigualdade, a exploração e a miséria na sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, vale lembrar que a “reforma da previdência”– sob o pretexto explícito de reduzir o déficit público via diminuição dos gastos do governo; e com os objetivos encobertos de ampliar o tempo útil da força de trabalho para o capital, aumentar a quantidade de trabalhadores disponíveis e, com isso, reduzir seu valor e ampliar a lucratividade – tem sido uma bandeira da burguesia, dos seus governos e dos seus economistas no mundo inteiro, especialmente após a grande crise do capital iniciada em 2007/08. Ilustramos este artigo com fotos da resistência dos trabalhadores, da ativa e aposentados, na França, Rússia, Espanha e Argentina. 

Em todos esses casos, como agora no Brasil, a capacidade dos operários, dos camponeses e dos demais trabalhadores assalariados para organizar protestos, manifestações e greves, em todo o país, foi (e continua sendo) decisiva para sua vitória contra mais essa ofensiva burguesa

Acesse aqui a publicação completa.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Combater o reformismo e o oportunismo. Desenvolver e organizar a posição proletária na luta de classes.

Apresentação do artigo de Lênin: “Mais uma vez sobre o Ministério da Duma”

Em períodos como o que vivemos hoje no Brasil, em que é necessário combater a reforma trabalhista, a reforma da previdência, dentre outros avanços da burguesia sobre a classe operária e as classes dominadas, muitos, de forma sincera, podem se questionar:qual deve ser a posição proletária na luta de classes, incluindo os períodos de ofensiva da burguesia? Ceder nos princípios e tentar crescer na lógica do "menos pior"? Ou sustentar-se nas posições do proletariado, mesmo que aparentem ser posições mais isoladas, lutas mais difíceis?

Desde Marx e Engels, a autonomia e a independência política e ideológica do proletariado sempre foram destacadas como uma necessidade de primeira ordem para a política revolucionária. Combatendo assim a ilusão do fortalecimento do proletariado através de recuos em sua posição. Em 1850, ambos revolucionários, em Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas, por exemplo, afirmam: "[Os proletários] não devem se deixar cativar […] pela retórica dos democratas, como, por exemplo: dessa maneira se estaria fracionando o partido democrático e dando à reação a possibilidade de chegar à vitória. No final das contas, todo esse fraseado vazio tem um único propósito: engambelar o proletariado. Os avanços que o partido proletário poderá fazer através dessa atuação independente são infinitamente mais importantes do que a desvantagem gerada pela presença de alguns reacionários entre os representantes."

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

O Hipócrita Patriotismo Burguês de Bolsonaro e seus Objetivos

Todos lembram a patética frase de campanha com a qual Bolsonaro empolgava os setores mais reacionários do país e com a qual encerrou um dos seus discursos de posse: “a nossa bandeira jamais será vermelha”. Todos também recordam o fajuto slogan da campanha de Bolsonaro: “Brasil acima de tudo”. Todos igualmente viram o logotipo de propaganda do seu governo: “Pátria Amada, Brasil”. Por fim, todos obviamente sabem do apoio das forças armadas à sua candidatura e do número recorde de oficiais que tiraram o pijama para ocuparem cargos no alto escalão governamental[1], consolidando a tutela militar ao personagem medíocre e grotesco que sonha representar o papel de herói[2]. Todos esses fatos pretensamente caracterizariam o patriotismo, o amor ao Brasil, como um dos traços principais dessa abjeta “nova era” (sic!) do país que teria começado no mês passado. Pois é, só que não…

Como a história nos ensina com frequência, as aparências enganam e às vezes escondem os verdadeiros fenômenos. Os fatos, vistos apenas em sua superfície, não revelam suas raízes profundas. A ideologia atua como reflexo, necessariamente imaginário, das reais condições de existência[3].

Em resumo, além de serem banais e requentadas, as declarações patrióticas de Bolsonaro e sua corja também são hipócritas.

Acesse aqui a publicação completa.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Louis Althusser: O “Que” de “Que Fazer?” (Inédito, 1978)

Apresentação e tradução por Cem Flores
Dando continuidade à tradução dos inéditos de Althusser[I], apresentamos aos camaradas leitores o primeiro capítulo do livro Que fazer? , de 1978[II]. O nome do capítulo é O “Que” de “Que Fazer?”.
Como o próprio título indica, nessa ocasião, o autor buscou ratificar a relevância teórica e política da “velha pergunta de Lênin” para a classe operária em sua luta, tanto em sua dimensão mais imediata, tática, quanto em sua dimensão de longo prazo, estratégica. Tal pergunta, que surge no fogo da ação, da participação direta na luta de classes de um período, nos leva diretamente ao que o revolucionário russo chamou de “alma viva” do marxismo: a análise concreta da situação concreta.
E, para Althusser, por onde começar para se fazer tal análise? Aqui ele retoma suas importantes teses sobre a luta de classes enquanto um processo baseado em um antagonismo objetivo. A análise desse motor da história, que é a luta de classes, a ser exercida pelas massas, é a análise desse antagonismo constitutivo do capitalismo; contradição na qual se funda os dois principais polos dessa contradição, a burguesia e a classe operária. Uma análise científica da realidade só pode se fundar sobre esse pilar.